UBS antecipa bolsas em alta no próximo ano à boleia da IA e de cortes dos juros
Maximilian Kunkel, do UBS, vaticina continuação do “bull market” das bolsas em 2026 alimentado por cortes de juros nos EUA, lucros crescentes das empresas e uma nova vaga de IA ainda mais abrangente.
O maior gestor de fortunas do mundo considera que a geopolítica ou as eleições intercalares norte-americanas não serão o grande motor dos mercados em 2026, como muitos assinalam. Para o UBS, a receita é bem mais simples e redutora. “Há duas coisas que importam [em 2026]. As taxas de juro e o crescimento dos lucros das empresas. O resto é ruído”, referiu Maximilian Kunkel, Chief Investment Officer da UBS Global Wealth Management, na apresentação das perspetivas do banco suíço para o próximo ano.
Numa altura em que o índice norte-americano S&P 500 negoceia a múltiplos historicamente elevados e o mundo parece um tabuleiro de xadrez cada vez mais instável, a “casa” suíça propõe um exercício de foco. No seu Outlook para 2026, sugestivamente intitulado “Escape Velocity” (velocidade de escape), o banco sugere que a economia global pode estar prestes a libertar-se da gravidade das dívidas elevadas e da incerteza, impulsionada pela inovação. Mas, para Maximilian Kunkel, a equação do sucesso para o próximo ano não precisa de ser complexa.
Para o gestor do UBS, a tese é clara: estamos a meio de um ciclo global de corte de juros “que não víamos desde o colapso do Lehman Brothers” e “os lucros das empresas estão não só a crescer, mas a alargar-se a mais setores.”
O UBS considera que a narrativa da inteligência artificial está a mudar. O tempo do investimento cego em infraestruturas acabou. “Estamos a afastar-nos do capex para os cash flows”, alerta Maximilian Kunkel.
Habituados a ser o parente pobre do crescimento face à pujança norte-americana, os mercados europeus mereceram recentemente uma revisão em alta por parte do UBS, que classifica agora as ações europeias como “atrativas”. A justificação assenta numa recuperação cíclica. “Achamos que, após três anos de estagnação, a Europa vai ver um crescimento dos lucros de 7% no próximo ano e de 18% em 2027″, explicou Maximilian Kunkel.
O responsável do UBS sublinha que o cenário estrutural na Europa “é o melhor dos últimos 15 anos”, destacando que os balanços dos bancos estão sanados e sólidos, o investimento em capex (investimento em bens de capital) está a recuperar e as avaliações bolsistas que continuam baratas face aos pares.
Mas não é só a Europa que desperta otimismo entre o analista do UBS. “Acreditamos que as tecnológicas chinesas, por exemplo, terão um crescimento de 37% nos lucros no próximo ano e ainda estarão negociar com avaliações adequadas”, refere Maximilian Kunkel.
Do lado da política monetária, a visão do UBS para o Banco Central Europeu (BCE) é de uma calmaria quase total. “A nossa previsão base é que o BCE em 2026 vai ficar em espera”, afirmouMaximilian Kunkel, antecipando que a inflação na Zona Euro mergulhe abaixo dos 2% no próximo ano.
Já para a Reserva Federal norte-americana (Fed), a ‘música’ é outra, com o UBS a antecipar mais cortes, incluindo já um corte de 25 pontos base na reunião de 10 de dezembro e outro no primeiro trimestre de 2026, à medida que o mercado laboral nos EUA dá sinais de arrefecimento.
Do “hype” aos lucros no universo da IA
No centro das preocupações de muitos investires está o que muitos apelidam de bolha na inteligência artificial, dada as fortes valorizações das ações de empresas tecnológicas nos últimos meses. Questionado sobre esse receito, Maximilian Kunkel é perentório: “A versão curta é que não” há uma bolha na inteligência artificial. Embora reconheça que o S&P 500 negoceia a 23 vezes os lucros esperados — um nível elevado face aos valores históricos –, o gestor nota que, se excluirmos as “Sete Magníficas”, o resto do mercado negoceia a múltiplos razoáveis.
No entanto, refere que a narrativa da inteligência artificial está a mudar. Segundo o UBS, o tempo do investimento cego em infraestruturas acabou. “Estamos a afastar-nos do capex para os cash flows (fluxos de caixa)”, alertou Maximilian Kunkel. Isto significa que os vencedores de 2026 não serão apenas quem fabrica os chips, mas quem usa a tecnologia para cortar custos e aumentar receitas, apontado o foco, por exemplo, ao setor da saúde e também das utilities.
O UBS acredita que a administração norte-americana tudo fará para evitar instabilidade económica no próximo ano. “Poderá haver uma surpresa positiva vinda da geopolítica e da política no próximo ano”, sugere Maximilian Kunkel, contrariando o pessimismo reinante.
O banco suíço identifica quatro áreas onde o retorno do investimento em inteligência artificial será mais imediato: investigação e desenvolvimento (I&D), publicidade, programação (coding) e serviço ao cliente. Além disso, Maximilian Kunkel destaca o tema da “eletrificação” como uma derivada crucial da inteligência artificial, sublinhando que os centros de dados consomem energia, e isso vai beneficiar desde as commodities (como o cobre) até às empresas de utilities (serviços públicos).
Para o UBS, 2026 será definido por três grandes questões: a sustentabilidade do boom da inteligência artificial, a gestão das dívidas públicas e a geopolítica. Sobre a dívida, Maximilian Kunkel antecipa um cenário de “repressão financeira”, onde os governos tentarão manter as taxas de juro reais (descontando a inflação) negativas para conseguir pagar as contas, contendo assim pontos de tensão nos mercados.
E a política? Com os EUA a celebrarem o seu 250.º aniversário em 2026, o banco acredita que a administração norte-americana tudo fará para evitar instabilidade económica no próximo ano. “Poderá haver uma surpresa positiva vinda da geopolítica e da política no próximo ano”, sugere inclusive Maximilian Kunkel, contrariando o pessimismo reinante.
No fundo, a mensagem do UBS para 2026 é um convite à racionalidade. Enquanto o ruído político assusta muitas carteiras, os investidores devem olhar para os balanços das empresas e para as ações dos bancos centrais. Porque, no final do dia, se os lucros sobem e o dinheiro fica mais barato, o mercado tem “velocidade de escape” para continuar a subir.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
UBS antecipa bolsas em alta no próximo ano à boleia da IA e de cortes dos juros
{{ noCommentsLabel }}