Líder do BCP avisa que Estado deve “proteger trabalhadores afetados” por flexibilidade laboral

Miguel Maya lamenta negociação centrada em “equilíbrios precários que querem diminuir a uns para aumentar a outros”. Tarifas devem levar empresas a “reduzir a dependência de mercados dominantes".

O presidente da comissão executiva do Millennium BCP concorda com a introdução de maior flexibilidade na legislação laboral, como pretende o Governo de Luís Montenegro, mas adverte que o Estado tem igualmente o dever de “proteger os trabalhadores que são afetados” por essas alterações às leis do trabalho.

Para Miguel Maya, se é “imperativo” haver um “enquadramento para as empresas se adaptarem, o que requer maior flexibilidade laboral”, isso “também requer assegurar que o Estado tem condições de proteger os trabalhadores que são afetados por esse imperativo de flexibilidade o qual resulta do enquadramento económico, mas também o surgimento de uma tecnologia de uso genérico e abrangente como a inteligência artificial”.

Durante a conferência Millennium Portugal Exportador, que se realiza esta terça-feira no Europarque (Santa Maria da Feira), perante o primeiro-ministro, o banqueiro aludiu às alterações em curso nas dinâmicas laborais que exigem ao Governo soluções que equilibrem a aceleração económica e o “reforço” do Estado social, justificando-se “uma reflexão séria sobre o contrato social e o papel que compete às empresas e ao Estado”.

“Perdemos demasiado tempo em formulações teóricas que formam equações de soma nula em que o esforço se centra em equilíbrios precários que querem diminuir a uns para aumentar a outros, quando o esforço principal deverá concentrar-se no aumento da geração de valor para haver muito mais para distribuir”, apontou Miguel Maya.

Numa intervenção em que começou por lembrar o “contributo significativo” que António Mota, que morreu este domingo, deu para a “afirmação das empresas portugueses no exterior”, o líder do maior banco privado português criticou os “discursos simplistas e deslocados” em torno do tema da imigração, notando ser “errado atribuí-lo à esquerda ou à direita”.

“Felizmente, o Governo está a agarrar o tema e está consciente da dimensão que ele tem para o desenvolvimento económico e social de Portugal, mas também em assegurar uma imigração controlada, sem momentos de tensão e de fragmentação” na sociedade portuguesa, elogiou o anfitrião deste encontro, que se mostrou defensor de uma política de imigração que se “integre a nossa cultura de liberdade e diversidade”.

Numa intervenção em que elogiou a reforma em curso da Administração Pública que promete reduzir os custos de contexto no país, Miguel Maya aludiu ainda às tarifas implementadas por Donald Trump nos EUA para advertir os empresários para a necessidade de “reduzir o risco e a dependência de mercados dominantes, para aumentar a resiliência das cadeias”.

Quanto ao banco que dirige, assegurou que o BCP está “no mercado para servir a economia e para Portugal ser mais próspero e coeso” e que a instituição financeira está “fortemente capitalizada”, lembrando que foi um dos bancos europeus que nos últimos três anos mais valorizou e que “este ano já vai com uma valorização superior a 70%” em bolsa.

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