Tribunal de Contas reconhece “melhoria de comunicação” do IGCP sobre certificados em risco de prescrição

Tribunal de Contas alertou em outubro para 1,2 mil milhões de euros em certificados no IGCP em risco de prescrição ou já prescritos. Recomendação para melhoria de comunicação está a ser acolhida.

O Tribunal de Contas considera que o IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública já implementou melhorias de comunicação aos aforradores desde que a entidade presidida por Filipa Urbano Calvão identificou 1,2 mil milhões de euros em Certificados de Aforro e do Tesouro em risco de prescrição ou mesmo prescritos.

Desde que começámos a interagir e até o momento, o IGCP já fez várias ações de melhoria da comunicação com os aforradores“, indicou a juíza conselheira do Tribunal de Contas, Ana Furtado, em audição parlamentar sobre o parecer à Conta Geral do Estado de 2024 (CGE2024).

A juíza conselheira, que acompanha na audição a presidente do Tribunal de Contas, Filipa Urbano Calvão, respondia às questões colocadas pela deputada do Chega Patrícia Almeida sobre o facto de a entidade ter alertado para mais de 600 milhões de euros de certificados pertencentes a titulares falecidos, com saldos imobilizados e em contas com informação desatualizada, enquanto outros 494 milhões de euros se referem a contas sem informação cruzável com o Instituto de Registos e Notariado (IRN).

No parecer à CGE, o auditor das contas do Estado detetou ainda que o IGCP tinha ainda 77 milhões de euros à sua guarda que não consegue pagar às famílias – na maioria dos casos porque o titular faleceu, mas há mais razões, e recomendou ao IGCP que seja mais diligente junto dos aforradores para evitar que percam as suas poupanças.

Ana Furtado salientou que “muitas vezes é difícil” que a informação chegue aos cidadãos, sobretudo aos com “menor acesso à informação, menor acesso às tecnologias e que geralmente são aqueles detentores dos certificados mais antigos” e precisamente os que estão em causa. Deste modo, sublinhou a importância do IGCP continuar a empreender esforços neste sentido.

Paralelamente, a juíza conselheira destacou que os “77 milhões de euros, que resultam exatamente desta não entrega destes reembolsos aos respetivos aforradores, por impossibilidade, e que não estão refletidos na conta geral do Estado, em termos de uma dívida pública de 257 mil milhões é um valor pouco materialmente pouco significativo, mas naturalmente tem a maior das importâncias”, esperando que já sejam refletidos na próxima Conta Geral do Estado.

Numa audição parlamentar posterior à do Tribunal de Contas, realizada também esta quarta-feira, o Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão Brito, disse que estão a ser feitos esforços, mas há dificuldades técnicas. “Os 77 milhões de euros estão segregados numa conta financeira no IGCP, não há engenharia nenhuma. São Certificados de Aforro em que a maioria são relativamente a contas em relação às quais não há IBAN, não há moradas. É impossível”, disse o governante.

Ainda assim, o secretário de Estado do Orçamento salientou que o IGCP tem adotado campanhas de sensibilização e “começou a fazê-lo antes da recomendação do Tribunal de Contas”.

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