Agora em mãos espanholas, Secil ajuda a ‘cimentar’ Portugal (e o mundo) há mais de 100 anos
A história da Secil viu esta sexta-feira mais um episódio com o anúncio da venda pela Semapa. Nacionalização, privatização e internacionalização foram grandes marcos numa narrativa centenária.
“A Secil faz parte da génese da Semapa e terá sempre um lugar especial na nossa história”, sublinhou esta sexta-feira Ricardo Pires, CEO da holding da família Queiroz Pereira, no comunicado em que anunciou a venda de 100% da cimenteira à espanhola Cementos Molins. A frase toca numa das partes mais recentes da longa história da Secil, uma narrativa que nos faz recuar mais de 100 anos e que envolve internacionalização, nacionalização, privatização e, agora, alienação.
A marca Secil nasceu há precisamente um século, mas a história arranca em 1904, com a fundação da Companhia de Cimentos de Portugal. A primeira fábrica é a do Outão, em Setúbal, em 1906, seguindo-se a da Maceira-Liz, da Empresa de Cimentos de Leiria, em 1923.
Já com a marca sedimentada, “da fusão de duas empresas que operavam na região nasceu, em 1930, a Secil – Companhia Geral de Cal e Cimento“, explica a empresa no site institucional. “Desde essa já longínqua década de 30 do século passado até aos dias de hoje, muitas foram as alterações”, salienta.
Se as principais alterações seguintes foram de foro operacional – como a inauguração da fábrica Cibra, em Pataias, em 1950 e instalação do sétimo forno em 1970 para atingir a capacidade de um milhão de toneladas de clínquer – em 1975 chega o terramoto que atinge muitas das grandes empresas portuguesas: a nacionalização.

Privatização e expansão internacional
Em mãos públicas durante quase duas décadas, o crescimento industrial não desacelera, com o arranque do primeiro forno de via seca em 1978 e a desativação da produção por via húmida quatro anos a seguir. A nova e (até hoje atual) fase da vida da Secil chega com a entrada do empresário Pedro Queiroz Pereira.
“Para além das inevitáveis mudanças tecnológicas e o despertar de uma consciência ambiental, o destaque vai para a aquisição, por parte da Semapa, dos 51% do capital da Secil e dos 100% da CMP – Cimentos Maceira e Pataias, em 1994″, refere a empresa. Em 2003, a Semapa adquire os restantes 49% a investidores dinamarqueses, tornando-se na única acionista da cimenteira.
Os anos seguintes foram de expansão internacional. Enquanto opera atualmente em três fábricas de cimento em Portugal (Outão, Maceira e Cibra), no mercado internacional, marca presença em Angola, na Tunísia, no Líbano, em Cabo Verde, nos Países Baixos e no Brasil”, resume a Secil. “Através das oito fábricas de cimento e da presença em sete países e quatro continentes, o grupo Secil garante uma capacidade anual de produção de cimento superior a nove milhões de toneladas.
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