Exclusivo Pixelmatters arranca com softlanding para atrair tech hubs para Portugal

Estados Unidos é o mercado-alvo prioritário para Tech Hubs in Portugal, tirando partido das ligações da Pixelmatters a este mercado. Em janeiro, a Pixelmatters tem uma nova liderança executiva.

Da esquerda para a direita: André Oliveira e Bruno Teixeira.

A Pixelmatters arrancou com um serviço de softlanding para ajudar empresas tecnológicas a instalarem-se em Portugal. O Tech Hubs in Portugal já ajudou a Ujet.cx a instalar-se no país e tem como foco empresas oriundas dos Estados Unidos. A Pixelmatters vai ter, a partir de janeiro, uma nova liderança executiva.

“O Tech Hubs in Portugal nasce de forma orgânica, no seguimento de uma colaboração com uma empresa americana que apostou na Pixelmatters como o seu parceiro local para arranque do seu tech hub em Portugal. Com esta colaboração, apercebemo-nos do significativo valor acrescentado que podemos oferecer e que este poderia ser um modelo vendável, num pacote especificamente criado para o efeito”, explica André Oliveira, fundador da Pixelmatters, ao ECO.

A iniciativa representa “uma evolução natural” da oferta da empresa sedeada a Norte. “Há 12 anos que a Pixelmatters faz design e desenvolvimento de produtos digitais a partir de Portugal, com equipas multidisciplinares e uma cultura orientada à qualidade. Essa base, somada a uma marca reconhecida no mercado e às relações existentes com a comunidade tecnológica, cria condições únicas para nos posicionarmos como parceiros de confiança para alto da magnitude de importância da abertura de um hub tecnológico numa nova geografia”, refere o gestor.

Com o Tech Hubs in Portugal, a empresa entra numa nova área, o softlanding. “O que a distingue a nossa oferta de soluções típicas de softlanding é o foco em produto e qualidade, e não em headcount, tendo por base o modelo BOT (Build+Operate+Transfer). O cliente pode, sem risco nem necessidade de colocar pessoas no seu payroll, experienciar o mercado português com o menor risco operacional e cultural possível, mantendo o foco no crescimento do seu produto em detrimento de toda a burocracia geralmente envolvida neste tipo de operações”, explica André Oliveira quando questionado sobre o que distingue a operação da Pixelmatters de outras de prestação do mesmo tipo de apoio à instalação de empresas no país.

“Caso as coisas corram bem, o nosso modelo prevê janelas de transição das nossas equipas planeadas quando fizer sentido migrar alguns profissionais para a entidade do cliente, estabelecendo assim as suas bases de recursos humanos no país. O resultado de tudo isto é menos fricção e mais impacto real no produto e negócio”, acrescenta.

EUA mercado prioritário

Estados Unidos é o mercado-alvo prioritário para Tech Hubs in Portugal, tirando partido das ligações da Pixelmatters a este mercado. “Historicamente, mais de 80% dos clientes da Pixelmatters têm sede nos Estados Unidos, pelo que esse é o foco. Temos um histórico ímpar em Portugal de colaborações de sucesso com empresas como Rubrik, VMware, Salesforce, Fortinet entre outras e forte alinhamento cultural”, explica. “A oferta está, no entanto, obviamente disponível para empresas de outras geografias”, ressalva.

Neste momento, o serviço já tem um cliente angariado, “com um contrato de dimensão significativa”. É o caso da Ujet.cx: “uma plataforma global de contact center na cloud – empresa sediada em São Francisco, que conta com um total de quase 200 milhões de dólares de financiamento e investidores de renome, como a Google Ventures”, adianta André Oliveira.

“Ao contrário do que se possa pensar, a decisão de abrir um hub em Portugal foi motivada não por questões financeiras, mas fundamentalmente pela necessidade de encontrar uma cultura e profissionais orientados à qualidade. Esse brio profissional, se bem identificado, encontra-se em muitos profissionais portugueses, mas é muito mais raro de se encontrar noutras geografias. No caso, tinha havido uma má experiência num país asiático”, refere.

O nosso objetivo passa por angariar dois a três novos clientes neste modelo [Tech Hubs in Portugal] ao longo de 2026, dependendo, obviamente, da dimensão e âmbito de cada hub, representando aproximadamente 30% a 50% da faturação anual.

“A colaboração está em curso, e as nossas equipas de produto estão dedicadas a trabalhar em iniciativas críticas. A equipa já cresceu cerca de três vezes desde o seu arranque em meados de abril 2025. Em 2026, a Ujet terá a opção de tentar contratar diretamente alguns dos nossos profissionais para os seus quadros, sendo esse um dos principais selling points desta iniciativa”, reforça.

Ao nível de angariação de clientes os objetivos estão definidos. “Escalar empresas de serviços num contexto em que se pretende oferecer um serviço premium e de alta qualidade requer prudência, pois crescer demasiado rápido acarreta muitos riscos. Esta sempre foi a nossa postura e continuará a ser”, ressalva André Oliveira. “Neste contexto, o nosso objetivo passa por angariar dois a três novos clientes neste modelo ao longo de 2026, dependendo, obviamente, da dimensão e âmbito de cada hub, representando aproximadamente 30% a 50% da faturação anual”, diz. “Os sinais iniciais são bastante positivos e dão-nos confiança, mas a Pixelmatters sempre privilegiou o crescimento sustentável e assim continuará”.

Reforço de equipa?

Um novo serviço que deverá ter impacto ao nível de crescimento da equipa. “Apesar do mercado continuar desafiante e usarmos AI como forte acelerador de produtividade, a nossa equipa tem vindo a crescer ao longo deste ano de 2025”, diz André Oliveira, embora sem precisar números.

Caso esta iniciativa Tech Hubs in Portugal venha a ter a tração que esperamos, ter um fluxo de recrutamento contínuo (maioritariamente perfis de design e engenhariafull-stack, front-end e back-end) é algo com o qual contamos, pois haverá necessidades, ainda que sejamos muito cautelosos nesta matéria”, diz. “Não acreditamos que atirar mais pessoas para cima dos problemas os resolva. O nosso foco está em ter impacto no(s) produto(s), processos eficientes e bem oleados, e decisões orientadas a resultados de negócio, não em crescimento cego de headcount“, acrescenta.

Pixelmatters Ventures em pausa

Em 2025, a Pixelmatters pretendia arrancar um veículo de investimento founder friendly: o Pixelmatters Ventures. O veículo arrancava com meio milhão de capital inicial, com o objetivo de levantar entre três milhões a cinco milhões de euros de investidores externos para investir ativamente em 10 a 15 empresas entre 2025 e 2028, num máximo de 500 mil euros por empresa. Que capital foi já levantado?

“Nenhum”, afirma. “Há uma dificuldade generalizada de fundraising neste momento, mais ainda quando se trata de um fundo e mais ainda quando se trata de um general manager sem track record na função, como é o meu caso. No verão de 2025 tínhamos previsto fazer um fecho intercalar da ronda, com um montante angariado de um milhão de euros. No entanto, na altura do fecho alguns dos investidores acabaram por recuar à última hora. Neste contexto, deixou de fazer sentido avançar com todo o processo de fundraising, pois estávamos muito longe da meta mínima definida”, explica.

“A Pixelmatters Ventures foi, assim, colocada em pausa. À espera de maior liquidez do mercado e tempos de maior apetite dos investidores para investir”, adianta.

Ainda assim, foi feito investimento através do veículo. “Fizemos um investimento com capitais próprios, pois havia a necessidade de provar que o modelo funciona. Investimos um equivalente, em serviços, a cerca de 500 mil euros numa empresa portuguesa na área da saúde digital, a Dr. Online. Evoluímos a sua infraestrutura tecnológica e criamos as bases do produto web, iniciativas estratégicas que acreditamos irão catapultar a empresa para outros voos nos próximos anos”, revela.

Nova liderança em 2026

Depois de mais de uma década, a empresa vai ter uma nova liderança executiva. Em janeiro, André Oliveira assume como chairman e Bruno Teixeira sobe a CEO.

“Doze anos a liderar uma empresa é muito tempo, mesmo sendo-se o proprietário da mesma. Vindo do zero, há desgaste acumulado e necessidade de novos desafios e novas dinâmicas. Penso também que uma das atitudes mais nobres que o proprietário de uma empresa pode tomar é mostrar que ele/a próprio/a não está apegado/a ao lugar”, justifica André Oliveira.

“O Bruno, o novo CEO da Pixelmatters, entrou na empresa como engenheiro de software há nove anos. Com esta mudança mostramos de forma prática e objetiva que com trabalho e dedicação, tudo é possível. É algo que faz parte da nossa cultura e queremos que assim continue, sendo também esse o exemplo que pretendo dar à nossa equipa.”

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