Uma história sobre os fundos da Venezuela no Novobanco
Em março de 2024, o ECO publicou uma série de cinco episódios sobre a guerra política na Venezuela em torno dos milhões depositados no BES e que passaram para o Novobanco. Pode reler aqui.
Foram cinco episódios sobre uma história que ainda não terminou, assinados pelo jornalista Alberto Teixeira.
Em 2019, duas fações disputaram o poder na Venezuela e os fundos de 1,4 mil milhões guardados no Novobanco. Nicolás Maduro tentou levar dinheiro para a Rússia. Juan Guaidó, então candidato da oposição, queria levar aqueles fundos para os EUA. Dez anos depois de Sócrates ter aberto a porta da Venezuela ao BES, o Novobanco encerrou as quase três dezenas de contas entre 22 e 24 de novembro de 2019. Nenhuma das duas fações venceu este braço-de-ferro, mas em Caracas já se concertava um plano para contra-atacar o Novobanco.
No início da pandemia, a Venezuela lançou uma ofensiva em Lisboa para desbloquear milhões do Novobanco e desencadeou uma guerra de pareceres jurídicos em Portugal. Fundos saíram mesmo do banco, mas… Mas logo a seguir ao Novobanco ter respondido à ação da PDVSA, quase mil milhões de euros da Venezuela haveriam mesmo de sair do banco português. Não para as contas que a petrolífera e as outras empresas venezuelanas há muito tempo pretendiam. Foram parar aos cofres do Estado português.
Maduro quis levar dinheiro para a Rússia e Guaidó para os EUA, mas o Novobanco decidiu deixar os fundos da Venezuela à guarda do tribunal. E assim 900 milhões foram parar aos cofres da Caixa e IGCP. No meio destas disputas, os fundos venezuelanos em Portugal começavam a despertar a atenção de terceiros. Petrolíferas, mineiras e fundos internacionais estavam a caminho da capital portuguesa para ajustar contas com a Venezuela por causa de negócios e quezílias antigos.
Nos últimos anos, os fundos venezuelanos congelados em Portugal atraíram petrolíferas, mineiras e fundos de todo mundo. Vieram a Lisboa ajustar contas por causa de nacionalizações e dívidas antigas. Em Caracas, Nicolás Maduro e o seu regime regozijaram-se com a decisão do tribunal português, prometendo que iria aplicar os fundos no reforço “dos serviços públicos para o povo”. Mas imediatamente apareceram os cobradores do fraque para travar a saída do dinheiro de Portugal.
O Governo português ajudou a desbloquear fundos venezuelanos, mas dificilmente Nicolás Maduro verá um cêntimo do dinheiro que guarda em Portugal. A luta agora é dos credores. Quem chegou primeiro a Lisboa com a ação de arresto tem vantagem sobre os outros, por via da figura jurídica “prioridade de arresto”. Mas nestas histórias há sempre um mas: até hoje as autoridades portuguesas ainda não conseguiram citar os responsáveis venezuelanos. Enquanto Caracas não for citada, o dinheiro permanecerá congelado no Novobanco.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Uma história sobre os fundos da Venezuela no Novobanco
{{ noCommentsLabel }}