Gouveia e Melo acusa Seguro de ter ido “além da troika” e não ter defendido área do PS
No dia em que surgiu pela primeira vez à frente de uma sondagem, António José Seguro foi ainda visado por Catarina Martins, que respondeu ao apelo ao voto útil feito pelo candidato apoiado pelo PS.
O candidato presidencial Gouveia e Melo acusou esta terça-feira António José Seguro, enquanto ex-líder do PS, de ter ido além da troika sem qualquer necessidade, porque existia uma maioria PSD/CDS, e de não ter defendido a área socialista.
Gouveia e Melo reagiu assim, em declarações aos jornalistas, na Feira dos Reis de Vila Verde, concelho de Alijó, após ter sido confrontado com o facto de António José Seguro ter dito que não se podia escolher um candidato a Belém sem experiência, que fosse aprender como Presidente República.
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada contrapôs que não tem experiência de “intriga partidária” e que não é “titubeante”, receosos de tomar decisões ou alguém que se refugia em discursos redondos.
Visou também o passado político de António José Seguro enquanto secretário-geral do PS entre 2011 e 2014.
“No passado, não defendeu a sua própria área, não defendeu os interesses das pessoas que votaram nele. Há uns anos as pessoas que votaram nele pretendiam que defendesse determinados tipos de conceitos, direitos – e ele não defendeu. Foi para além da troika e não tinha necessidade disso”, declarou o almirante.
Gouveia e Melo assinalou que existia então “uma maioria no Governo” PSD/CDS, na Assembleia da República — “uma maioria que não precisava do apoio dele para nada”.
“E quando se fala em experiência, não tenho experiência nenhuma de intriga partidária. Não tenho. Se é essa a experiência que procuram, por favor, não sou eu. Também não tenho experiência nenhuma de fazer lóbi político ou lóbi de interesses”, acrescentou.
Catarina Martins responde a Seguro e diz que voto por convicção é que muda o país
Também esta manhã, a candidata presidencial Catarina Martins respondeu ao apelo ao voto útil de António José Seguro, sublinhando que as sondagens não são a primeira volta das eleições e que é o voto por convicção que muda o país.
“As pessoas votam e votam por convicção e a primeira volta das eleições presidenciais é uma volta de convicção, em que se dá força ao projeto que se acredita enquanto país”, defendeu a candidata apoiada pelo BE.
Em declarações aos jornalistas durante uma visita ao Mercado de Torres Novas (distrito de Santarém), Catarina Martins foi questionada sobre as declarações do candidato apoiado pelo PS que, na segunda-feira, afirmou que o voto nos candidatos apoiados pelo Livre, PCP e BE “não conta” por ser “meio voto” e ajudar a direita.
“Dizem-nos as sondagens que há candidatos que não têm hipóteses de passar à segunda volta. A confirmarem-se essas sondagens, o voto nesses candidatos é um voto que não conta”, disse António José Seguro.
Em resposta, Catarina Martins sublinhou que nenhum dos 11 candidatos às eleições presidenciais de 18 de janeiro “tem um único voto” e avisou que “as sondagens não são a primeira volta”.

A candidata apoiada pelo BE aproveitou também para voltar a deixar criticas a António José Seguro e ao seu papel no período da troika, em que, enquanto secretário-geral do PS, cooperou com o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho.
No domingo, o candidato socialista também recordou esses tempos, justificando que quando negociou um acordo de salvação nacional em 2013, defendeu o interesse nacional e dos portugueses, entendimento que não é partilhado por Catarina Martins.
“Agora pede o voto para quê? Para no dia a seguir poder voltar a orgulhar-se de apoiar ou de viabilizar cortes contra a Constituição? A mim as pessoas conhecem. Quando isso aconteceu, eu juntei forças com socialistas para ir ao Tribunal Constitucional e devolver o subsídio de férias e subsídio de Natal que tinha sido cortado”, recordou a candidata a Belém que, na altura, era porta-voz do BE.
Apelando aos eleitores que “pensem no dia seguinte às eleições e na garantia que querem”, Catarina Martins defendeu que, a 12 dias do ato eleitoral, “está tudo por decidir e o voto por convicção é aquele que pode mudar o país”.
Ao longo da visita ao Mercado de Torres Novas, Catarina Martins parou várias vezes para cumprimentar e ouvir comerciantes e clientes, que partilharam as suas preocupações em relação ao estado do país. A principal: saúde.
“Na saúde, temos um bloqueio. Temos um Governo que corta primeiro e pensa depois e não temos um projeto que possa pôr o Serviço Nacional de Saúde mais forte”, criticou.
Empenhada em trazer para a campanha os temas que mais preocupam os eleitores, a candidata lamentou que se fale pouco sobre saúde numa altura em que – considera – o Governo “não foi capaz de prevenir a quantidade de vacinas da gripe de que o país precisava e agora queixa-se porque há um surto de gripe, estamos no inverno e não sabe o que há de fazer”.
“É difícil pensar em maior irresponsabilidade. E sendo certo que uma Presidente da República não legisla nem governa, tem de chamar a atenção. Não podemos continuar a achar que o inverno ou a gripe são uma surpresa. É preciso preparar”, afirmou.
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