Venda do Novobanco concluída em “março ou abril”
Operação já tem luz verde da Comissão Europeia, mas ainda aguardava decisão do BCE. Ainda assim, ministro das Finanças aponta conclusão da venda do Novobanco para março ou abril.
A venda do Novobanco aos franceses do BPCE por 6,4 mil milhões de euros deverá ficar “provavelmente” concluída em março ou abril, adiantou esta quarta-feira o ministro das Finanças. A operação já teve luz verde da Comissão Europeia no final do ano passado, mas ainda aguardava por autorização do Banco Central Europeu (BCE).
Miranda Sarmento, que falava numa audição regimental na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), considerou que se conseguiram “duas coisas muito importantes” com essa transação.
“A primeira foi um encaixe que, entre o valor de venda e os dividendos que o Novobanco distribuiu em 2025, é de cerca de dois mil milhões, ainda aquém daquilo que foi a utilização da garantia pública, que foi cerca de 3,3 mil milhões. Ainda assim há uma recuperação significativa desse valor”, afirmou em resposta ao deputado do PCP, Alfredo Maia.
“E, segundo, a compra do Novobanco por parte de um dos maiores bancos europeus, o segundo maior de França, é um sinal de confiança, de robustez, de prestígio da economia portuguesa”, acrescentou.
No âmbito deste negócio, anunciado há cerca de seis meses, o Estado vai receber cerca de 1,6 mil milhões de euros pelos 25% que detém no Novobanco (por via da Entidade do Tesouro e Finanças e do Fundo de Resolução), enquanto a Lone Star encaixa aproximadamente 4,8 mil milhões com a alienação de 75% do capital do banco que tinha comprado em 2017 a troco de uma injeção de mil milhões no banco.
Para o BPCE, um dos maiores bancos franceses, a aquisição do Novobanco, faz parte de uma estratégia de expansão na Europa. O próprio CEO do banco francês, Nicolas Namias, tem a ambição de criar um “campeão europeu” — termo usado para se referir a grandes instituições capazes de competirem à escala global.
O Novobanco detém uma quota de mercado de 10% nos depósitos e crédito, sendo um dos cinco maiores bancos a operar em Portugal, onde o BPCE já está presente através do Natixis (com um centro de desenvolvimento no Porto) e de duas pequenas unidades de crédito ao consumo (Oney e Primus).
Criado em 2014, na sequência da medida de resolução aplicada pelo Banco de Portugal ao BES, o Novobanco tem mais de 4.100 trabalhadores e alcançou lucros de 610 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, apesar da descida da margem financeira.
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