Fitch revê em alta crescimento dos EUA para 2025 e 2026

A agência de notação elevou as projeções de PIB dos EUA para 2,1% em 2025 e 2% em 2026, mas alerta para as dinâmicas da inflação que deverá atingir 3,2% em 2026 pelos efeitos das tarifas comerciais.

ECO Fast
  • A Fitch reviu em 0,3 pontos percentuais e em 0,1 pontos percentuais as prespetivas de crescimento do PIB para 2025 e 2026, respetivamente
  • O crescimento robusto de 4,3% do PIB no terceiro trimestre de 2025, impulsionado pelo consumo e gastos públicos, surpreendeu os analistas.
  • A agência mantém cautela relativamente à inflação, prevendo um aumento para 3,2% até 2026, o que pode impactar a política monetária da Fed.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A agência de notação financeira Fitch elevou esta quinta-feira as suas projeções de crescimento económico para os EUA em 2025 e 2026, após incorporar dados que tinham sido atrasados devido ao encerramento (shutdown) do Governo norte-americano no final do ano passado.

Segundo o documento publicado esta quinta-feira pela Fitch, as novas estimativas apontam agora para um crescimento do PIB de 2,1% em 2025, uma subida face aos 1,8% que a agência previa no relatório de Perspetivas Económicas Globais (GEO) de dezembro de 2025, e para um crescimento de 2% este ano, ficando acima dos 1,9% projetados anteriormente.

Esta alteração reflete a incorporação de dados económicos cuja divulgação foi adiada pela paralisação administrativa que durou mais de um mês, o surge numa altura em que a economia norte-americana surpreendeu pela positiva no terceiro trimestre de 2025, com um crescimento robusto que surpreendeu a maioria dos analistas.

O crescimento no terceiro trimestre de 2025 foi consideravelmente mais forte do que o previsto, atingindo 1,1% relativamente ao trimestre anterior (não anualizado), com surpresas positivas no consumo, nos gastos públicos e no comércio líquido.

Brian Coulton

Economista chefe da Fitch

O forte desempenho da economia norte-americana no terceiro trimestre do ano passado, quando o PIB avançou 4,3% em termos anualizados – o ritmo mais acelerado em dois anos –, é um dos principais catalisadores da revisão em alta da agência de notação norte-americana.

O crescimento no terceiro trimestre de 2025 foi consideravelmente mais forte do que o previsto, atingindo 1,1% relativamente ao trimestre anterior (não anualizado), com surpresas positivas no consumo, nos gastos públicos e no comércio líquido”, escreve Brian Coulton, economista chefe da Fitch em comunicado.

Além disso, destaca também que “o crescimento do investimento privado foi mais fraco do que o previsto, mas o investimento relacionado com tecnologias de informação ainda cresceu 14% em relação ao ano anterior e está a contribuir significativamente para o crescimento geral do PIB.”

Mas nem tudo são boas notícias. A agência de notação mantém um olhar cauteloso sobre a inflação, que deverá acelerar nos próximos meses devido ao impacto desfasado das tarifas comerciais impostas pela administração Trump. “Devido a dados incompletos de outubro, as tendências recentes da inflação do Índice de Preços no Consumidor são difíceis de interpretar”, refere a Fitch.

A Fitch antecipa que a Reserva Federal dos EUA (Fed) venhar a cortar as taxas de juro duas vezes durante a primeira metade do ano, reduzindo o limite superior da taxa dos fundos federais para 3,25%.

De acordo com as mais recentes estimativas da agência de notação, “a taxa de inflação terá subido para 3% em dezembro de 2025, face aos 2,7% em novembro, e deverá aumentar para 3,2% até ao final de 2026, influenciada pelos efeitos desfasados das tarifas”, indica o relatório da agência de rating.

No mercado de trabalho, a Fitch projeta que a taxa média de desemprego da maior economia do mundo se situe nos 4,6% em 2026, próxima dos níveis atuais. A agência justifica esta estabilidade com o facto de “o impacto de um crescimento mais lento do emprego ser compensado por uma queda no crescimento da força de trabalho”.

Esta visão contrasta com os receios de alguns analistas que temem uma deterioração mais acentuada do mercado laboral norte-americano, especialmente após os dados de novembro terem mostrado uma taxa de desemprego de 4,6%, acima dos 4% registados em janeiro de 2025.

Quanto à política monetária, a Fitch antecipa que a Reserva Federal dos EUA (Fed) venha a cortar as taxas de juro duas vezes durante a primeira metade do ano, reduzindo o limite superior da taxa dos fundos federais para 3,25%. Esta previsão está alinhada com as expectativas dos mercados financeiros, que atualmente incorporam dois cortes de 25 pontos base ao longo do próximo ano, embora as projeções dos próprios responsáveis da Fed apontem apenas para um corte em 2026.

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