Galp e Moeve discutem fusão de redes de estações de serviço e refinarias

Havendo acordo, a Galp ficará com perto de 50% da nova plataforma de retalho com 3.500 estações de serviço na Ibéria e pelo menos 20% da empresa industrial a ser criada para a refinação e o 'trading'.

ECO Fast
  • A Galp e os acionistas da Moeve anunciaram um acordo não vinculativo para discutir a fusão dos seus portefólios de downstream, criando duas empresas líderes na Península Ibérica.
  • A junção permitirá consolidar ativos e capacidades em Portugal e Espanha, visando aumentar a eficiência operacional e apoiar a transição energética na região.
  • A transação proposta poderá reforçar a posição da Galp no mercado, promovendo um crescimento sustentável e atraindo investimentos para soluções de baixo carbono.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A Galp e os acionistas da Moeve — a Mubadala Investment Company e o The Carlyle Group — chegaram a um acordo não vinculativo para avançar com discussões detalhadas sobre a potencial fusão dos seus portefólios de downstream e criar “duas empresas líderes de energia na Península Ibérica: a RetailCo e a IndustrialCo”. “A combinação de negócios prevista, que exclui o chamado ‘upstream’, permitirá consolidar ativos, capacidades e equipas complementares em Portugal e Espanha, com o objetivo de reforçar escala, eficiência operacional e capacidade de investimento, apoiando simultaneamente a transição energética e fortalecendo a resiliência, fiabilidade e competitividade do sistema energético ibérico”, informou a Galp, em comunicado, sobre a parceira com a Moeve, antiga Cepsa.

A concretização desta transação permitirá criar uma plataforma de retalho com uma das maiores redes de estações de serviço na Península Ibérica, oferecendo maior escolha, serviços de conveniência reforçados e maior valor para os clientes. Será estabelecida ainda uma plataforma industrial escalável que integre as atividades de refinação, trading, petroquímica e moléculas verdes (biocombustíveis e hidrogénio), servindo clientes B2B com maior eficiência e competitividade global. Outro dos objetivos da junção será “viabilizar escala e capacidade de investimento necessárias para acelerar a transição energética europeia e construir a próxima geração de campeões energéticos europeus”, sublinhou a Galp.

As discussões anunciadas agora formalmente vão desencadear uma due diligence do valor dos ativos que estão dentro do perímetro destas operações. Oficialmente, não há timings para a uma decisão, mas as duas companhias têm a expectativa de que haverá condições para uma decisão até meados deste ano. Havendo acordo, a Galp e a Moeve passarão para uma segunda fase, de aprovações regulatórias, que incluirá necessariamente a DG Concorrência, a poderosa direção geral da União Europeia. E o calendário, esse, já não estará nas mãos das duas companhias, mas tendo em conta a pressão de Bruxelas para acelerar a capacitação industrial verde e a transição energética na Europa, a Galp e a Moeve têm a expectativa de que o processo decorrerá de forma célere.

“Em paralelo, a Galp reforçará o seu foco em gerar valor para os seus acionistas, alavancando as suas posições-chave no segmento de upstream, com um portefólio altamente competitivo que se mantém como o motor central de crescimento da empresa, em conjunto com os negócios de Renováveis e de Aprovisionamento & Trading de gás e eletricidade”, vincou. “A transação proposta permitirá à Galp reforçar ainda mais o seu foco estratégico”.

No passado recente, já existiram rumores sobre negociações para um acordo acionistas entre estas companhias, nunca confirmadas. Mas a complementaridade entre as duas é, muitas vezes, apontada no mercado. Com uma diferença: O peso do chamado ‘upstream’, isto é, o negócio de exploração de petróleo, com destaque para a recente descoberta na Namíbia, vale cerca de do 70% do ‘cashflow‘ da Galp, enquanto a Moeve tem um peso limitado deste segmento de negócio, e a sua força está na indústria (leia-se refinação e química) e na área comercial, isto é, a distribuição.

Na prática, estão em cima da mesa dois modelos de negócio: Por um lado, a Galp autonomiza as áreas comercial (estação de serviço, conveniência e mobilidade) e industrial (refinaria) enquanto a Moeve faz uma cisão da companhia em duas, estando vendedora do que (ainda) tem na exploração de petróleo. A combinação das respetivas áreas permitirá criar dois novos players ibéricos, e a Galp, cotada, continuará como está hoje, com o negócio da exploração e com participações acionistas nestas duas novas companhias ibéricas. Certo, também, é que, havendo acordo, vão manter-se as marcas das redes de estações de serviço, e as parcerias que hoje existem, em cada um dos respetivos mercados.

Quanto valem os dois negócios combinados? Nem a Galp, nem a Moeve identificam os valores potencialmente implícitos nestas operações, mas de acordo com as contas do ECO/Capital Verde, tendo em conta os relatórios e contas das duas companhias, é possível apontar valores de referência:

A) Moeve Downstream / Industrial

  • Downstream/Energia: 1.453 milhões, é o maior contributo individual para o EBITDA da empresa, refletindo os negócios de refinação, trading, comercialização e atividades correlacionadas;
  • Industrial/Químico: 253 milhões representa a contribuição da unidade química de Moeve em 2024. Moeve Global;
  • Total combinado (Downstream + Industrial): 1.706 milhões de euros.

B) Galp Downstream / Industrial

  • Industrial & Midstream: 876 milhões de euros, e inclui refinação, logística, transporte e outras actividades industriais integradas, sem segmentar químico separado. Galp;
  • Total neste segmento: 876 milhões de euros.

Rede com 3.500 estações de serviço

As discussões irão avaliar a potencial criação de duas plataformas energéticas ibéricas. Uma será de plataforma de mobilidade focada no retalho de combustíveis (incluindo carregamento de veículos elétricos) e conveniência, para servir clientes B2C e apoiar o desenvolvimento de soluções de mobilidade de proximidade – RetailCo.

“A RetailCo será co-controlada pela Galp e pela Moeve, com participações acionistas equilibradas, assegurando o alinhamento contínuo em matéria de estratégia e decisões de investimento”, explicou a Galp, adiantando que a empresa “tornar-se-á um dos maiores operadores de mobilidade da Península Ibérica, com uma presença de mercado relevante através de uma rede de cerca de 3.500 estações de serviço, localizadas maioritariamente em Portugal e Espanha”.

Na IndustrialCo, uma plataforma industrial focada em refinação, petroquímica, trading e combustíveis de baixo carbono, ao serviço de clientes B2B, a Galp deverá manter uma participação minoritária significativa, superior a 20%, informou.

Cada uma delas terá uma administração e uma gestão autónomas, com as respetivas equipas a serem indicadas nos termos das posições acionistas de cada um dos grupos.

“Criar grandes grupos europeus”, diz Paula Amorim

Paula Amorim, presidente Galp afirmou, citada no comunicado, “estar extremamente confiante por termos alcançado este acordo preliminar e iniciado uma discussão de enorme relevância estratégica europeia”.

“A visão de crescimento da Galp sempre se pautou por parcerias com operadores altamente credíveis, que demonstraram consistentemente capacidade na criação de valor”, sublinhou, antes de explicar que “ao agregar as capacidades e a experiência complementares da Galp e da Moeve nas operações de downstream, temos a oportunidade de criar grandes grupos europeus na Península Ibérica, cada um beneficiando de maior foco, alocação de capital ajustada e flexibilidade essencial para impulsionar um crescimento sustentável e gerador de valor”.

A visão de crescimento da Galp sempre se pautou por parcerias com operadores altamente credíveis, que demonstraram consistentemente capacidade na criação de valor.

Paula Amorim

Presidente da Galp

“Acredito firmemente que esta oportunidade reforça a nossa capacidade de apoiar e promover uma transição energética justa, capaz de endereçar a evolução das necessidades do mercado e de assegurar um fornecimento de energia seguro e responsável à Península Ibérica“, concluiu a presidente da Galp.

“Oportunidade única”, diz CEO da Moeve

Já Maarten Wetselaar, CEO da Moeve vê esta potencial junção a representar “uma oportunidade única para reforçar o papel da Península Ibérica na transição energética, através da criação de plataformas com a escala, resiliência e capacidade de investimento necessárias para concretizar a mudança com rapidez”.

Também citado no comunicado, salientou que ao reunir “excelência industrial, alcance das atividades de downstream e um forte pipeline de projetos de baixo carbono, pretendemos atrair capital sustentado e acelerar a implementação de soluções que apoiem a competitividade, a descarbonização e o crescimento económico”.

A Galp explicou que durante o processo de negociação, “a Galp e a Moeve continuarão a operar como empresas independentes, com plena continuidade das operações, do abastecimento e do serviço aos clientes em todas as atividades e geografias”. Tendo em conta que são, neste momento, companhias concorrentes, as boas práticas de governance e de regras concorrências determinaram que existam equipas próprias a trabalhar nestas operações e que não estão envolvidas na atividade operacional de corrente. De resto, qualquer transação potencial permanece sujeita à negociação e execução de acordos finais e vinculativos, às aprovações societárias necessárias e às autorizações regulatórias aplicáveis, adiantou. “Nesta fase, não foram tomadas decisões finais e não existem impactos nas operações em curso das empresas, nos seus colaboradores ou nas relações comerciais existentes”, referiu.

A Galp e a Moeve comprometem-se a manter o mercado, os colaboradores e os restantes stakeholders relevantes informados, em conformidade com as respetivas obrigações legais e de divulgação de informação.

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