Macron anuncia voto contra acordo comercial entre UE e Mercosul

  • ECO
  • 8 Janeiro 2026

O presidente francês tenta, mais uma vez, bloquear o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que devia ser assinado na próxima segunda-feira no Paraguai. Também a Hungria vai votar contra.

O presidente francês, Emmanuel Macron, mantém o voto contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, apesar da Comissão Europeia ter reforçado as verbas para os agricultores franceses. O acordo é de “outra época” e negociado “com base em princípios muito antigos”, explicou, na rede X, o chefe de Estado francês, que afirma ainda assim que a França é “favorável” ao comércio internacional. Também a Hungria confirmou que vai votar contra.

 

O ganho limitado, de 0,05% do PIB da UE até 2040, do acordo com os quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) não justifica “expor setores agrícolas sensíveis que são essenciais” para a soberania alimentar, adianta Macron. França conseguiu importantes concessões, admite o presidente francês, para se juntar a esta iniciativa que está a ser negociada desde 1999.

A última delas esta semana quando a Comissão Europeia reforçou o envelope para a agricultura da União Europeia. No próximo quadro financeiro plurianual 2028-2034, os agricultores podem contar com 293,7 mil milhões de euros e, mais importante, um cheque de 45 mil milhões disponível a partir de 2028. “Apesar desses avanços inegáveis, é preciso notar que houve uma rejeição política unânime do acordo” no parlamento do país, remata Macron, antes de acrescentar que a “assinatura do acordo não é o fim da história”.

Na manhã desta quinta-feira também a Hungria anunciou o voto contra o acordo comercial e a Polónia também tem dúvidas. Como a votação é por maioria qualificada, até ao momento não há Estados europeus suficientes para bloquear a iniciativa entre os países sul-americanos e a UE. Bruxelas defende agora o acordo com uma nova urgência geopolítica dada a hostilidade dos EUA para com os seus tradicionais aliados ocidentais e a afirmação, clara, de ter mais peso e influência no continente americano.

A decisão final está agora nas mãos de Itália que travou a assinatura do acordo em dezembro, quando Ursula von der Leyen já tinha viagem marcada para fechar o pacto durante uma cerimónia no Brasil.

A primeira-ministra Giorgia Meloni, na rede X, elogiou esta semana o “passo positivo e significativo” dos novos recursos para a agricultura apresentados pela Comissão Europeia. “Não só atinge o objetivo de manter o nível atual de financiamento no futuro”, como pedido pelos agricultores italianos, “como também fornece recursos adicionais”, escreveu Meloni nas redes sociais.

A assinatura do acordo UE-Mercosul está agora marcada para a próxima segunda-feira, 12 de janeiro, no Paraguai.

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