ECO da Campanha. Duas caravanas ‘estacionam’ para Conselho de Estado e Seguro recebe elogio de Santana

A pouco mais de uma semana das eleições para Belém, a luta pelo segundo lugar das intenções de voto mantém-se acesa. A pausa para Conselho de Estado e a saúde mereceram críticas dos vários candidatos.

A pouco mais de uma semana das eleições presidenciais, o sexto dia de campanha fica marcado pela interrupção para a presença de dois candidatos no Conselho de Estado. Sem tantas preocupações de agenda, o candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, apelou à concentração de votos e recebeu várias ‘palmadinhas nas costas’ de um ex-líder social-democrata, horas depois de ter pedido aos portugueses uma “oportunidade” para ser Chefe de Estado.

“Eu nunca tive a oportunidade de servir num alto cargo da nação para mostrar aquilo que sou capaz de trabalhar para oferecer a este país. Estou convencido, estou convicto, estou mesmo seguro de que vai ser desta vez”, afirmou Seguro, ao lado do autarca de Gavião. Embora tivesse sido mais a norte que recebeu valiosos elogios (ver “A Figura”).

A marcação de um Conselho de Estado em plena campanha para Belém foi motivo de crítica pelos candidatos de diferentes cores políticas. António Filipe considerou “questionável” e “discutível” a data da reunião do órgão político de consulta do Presidente da República até por “alguma interferência na campanha eleitoral”, embora reconheça a pertinência dos temas Venezuela e Ucrânia e não ponha em causa a “legitimidade constitucional” para Marcelo Rebelo de Sousa avançar com esta convocação.

“Creio que, de facto, a oportunidade é discutível. Porque não deixa de ter alguma interferência na campanha eleitoral, na medida em que há dois candidatos que são membros do Conselho de Estado”, afirmou António Filipe, após um encontro com trabalhadores da Cultura, em Lisboa.

Uma visão partilhada por André Ventura precisamente antes de entrar para esse Conselho de Estado. “Certamente vou dar nota de duas coisas: da inoportunidade que um Conselho de Estado no meio de uma eleição presidencial, que não tem uma justificação, a que não seja colocar o Presidente da República em exercício no centro do debate político. E, obviamente, que vou dizer a Marcelo Rebelo de Sousa que aquilo que aconteceu nos últimos dias em Portugal, em termos de saúde, mereceria uma ação firme do Presidente da República”, referiu o candidato apoiado pelo Chega, remetendo para a situação do INEM, durante uma arruada em Sobral de Monte Agraço.

O candidato às eleições presidenciais António Filipe cumprimenta o escritor Rui Zink, momentos antes do encontro com trabalhadores e agentes da Cultura, no Espaço Escola de Mulheres (Clube Estefânia), em Lisboa. © LusaMARCOS BORGA/LUSA

Já o candidato Jorge Pinto, que tem estado sob pressão depois do debate a 11, quis focar-se na sua campanha para mostrar que está (mesmo) de pé. O candidato apoiado pelo Livre, e o mais novo, deixou a garantia que a única aliança que se compromete a fazer é com os portugueses, argumentando que não está na campanha para propor aliar-se ao Governo, como Cotrim Figueiredo: “Eu não estou na campanha para ser aliado de quem quer que seja. Estou na campanha apenas para ser aliado dos portugueses e para lhes dizer que, comigo na Presidência da República, a minha única aliança é para com os portugueses”.

Por sua vez, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, não fez eco ao ataque e optou por responder às recentes críticas de Luís Marques Mendes, considerando que significam preocupação pela sua subida nas sondagens, e lançou novas farpas sobre Pedro Passos Coelho, que ainda não ter manifestado publicamente apoio a nenhum dos candidatos na corrida a Belém.

“A ausência de apoio de alguém que foi presidente do PSD é em si própria uma manifestação de vontade”, disse o liberal, já sem esperança de que esse apoio venha para si, durante uma visita à empresa Kayaks de Vila do Conde.

A mais recente tracking poll da CNN Portugal mantém André Ventura na liderança das intenções de voto com 20,5%, ultrapassando os 19,7% de Seguro, que está cada vez mais colado a Cotrim (19,2%). A sondagem diária, que tem baralhado as contas desta campanha, dá 17,2% das intenções de voto a Gouveia e Melo e o ‘quinto lugar’ a Luís Marques Mendes com 16,8%, o que significa que recuperou algum terreno.

O candidato à Presidência da República, André Ventura, durante um contacto com a população de Sobral de Monte Agraço, a 9 de janeiro de 2026 © Tiago Petinga / LusaTIAGO PETINGA/LUSA

Tema quente

Saúde

A saúde voltou a dominar os comentários dos candidatos, como tem vindo a acontecer nos últimos dias devido às mortes de doentes que aguardam a chegada de ambulâncias. Luís Marques Mendes considera que o setor “está demasiado politizado, há demasiada guerra política em torno da área da saúde, e portanto isto é um pingue-pongue, Governo de um lado, oposição de outro.

“Com toda a franqueza do mundo, assim não se vai resolver problema nenhum da saúde, ninguém está a dar nenhuma solução”, lamentou o candidato apoiado pelo PSD.

O candidato à Presidência da República, Luís Marques Mendes pratica boxe durante uma visita a um lar em Cascais a 9 de janeiro de 2026. © Miguel A. Lopes / LusaMIGUEL A. LOPES/LUSA

A candidata presidencial Catarina Martins defendeu a intervenção do Presidente da República junto do primeiro-ministro para afastar a ministra da Saúde, considerando um erro esperar pela eleição do novo chefe de Estado. “Se Ana Paula Martins não pede para sair e não quer sair, o melhor é o Presidente da República chamar o primeiro-ministro e dizer que ela tem mesmo de sair e que a política tem de ser outra”, defendeu, em declarações à imprensa na Escola Básica Nuno Gonçalves.

João Cotrim Figueiredo, que hoje voltou a tentar caçar eleitorado sénior nos lares, escreveu uma carta ao primeiro-ministro para alertar para três áreas críticas onde vê urgência em avançar com “reformas profundas” e nas quais a magistratura de influência do Presidente da República “será decisiva para consciencializar o país”: saúde, economia e Segurança Social.

“Se o Governo estiver determinado a implementar reformas profundas e corajosas, nomeadamente nestas três áreas, contará com a minha ajuda enquanto Presidente da República. Terá em mim, como já tive oportunidade de afirmar publicamente, um parceiro e o devido respaldo político”, lê-se na missiva enviada a Luís Montenegro.

A Figura

Convenção da Aliança Democrática - 21JAN24

Santana Lopes

Como “homem livre” que o presidente da Câmara da Figueira da Foz garante ser, Pedro Santana Lopes aproveitou a passagem de Seguro pela cidade das Beiras para tecer um alargado conjunto de elogios ao candidato presidencial apoiado pelo PS. O edil que foi apoiado pelo CDS-PP e pelo PSD nas últimas autárquicas – pela primeira vez desde que havia saído do partido em 2018 – não se poupou nas palavras de apoio ao socialista.

É uma pessoa que oferece todas as garantias de idoneidade para poder exercer as mais altas funções e idoneidade inclui competência“, afirmou aos jornalistas. O ex-líder social-democrata caracterizou Seguro como “democrata convicto” e “homem sério” e lembrou o seu contributo para a reforma do Regimento da Assembleia da República, portanto “a Presidência da República ficará bem entregue” se ganhar, mas deixou claro “que não se trata de dar apoio oficial”, porque o voto é “só para a semana”.

O número

Mais eleitores e cerca de 218 mil inscritos para voto antecipado

Mais de 218 mil eleitores inscreveram-se para votarem antecipadamente em mobilidade no domingo, dia 11 de janeiro, para as eleições presidenciais. Até às 23h59 desta quinta-feira, havia 218.481 inscrições, segundo os dados do Governo enviados ao jornal Público.

Destaque ainda para o número de eleitores recenseados para as eleições de 18 de janeiro: 11.039.672. Há mais 174.662 votantes do que nas presidenciais de 2021, de acordo com a atualização final do recenseamento eleitoral publicado pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna. Dos mais de 11 milhões de eleitores, 1.777.019 votam no estrangeiro, sobretudo na Europa.

A frase

"Não é com a dimensão pequenina com que estão a concorrer – e estão todos preocupados. Se não fossem os partidos, não chegavam lá, porque não têm valor intrínseco. Se tivessem valor intrínseco, não precisavam do partido para nada.”

Henrique Gouveia e Melo

Candidato presidencial

Norte-Sul

Depois do Conselho de Estado, que obrigou Luís Marques Mendes e André Ventura a ficarem apenas pelo distrito de Lisboa, em Alcabideche e no Sobral de Monte Agraço, respetivamente, os candidatos apoiados pelo PSD e pelo Chega rumam a norte no sétimo dia oficial de campanha das presidenciais.

André Ventura desloca-se à Guarda, embora antes visite o mercado de Portalegre. Luís Marques Mendes passará a manhã de sábado em Viana do Castelo, almoça com apoiantes em Vila Verde (Braga) antes de seguir para Guimarães e termina o dia nas Festas de São Gonçalinho, em Aveiro, por onde também passaram Henrique Gouveia e Melo e João Cotrim Figueiredo esta sexta-feira.

Cotrim vai às Caldas da Rainha visitar a praça da fruta de manhã e arranca para o comício em Lisboa, onde assistirá, mais tarde, ao espetáculo Our Stories da Lisbon Film Orchestra.

É pela mesma praça caldense que andará Jorge Pinto durante a manhã em contactos com a população, antes de prosseguir o programa de campanha com uma reunião na Inpulsar – Associação para o Desenvolvimento Comunitário, em Leiria, seguindo-se uma homenagem a Salgueiro Maia, já por Santarém. A escolha para jantar comício recaiu sobre a Academia Almadense, em Almada.

Henrique Gouveia Melo começa o sábado em Matosinhos, na Feira da Senhora da Hora às 10h00, depois tem um almoço em Famalicão e o jantar será em Penafiel. Pelo distrito do Porto andará também António Filipe, cuja agenda se divide entre Ermesinde, onde vai visitar o clube desportivo CPN, e Vila Nova de Gaia, o local do comício (Espaço Herança Magna).

A escolha de António José Seguro para este sábado recaiu sobre o mercado de Braga, Guimarães, Celorico de Basto e, por fim, Matosinhos. Por sua vez, Catarina Martins faz a campanha no distrito de Lisboa e almoça na cantina do Instituto Superior Técnico.

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