PwC Portugal vê “oportunidade” nos criptoativos perante contexto global

A cautela deu lugar a um “forte investimento” da PwC Portugal em serviços ligados aos criptoativos, com a postura da Administração Trump sobre este mercado a acelerar o crescimento do setor.

Depois de anos a adotar uma abordagem cautelosa em relação aos criptoativos, as big four começam a olhar para este mercado como uma oportunidade de crescimento do negócio, tanto lá fora como por cá. É o caso da PwC Portugal que está a “investir fortemente” em serviços de auditoria, consultoria e assurance especializados nestes ativos digitais, aproveitando a onda de aceitação deste mercado que se vive nos EUA e que poderá, aponta a consultora, fazer acelerar o crescimento do setor na Europa, com benefícios para Portugal.

A postura da Administração Trump relativamente aos criptoativos, colocando-os entre as prioridades políticas, está a mudar a forma como as grandes auditoras e consultoras olham para estes ativos. A mudança de estratégia começou no ano passado depois de reguladores e o Congresso norte-americanos terem aprovado novas leis para regular estes ativos digitais, nomeadamente as chamadas stablecoins, “criando uma maior confiança em torno dos investimentos nesta classe de ativos”, refere Paul Griggs, CEO da PwC nos EUA, numa entrevista ao Financial Times (acesso pago). “A tokenização das coisas vai certamente continuar a evoluir também” e a “PwC tem de estar neste ecossistema”, frisa.

Esta visão não se limita ao outro lado do Atlântico. A PwC Portugal vê também uma oportunidade neste mercado. “Na PwC Portugal vemos o contexto global como uma oportunidade para o ecossistema cripto”, afirma ao EContas Rodrigo Domingues, partner da PwC, explicando que o “aumento da maturidade do mercado, impulsionado por desenvolvimentos como a evolução do enquadramento regulatório, reforça a procura por serviços de auditoria, consultoria e assurance especializados em blockchain e criptoativos”.

Áreas nas quais a consultora tem “investido fortemente, com ferramentas e equipas dedicadas para apoiar clientes nesta jornada”. O partner da PwC acredita “que esta convergência regulatória global irá acelerar o crescimento responsável do setor na Europa, e Portugal pode beneficiar, posicionando-se como um hub inovador e atrativo para projetos da Web3”.

Rodrigo Domingues detalha ainda que esta big four oferece “um amplo leque de serviços relacionados com ativos digitais e tem trabalhado com clientes nesta matéria há muitos anos”, continuando “empenhados em apoiar e aconselhar clientes em todo o mundo, à medida que o ecossistema digital e o enquadramento regulatório continuam a evoluir”. Questionadas sobre o maior interesse neste mercado, as restantes big four em Portugal – Deloitte, EY e KPMG – não quiseram comentar. Lá fora, esta aposta já é clara.

O Financial Times adianta que, além da PwC, que tem estado a auditar clientes deste mercado, como é o caso da empresa de mineração de bitcoins Mara Holdings, e a prestar aconselhamento fiscal associado a estes ativos, as outras grandes consultoras estão igualmente a oferecer serviços ligados aos ativos digitais nos EUA. A Deloitte, que audita a Coinbase desde 2020, publicou o seu primeiro “roteiro para ativos digitais” em maio do ano passado. Já a KPMG mudou a forma de olhar para estes ativos, começando a promover os seus serviços de aconselhamento e gestão de risco em torno dos criptoativos.

Uma aposta que está a obrigar as auditoras a reforçar a sua capacidade de responder a estas novas exigências. Paul Griggs, CEO da PwC nos EUA, refere que a empresa teve de procurar recursos externos para fortalecer a sua expertise em criptomoedas. “Nunca nos envolveremos num negócio para o qual não estejamos preparados”, garante o responsável ao Financial Times, explicando que “nos últimos 10 a 12 meses, à medida que assumimos mais oportunidades no setor dos ativos digitais, reforçámos a nossa equipa, tanto interna como externamente”.

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