Cotrim escreve a Montenegro a pedir apoio do PSD
Cotrim apela ao voto do PSD, citando palavras do próprio Montenegro sobre a necessidade de não dispersar votos, reforçando o apelo à unidade em torno da sua proposta.
João Cotrim de Figueiredo pediu a Luís Montenegro que retire o apoio a Luís Marques Mendes e declare apoio à sua candidatura, com o objetivo de evitar a eleição de António José Seguro, pelo PS, ou de André Ventura, pelo Chega. Numa carta enviada horas depois de serem conhecidos os resultados da sondagem da Católica para a RTP e o Público, o liberal sublinha que, a quatro dias das eleições, é fundamental “não dispersar votos”.
“Estamos a quatro dias das eleições presidenciais. Os últimos dias mostram — e os estudos de opinião confirmam — que estamos agora numa corrida a três para a segunda volta do sufrágio. Com sentido de responsabilidade, e sem querer menorizar a candidatura apoiada pelo partido liderado por V. Exa., assim como pelo CDS-PP, venho hoje apelar ao voto do PSD na minha candidatura à Presidência da República.” É assim que Cotrim de Figueiredo arranca a missiva para Montenegro, na qualidade de presidente do PSD.
“Exorto-o a fazê-lo por estar certo de que, tal como eu, não deseja ver o candidato do Partido Socialista nem o candidato do Partido Chega no Palácio de Belém. A minha candidatura é, hoje, a única capaz de impedir esse cenário”, sublinha Cotrim usando como base os resultados da sondagem da RTP que o coloca em terceiro lugar, com 19% das intenções de voto, à frente de Marques Mendes, que soma 14%.
Na carta, enviada às redações, Cotrim apela ao voto do PSD na sua candidatura, citando palavras do próprio Montenegro sobre a necessidade de não dispersar votos, reforçando o seu apelo à unidade em torno da sua proposta. “Como V. Exa. afirmou na passada semana, «não podemos cair na armadilha de dispersar votos e ficarmos amarrados a não termos escolhas boas na segunda volta». Não poderia estar mais de acordo consigo. Está na hora de tomar a decisão consequente com as suas próprias palavras”, escreveu o liberal recordando que nas eleições autárquicas, em outubro, não hesitou em apoiar as candidaturas de Pedro Duarte, no Porto, e de Carlos Moedas, em Lisboa. “Fi-lo por acreditar que era o melhor para os dois municípios em apreço e para as respetivas populações. Fi-lo, portanto, por considerar tratar-se do melhor para Portugal. Confiei no PSD”, escreveu.
As sondagens dão Cotrim de Figueiredo numa tendência sistemática de subida, mas ainda não mediram os efeitos do facto de uma antiga assessora do grupo parlamentar ter acusado Cotrim de Figueiredo de assédio sexual numa publicação nas redes sociais. Uma acusação que o próprio repudiou, ameaçando com um processo por difamação e que levou 30 mulheres que trabalharam diretamente com Cotrim de Figueiredo a assinarem um manifesto no qual garantem não ter “vivenciado ou presenciado comportamentos inadequados por parte do candidato presidencial”.
Apoiantes do candidato estranharam o timing da denúncia de assédio, mas as alegações de que Inês Bichão terá sido vítima de assédio sexual por João Cotrim de Figueiredo eram conhecidas na Iniciativa Liberal há cerca de dois anos, como avançou o Observador e confirmou o Correio da Manhã.
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