Corina Machado confia numa “transição pacífica” de poder na Venezuela

  • Lusa
  • 19:26

Machado afirmou que Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, é "a principal aliada e representante dos regimes russo, chinês e iraniano".

A líder da oposição venezuelana e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado, disse esta sexta-feira estar convencida de que haverá uma “transição pacífica” de poder no seu país. “Estou profundamente convencida de que teremos uma transição pacífica. Estamos a passar por uma fase complexa. Neste momento, estão a fazer parte do trabalho sujo”, declarou Machado numa conferência de imprensa em Washington.

As declarações surgem um dia depois de a líder da oposição se ter reunido com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, no primeiro encontro entre ambos, ocorrido menos de duas semanas após a operação norte-americana que levou à deposição e sequestro de Nicolás Maduro em Caracas.

Machado afirmou que Delcy Rodríguez, que foi vice-presidente durante a vigência de Maduro, é “a principal aliada e representante dos regimes russo, chinês e iraniano”, mas não representa a vontade do povo venezuelano. María Corina disse que a Presidente interina não tem qualquer acordo com Donald Trump e limita-se a seguir as “ordens” e “tem medo” do Presidente dos EUA.

Para Machado, a operação norte-americana, de 3 de janeiro, para depor e capturar o então Presidente Nicolás Maduro mostrou que “tinha de haver uma ameaça real, uma força real” para promover mudanças na Venezuela. A administração dos EUA excluiu Machado do processo de transição por enquanto, considerando que a líder opositora não tem apoio suficiente para assumir o poder na Venezuela, e optou por trabalhar com o governo de Rodríguez, que, segundo Trump, está sob a sua tutela.

Para a Nobel da Paz, o processo de transição resultará “numa Venezuela orgulhosa que se tornará a melhor aliada que os Estados Unidos já tiveram”. Durante o encontro privado com Trump, Corina Machado ofereceu ao Presidente norte-americano a medalha do Prémio Nobel da Paz que recebeu em outubro, explicando que o gesto foi uma forma de “gratidão” pela posição assumida por Washington em relação à Venezuela.

“Enfrentamos agora um processo muito complexo e delicado e, como venezuelanos, estamos profundamente gratos ao Presidente Trump, à sua equipa, ao seu Governo e ao povo dos Estados Unidos, porque foi preciso muita coragem para fazer o que ele fez”, afirmou a opositora.

“A Venezuela será livre, e isso será conseguido com o apoio do povo dos Estados Unidos e do Presidente Donald Trump”, acrescentou a ativista, que procura manter-se como uma das principais vozes do processo de transição democrática no país.

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