DBRS mantém inalterado rating de Portugal
A agência canadiana acredita que "a manutenção de excedentes orçamentais tornar-se-á provavelmente cada vez mais difícil", com os cortes fiscais anunciados pelo governo e a pressão sobre a despesa.
A agência canadiana DBRS voltou, esta sexta-feira, a não tocar no rating de Portugal. Há um ano, em janeiro, a DBRS tinha subido a notação da dívida soberana para ‘A elevado’, com perspetiva estável, e manteve a nota inalterada na revisão de julho.
“Portugal está a caminho de registar um excedente orçamental em 2025, pelo terceiro ano consecutivo, e o governo projeta um pequeno excedente para 2026”, sublinha a agência, na nota em que justifica a decisão. Para este ano, o executivo de Luís Montenegro aponta para um “excedente orçamental de 0,1% do PIB”, inferior aos 0,3% antecipados para 2025.
Esta trajetória faz a agência acreditar que “a manutenção de excedentes orçamentais tornar-se-á provavelmente cada vez mais difícil”, tendo em conta as “pressões crescentes sobre as despesas e os cortes fiscais” anunciados pelo Governo. Os principais “riscos” podem resultar de “surpresas negativas na atividade económica ou no emprego” ou, ainda, “da materialização de passivos contingentes associados a empresas públicas ou a parcerias público-privadas”, ligadas por exemplo à alta velocidade Porto-Lisboa.
A agência destaca também que os problemas de acesso à habitação no país podem “pressionar a competitividade e limitar o crescimento ao longo do tempo”.
A DBRS nota, no entanto, que a atual situação orçamental de Portugal e a “dinâmica favorável” da dívida atenuam os riscos decorrentes de uma deterioração limitada do saldo orçamental ao longo do tempo. Para este ano, a dívida deve descer para 87,8% do PIB, menos que os 90,2% do PIB que devem ter sido registados, segundo o Governo, em 2025.
“Após uma queda acentuada nos últimos anos, prevê-se que o rácio da dívida pública desça abaixo dos 90% do PIB e abaixo do nível da Zona Euro pela primeira vez desde 2004, em 2026”, refere. A agência destacou também o “sólido” desempenho económico e orçamental de Portugal em 2025, apesar de um “ambiente externo desafiante e incerto”.
“As perspetivas económicas de médio prazo para Portugal deverão permanecer favoráveis, apoiadas por um mercado de trabalho forte, uma política monetária menos restritiva e a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”, lê-se na nota da agência. A DBRS sublinha ainda que o “forte” desempenho orçamental de Portugal desde 2016 e um sistema bancário “saudável” após anos de reestruturação também sustentam a notação do país.
Alerta que entre as principais vulnerabilidades está o elevado nível da dívida pública, a elevada dívida externa e o potencial de crescimento económico relativamente baixo. Contudo, assume que as preocupações com as finanças públicas e os desequilíbrios externos diminuíram significativamente na última década e, “a menos que ocorram choques adicionais”, espera que estas tendências se mantenham.
No balanço de 2025, Portugal consolidou a nota ‘A’ do país nos mercados internacionais. Só a agência Moody’s decidiu não mexer nem na classificação, nem no outlook. Já a Fitch reviu em alta, em setembro, para ‘A’ e a Standard & Poor’s (S&P) decidiu subir, duas vezes, a notação da dívida soberana: primeiro em fevereiro, de ‘A-‘ para ‘A’, e depois para ‘A+’ no fim de agosto.
(Notícia atualizada às 21h21)
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