Abstenção nas presidenciais cai para 47,6%. Melhor desde a eleição de Cavaco em 2006
Projeções da abstenção nas presidenciais deste domingo variavam entre 35 e 43%. Valor acabou por ser mais elevado (47,65%). Há 20 anos que participação não era tão elevada.
A taxa de abstenção nas eleições presidenciais deste domingo foi de 47,65%, o que compara com uma taxa de abstenção de 60,76%, nas eleições de 2021. É a taxa mais baixa desde as eleições de 2006, ano em que ficou nos 38,5%, mas ainda assim acima das projeções à boca das urnas.
A sondagem da Católica para a RTP apontava para uma taxa de abstenção entre os 37 e os 43%, e a sondagem da Pitagórica para a CNN e SIC definia um intervalo entre 35,6 e 40,6%, às 19h00, depois de encerradas as urnas no Continente e na Madeira. Mas o resultado, apesar de não ser o final porque ainda faltavam apurar sete consulados (0,21% dos votos), superou o limite superior do intervalo, ficando nos 47,65%
Ao longo do dia já era claro que a abstenção iria cair. Nos vários pontos de aferição da afluência às urnas a tendência estava traçada: até às 12h00, a afluência estava nos 21,18%, segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, que comparam com os 17,07%, de 24 de janeiro de 2021. Já às 16h00 a afluência estava nos 45,51% contra os 35,44% das eleições realizadas em ano de pandemia, o que representou uma subida de 10,07 pontos percentuais.
Nas presidenciais de 2021, da reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, a taxa de abstenção atingiu os 60,76%, o que representou uma subida face aos 51,3% de 2016. Marcelo conseguiu, na sua primeira ida presidencial a votos, mobilizar mais eleitores a ir às urnas, já que na reeleição de Cavaco Silva a taxa de abstenção se situou nos 53,5%, um salto de 14 pontos percetuais face às eleições de 2006. Historicamente, os atos eleitorais que se traduziram numa reeleição apresentaram sempre taxas de abstenção mais elevadas – Jorge Sampaio registou um aumento de 16 pontos percentuais (de 33,6% em 1996 para 50% em 2001) e Mário Soares de 16,2 pontos percentuais (de 21,8% em 1986 para 38% cinco anos depois). A contrariar esta tendência só mesmo o primeiro Chefe de Estado em democracia. As presidenciais de 1976, que deram a vitória ao General Ramalho Eanes, tiveram uma taxa de abstenção de 24,6% que caiu para 15,8% nas eleições de 1980.
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Mais de 11 milhões de eleitores foram chamados a escolher o novo Presidente da República, que irá suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, que atingiu o limite de mandatos, sendo 11 os candidatos aceites, um número recorde.
Nenhum candidato obteve mais de metade dos votos validamente expressos, por isso, daqui a três semanas haverá uma segunda volta, a 8 de fevereiro, com o socialista António José Seguro (31,11%) e o líder do Chega, André Ventura (23,52%).
Votos nulos superaram votos em branco
Por outro lado, pela primeira vez em presidenciais desde o 25 de Abril, o voto nulo superou o voto em branco, numas eleições em que os boletins tiveram o maior número de candidatos de sempre e três nomes que não foram aprovados.
No território nacional, registaram-se 65.381 votos nulos e 61.226 votos em branco, que correspondem a um aumento de 64,05% e 30,65%, respetivamente, em relação às eleições de 2021, ano da reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa.
Nas eleições de 2021, havia sete candidatos (os mesmos que constavam nos boletins de voto) e, no território nacional, os votos nulos representaram 0,94% (39.854 votos), enquanto os brancos foram 1,1% (46.862).
Numa verificação das restantes eleições presidenciais, sempre que os votos inválidos eram distinguidos entre votos brancos e nulos, os primeiros foram sempre superiores aos segundos.
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