IPO do banco do BPI em Angola dá ‘jackpot’ de 5,5 milhões a administradores e diretores

Altos quadros do BFA, incluindo o CEO, tiveram um autêntico ‘jackpot’ com o IPO do banco realizado há quatro meses. Participação do BPI no banco angolano também valoriza.

Nas últimas semanas, vários altos responsáveis do Banco de Fomento Angola (BFA), do qual o BPI é acionista de referência juntamente com o Estado angolano, venderam ações do banco por mais de 9,3 milhões de euros, de acordo com o levantamento feito pelo ECO com base nas informações que prestaram ao regulador do mercado.

Em relação ao preço a que as ações foram vendidas no IPO, concluído em setembro do ano passado, estas operações representaram uma mais-valia de 5,5 milhões de euros para estes dirigentes, um verdadeiro ‘jackpot’ que reflete o disparo das ações do banco assim que passaram a negociar na bolsa de Luanda.

O BFA vendeu cerca de 30% do capital por 49.500 kwanzas por ação (cerca de 46 euros) naquele que foi o maior IPO do mercado de capitais angolanos. Cada título estava a transacionar nos 105.000 kwanzas na praça angolana na passada sexta-feira, ou seja, mais do que duplicando em relação à entrada na bolsa.

Entre os 15 responsáveis que têm vindo a vender ações do BFA estão o CEO do banco, Luís Roberto Gonçalves, e administradores executivos e não executivos e ainda vários diretores do banco angolano, que já alienaram perto de 83 mil títulos, correspondendo a 1,8% do capital disperso no mercado.

No âmbito do IPO, um lote de 5% das ações vendidas pelo Estado angolano (via Unitel) e pelo BPI foi disponibilizado junto dos trabalhadores do BFA e o restante para o público em geral.

Administrador com ganho de 3,5 milhões

Luís Roberto Gonçalves, que lidera o BFA desde 2020, encaixou pouco mais de 20 mil euros com a venda de apenas 176 ações, operação que gerou uma mais-valia na ordem dos 12 mil euros. Ainda detém uma participação de 0,0214%. Mas está longe de ser o responsável do banco com o maior encaixe.

O ‘campeão’ das vendas foi o administrador executivo Paulo Silva, que vendeu perto de 70 mil títulos do BFA por 7,9 milhões de euros em duas operações realizadas em dezembro. Com isso teve uma mais-valia global de 3,5 milhões.

Segue-se Jorge Nascimento, também ele administrador executivo, que recebeu mais de 650 mil euros com a alienação de mais de 6.000 ações e um ganho de 300 mil.

Outros administradores, entre executivos e não executivos, e diretores de departamentos desde Marketing aos Sistemas de Informação, e outros dirigentes, também fizeram operações na casa dos milhares de euros e com mais-valias.

Participação do BPI valoriza

Nesta operação, através da qual o BFA recebeu cerca de 8.500 novos acionistas, entre investidores particulares, empresas e institucionais, os angolanos encaixaram cerca de 107 milhões com a venda de 15%, enquanto o banco português vendeu uma participação de 14,75% por cerca de 103 milhões de euros.

Os dois maiores acionistas ainda detêm posições de 36,9% e 33,35%, respetivamente, posições que valorizaram de forma expressiva com a entrada em bolsa. No caso do BPI, tem a sua participação (cujo interesse é apenas financeiro) avaliada em quase 500 milhões de euros a preços de mercado – quando no IPO esta participação estava avaliada em ‘apenas’ 232 milhões.

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