Operadoras bloqueiam site de apostas Polymarket após ordem do regulador
Vodafone confirma que já bloqueou o acesso ao site Polymarket, que permite apostar no vencedor das eleições para a Presidência da República. Regulador tinha ordenado encerramento por falta de licença.
- O site de apostas Polymarket foi bloqueado em Portugal pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos devido à falta de licença para operar.
- Segundo a própria Polymarket, são já 33 os países que atualmente apresentam restrições no acesso à plataforma.
- Embora o acesso ao site esteja restrito, os utilizadores ainda podem contornar o bloqueio através de VPN, mantendo a atividade de apostas, nomeadamente sobre as Presidenciais.
“O site a que pretende aceder encontra-se bloqueado na sequência do cumprimento de ordem judicial ou administrativa”. É esta uma das mensagens que surge agora quando se tenta aceder ao site de apostas Polymarket, a plataforma que movimentou 90 milhões de euros em apostas nas presidenciais.
O site já deixou de estar acessível em Portugal após o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), entidade reguladora do setor das apostas, ter ordenado esta segunda-feira o seu bloqueio por falta de licença para operar no país.
As operadoras de telecomunicações já ‘fecharam’ a linha. “A Vodafone Portugal confirma que, em cumprimento de ordem emitida pelo SRIJ, procedeu ao bloqueio de acesso ao site em causa na sua rede”, diz fonte oficial da operadora em declarações ao ECO. A Meo também: “Em cumprimento de ordem emitida pelo SRIJ, o domínio em causa está bloqueado desde ontem em todos os DNS geridos pela Meo”. A Nos indica que já bloqueou o acesso ao site polymarket.com “após ter sido notificada pelo SRIJ”.
Ainda assim, continua a ser possível aceder ao site Polymarket partir de Portugal, nomeadamente recorrendo a VPN (redes privadas virtuais), que escondem a localização real do utilizador e faz parecer que está noutro país.
Assim, é possível perceber, por exemplo, que se mantém a aposta relacionada com as eleições presidenciais e que acumula até ao momento um volume superior a 104 milhões de euros (122 milhões de dólares), atribuindo a José António Seguro uma probabilidade de 97% de se tornar o próximo Presidente da República nas eleições de 8 de fevereiro.
A quatro dias das eleições, quando o ECO publicou a notícia original, esta mesma aposta tinha movimentado 102 milhões de euros. Nesta aposta, António José Seguro seguia com uma probabilidade de 96,2% de vencer as eleições, enquanto André Ventura tem uma probabilidade de vencer de apenas 3,6%.
Segundo a própria Polymarket, são já 33 os países que atualmente apresentam restrições no acesso à plataforma, sob diferentes formatos.
A Polymarket, fundada em 2020 por Shayne Coplan, funciona como uma bolsa de apostas descentralizada baseada em blockchain através de um modelo peer-to-peer: os utilizadores compram e vendem posições entre si e não contra a plataforma como sucede nas tradicionais casas de apostas, com os apostadores a comprarem e venderem “ações” sobre eventos futuros usando a criptomoeda USDC, com preços que variam entre 0 e 1 dólar, refletindo a probabilidade atribuída a cada resultado.
O Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online (RJO), que entrou em vigor em junho de 2015, apenas autoriza apostas em três categorias expressamente previstas: desporto, casino e corridas de cavalos. Eventos políticos, como eleições, não estão incluídos neste leque, o que as torna expressamente ilegais para fins de apostas comerciais, como sucede com a Polymarket.
Segundo a própria Polymarket, são já 33 os países que atualmente apresentam restrições no acesso à plataforma, sob diferentes formatos, agregando países como Singapura, Bélgica, Itália, Ucrânia, Roménia e França.
Mas a Polymarket não está sozinha no mercado de previsões e de apostas sem licença envolvendo o mercado nacional. A sua principal concorrente, a Kalshi, também movimentou mais de um milhão de euros em apostas relacionadas com as presidenciais portuguesas até ao passado domingo. Apesar de também não ter licença, ainda é possível aceder a esta plataforma.
(notícia atualizadas às 16H17 com declarações da Meo e Nos)
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