Competitividade europeia dá primeiros sinais de recuperação, conclui Roland Berger
O European Future Readiness Index, divulgado pela consultora no Fórum Económico Mundial em Davos, indica sinais positivos no capital humano, sustentabilidade, resiliência, infraestruturas e inovação.
A Europa, que estava a perder competitividade desde a pandemia, dá os primeiros sinais de recuperação. É esta a principal conclusão do European Future Readiness Index elaborado pela consultora Roland Berger e apresentado esta quinta-feira durante a reunião do Fórum Económico Mundial em Davos.
Após cerca de três anos abaixo da média de competitividade, a Europa começou a dar sinais consistentes de recuperação no índice que analisa União Europeia, Noruega, Suíça e Reino Unido há últimas duas décadas. Cinco das seis dimensões em estudo – capital humano, sustentabilidade, resiliência, infraestruturas e digitalização/inovação – fixaram-se acima da tendência histórica.
“A Europa continua a apostar todas as fichas em ativos poderosos: talento excecional, uma indústria robusta e investigação de ponta. Com capital, regulamentação e estratégia industrial alinhadas, a competitividade renovada está ao nosso alcance”, garante o diretor do Instituto Roland Berger, David Born, no relatório.
Entre os sinais mais evidentes está o capital humano, que tem crescido de forma contínua desde 2018, impulsionado sobretudo pelo aumento do investimento público em educação. Esta tendência reflete-se no crescimento do número de diplomados do ensino superior e na maior presença de mulheres em cargos de liderança.
“A Europa tem dimensão económica, base industrial e capacidade institucional para recuperar competitividade. Os dados demonstram uma inversão da tendência negativa, embora a partir de um nível ainda insuficiente. Para consolidar esta evolução, é essencial manter o ritmo de reformas e investimento”, afirma Pedro Galhardas, senior partner e managing partner da Roland Berger em Portugal.

A sustentabilidade também demonstra uma evolução positiva, recuperando de um período de retração entre 2014 e 2021, acompanhando a retoma de políticas e investimentos relacionados com a transição climática.
Já a resiliência económica tem vindo a ser reforçada desde 2020 com o aumento da despesa em defesa e pela redução gradual do endividamento das empresas. Nota ainda para o índice de infraestruturas, fortemente penalizado pelo aumento dos preços da energia, que mostrou sinais de recuperação em 2024.
Porém, apesar de ligeiras melhorias, a digitalização e a inovação continuam a ser pontos críticos. Desde 2021 que o desempenho europeu nesta área tem vindo a deteriorar-se, registando apenas uma recuperação limitada em 2024, ainda a partir de níveis baixos. “Sem avanços significativos em inteligência artificial (IA), digitalização e patentes, a distância em relação aos Estados Unidos e à China tende a aumentar, comprometendo a competitividade futura do continente”, lê-se no documento.
No que diz respeito ao funcionamento das instituições, permanece especialmente sob pressão. Após um desempenho sólido em 2006, este indicador caiu acentuadamente em 2018, com a crise financeira global, tendo vindo a enfraquecer, penalizado pelo aumento da dívida pública e por um enquadramento regulatório cada vez mais complexo.
Ainda assim, o European Future Readiness Index teve “um claro ponto de inflexão” em 2024, até porque, após a Covid-19, os principais indicadores de competitividade apresentaram-se em declínio devido ao aumento dos preços da eletricidade, os crescentes rácios de dívida pública, uma “erosão gradual” da qualidade institucional e o enfraquecimento da capacidade estatal e da eficiência regulatória (governance).
“A competitividade europeia continua frágil, apesar dos sinais recentes de melhoria. Os desafios são significativos, mas podem ser superados com uma ação coordenada e decisiva, em particular na inteligência artificial, onde a Europa tem uma oportunidade clara para valorizar melhor os dados das empresas”, explica Pedro Galhardas.
Quais as prioridades para consolidar a recuperação da Europa?
- Simplificação regulatória e redução da burocracia, através de regras mais claras e processos mais ágeis que facilitem o investimento, a inovação e o crescimento económico.
- Aceleração da inovação e da transferência de conhecimento para o mercado, com foco na comercialização da investigação e em melhores condições de financiamento para startups e scale-ups.
- Reforço da autonomia financeira europeia, através da conclusão da união dos mercados de capitais e da mobilização de investimento privado em toda a Europa.
- Melhoria na utilização dos dados industriais, criando condições para um acesso estruturado a dados de elevada qualidade como base para acelerar a inovação em IA
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