Restaurantes tradicionais puxam insolvências para máximos de 2021

Insolvências na restauração subiram, em 2025, para os níveis registados na pandemia da covid-19, um aumento justificado pelas falências dos estabelecimentos tradicionais.

As insolvências no setor da restauração, que enfrenta uma crise devido à subida dos preços e aos custos associados às linhas de financiamento assumidas após a pandemia, subiram, em 2025, para os valores mais elevados desde 2021. A impulsionar as falências no setor estão os negócios tradicionais, que são responsáveis por mais de 45% das insolvências registadas no ano passado.

Segundo os dados da Iberinform, as insolvências no setor da restauração subiram 25% para 280 em 2025, face ao ano anterior. Trata-se do valor mais elevado desde 2021, ano marcado pela pandemia da covid-19, no qual faliram perto de três centenas de restaurantes.

Os restaurantes tradicionais justificam o forte aumento das insolvências. Apenas no ano passado, 127 restaurantes tradicionais tornaram-se insolventes, o que representa um aumento de 28% face ao número registado um ano antes. No caso particular destes estabelecimentos, 2025 é o pior ano desde 2016.

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Esta deterioração da situação financeira das empresas do setor da restauração é, segundo a AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal), o resultado de um conjunto de situações que está a pressionar as margens e a levar a “encerramentos silenciosos”.

A restauração tem vindo a atravessar um período de forte pressão, que tem comprometido a sustentabilidade de muitas empresas”, explicou Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, ao ECO. “As margens do setor estão extremamente comprimidas, o que é hoje o principal problema”, esclarece.

“As maiores dificuldades sentem-se no aumento dos custos das matérias-primas alimentares, energia, rendas, salários e encargos financeiros, que, em grande medida, têm sido absorvidos pelas próprias empresas, porque nem sempre é possível repercuti-los nos preços sem afastar consumidores”, detalha a secretária-geral da AHRESP.

Perante esta crise no setor, o ministro da Economia anunciou esta quarta-feira que os restaurantes vão ter um novo apoio para superar a crise. As unidades que têm dívidas ao Turismo de Portugal de linhas disponibilizadas na pandemia vão ter mais tempo para pagar esses financiamentos. Para quem tem dívidas à banca, o Turismo de Portugal vai assumir a responsabilidade pelo empréstimo, passando os restaurantes a pagar a esta entidade, mas com um prazo mais dilatado.

E há ainda um mecanismo de financiamento, que ao que o ECO apurou vai ser operacionalizado pelo próprio Turismo de Portugal e já não pelo Banco de Fomento como aconteceu com as linhas Covid, com um limite de 60 mil euros por empresa e a possibilidade de 30% do crédito concedido ser convertido num apoio a fundo perdido, caso sejam cumpridos determinados requisitos.

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