Exportações fecham 2025 a recuar, mas empresas contam este ano subir vendas em 5,1%
As vendas ao exterior recuaram nos últimos três meses do ano, de acordo com a estimativa rápida do INE. Depois de um ano negativo devido às tarifas, empresas já antecipam um aumento de 5,1% em 2026.
As exportações portuguesas deverão ter recuado 2,9% no quarto trimestre de 2025, em relação ao período homólogo, segundo uma estimativa rápida divulgada esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística. As importações também mostraram uma evolução negativa, com a estimativa rápida a apontar para uma quebra de 5,1% em termos nominais e homólogos. Depois de um ano negativo, as empresas apresentam previsões positivas para 2026.
“Quando excluídas as transações TTE, ou seja, as transações com vista a ou na sequência de trabalhos por encomenda (sem transferência de propriedade), estes decréscimos acentuam-se ligeiramente nas exportações (-3,6%) e atenuam-se nas importações (-4,1%)”, detalha o INE.

Em cadeia, regista-se uma evolução negativa em ambos os fluxos. A quebra das exportações de 2,9% compara com uma descida de 0,3%, no 3.º trimestre de 2025, num período em que as vendas ao exterior recuperaram, após a entrada em vigor do acordo comercial com os EUA. Já as importações tinham crescido 5,4% entre julho e setembro de 2025.
Empresas otimistas para 2026
Depois de um ano marcado pela imposição de novas taxas aduaneiras e pelas sucessivas ameaças de Washington sobre várias categorias de produtos, as empresas portuguesas apresentam uma visão de esperança para 2026, apontando para um aumento das exportações na ordem dos 5,1%, segundo mostra um inquérito realizado pelo INE, em novembro do ano passado.

“Por grandes categorias económicas, o maior acréscimo é esperado nas exportações de máquinas, outros bens de capital (+12,2%) e de produtos alimentares e bebidas (+8,1%)”, destaca o instituto, que explica que os resultados do inquérito devem ser interpretados como indicativos de tendências, uma vez que se baseiam nas perspetivas de crescimento reportadas pelas empresas no período de resposta.
O INE acrescenta, porém, que “estas perspetivas poderão refletir a incerteza associada à evolução do contexto económico internacional“. Um reflexo disso mesmo são os eventos que decorreram desde a realização do inquérito e que incluem a intervenção militar norte-americana na Venezuela, com os EUA a assumir o controlo do país, e as ameaças de novas tarifas a países europeus por parte dos EUA devido à Gronelândia, uma situação considerada “muito séria” pelos empresários portugueses.
“As expectativas das empresas para as suas exportações de bens em 2026 refletem um contexto complexo, marcado por fatores externos – nomeadamente ajustamentos ainda associados à incerteza em torno das tarifas dos Estados Unidos, que marcou o ano de 2025, entre outros – e por fatores internos, como decisões de investimento em capacidade produtiva, alterações estratégicas ou mudanças nos modelos de negócio”, refere o INE.
Segundo o instituto, “destas dinâmicas, resultam níveis diferenciados de otimismo entre setores, em parte determinados pela capacidade de adaptação das empresas às condições do mercado internacional”.
As empresas de média dimensão, que representam 26% do valor previsto das exportações para 2026, apresentam a expectativa de crescimento mais expressiva, antecipando um aumento das vendas ao exterior de 10,6%.
As empresas de maior dimensão, que concentram 67% do valor previsto para 2026, apontam para um aumento de 4,7%. “Por sua vez, as micro e pequenas empresas representam 30% das empresas comuns, mas apenas 7% do valor previsto para 2026, com uma expectativa de crescimento de 4,3%”, acrescenta o INE.
“Relativamente à integração em grupos económicos, as empresas pertencentes a grupos, que representam 55% das empresas comuns ao IPEB e ao SCIE, preveem um acréscimo de 5,9% nas exportações em 2026, concentrando 85% do valor previsto”, enquanto as empresas não integradas em grupos económicos, que correspondem a 45% das empresas comuns e 15% do valor previsto para 2026, antecipam um crescimento de 8,9%.
(Notícia atualizada)
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