Agroalimentar vê “rara oportunidade” no acordo da UE com Índia. Azeite é o grande beneficiário
Setor identifica grande potencial para aumentar as exportações para a Índia, que atualmente são "absolutamente residuais" devido às elevadas tarifas. Azeite tem "oportunidade como nunca teve".
O acordo comercial entre a União Europeia e a Índia representa uma “rara oportunidade” para aumentar as exportações do setor agroalimentar português, em particular do azeite. Para o representante do setor, “há condições absolutamente favoráveis para as exportações de azeite”, identificando neste pacto comercial “uma oportunidade como nunca teve”. A Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares – FIPA diz que “não se pode perder um minuto” e chama o Governo para mobilizar esforços na promoção e dinamização da indústria portuguesa.
O agroalimentar é um dos setores que ganha com o pacto comercial fechado com a Índia, prevendo a eliminação ou redução das taxas “proibitivas” a que estão sujeitos os produtos agroalimentares da União Europeia, que em média superam os 36%. No caso do vinho, as taxas serão reduzidas de 150% a 75% com a entrada em vigor do acordo, estando prevista a redução gradual para os 20%. No azeite, as tarifas baixam de 45% para 0% ao fim de cinco anos.
“O acordo com a Índia é um aspeto extremamente importante para Portugal. Para o setor agroalimentar e das bebidas é um aspeto decisivo para que as exportações possam fluir” para um mercado para o qual as exportações do setor se ficam por um milhão de euros, destaca Jorge Henriques, presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares – FIPA, ao ECO.
O azeite pode ter uma oportunidade como nunca teve. É um aspeto determinante e uma rara possibilidade de aumentar as exportações neste produto, mas temos de acrescentar marca.
As exportações para a Índia “são absolutamente residuais, sobretudo devido às tarifas sobre os produtos agroalimentares”, explica o líder da associação, notando que o setor não conseguia “ultrapassar os constrangimentos [deste mercado], com taxas aduaneiras de grande envergadura”.
“O azeite pode ter uma oportunidade como nunca teve”, defende Jorge Henriques, acrescentando que este acordo “é um aspeto determinante” e uma “rara possibilidade de aumentar as exportações neste produto, mas temos de acrescentar marca“.

O responsável destaca que “há condições absolutamente favoráveis para as exportações de azeite – a produção aumentou – mas uma parte significativa das exportações que faz são a granel para Espanha, que processa e acrescenta marca”. Para aumentar o valor das vendas portuguesas, o presidente da FIPA argumenta que é preciso mobilizar todos os elementos disponíveis para aumentar as exportações, chamando o Governo para esta missão.
“O ministério da Economia tem de arregaçar as mangas e colocar todas as infraestruturas que tem ao favor das exportações. É determinante para Portugal, não temos um minuto a perder”, atira. “Temos de mobilizar todas as infraestruturas para que o apoio à indústria agroalimentar seja efetivo”.
O ministério da Economia tem de arregaçar as mangas e colocar todas as infraestruturas que tem ao favor das exportações. É determinante para Portugal, não temos um minuto a perder. emos de mobilizar todas as infraestruturas para que o apoio à indústria agroalimentar seja efetivo
Para Jorge Henriques os esforços para promover o setor lá fora tem de juntar as várias tutelas, aliando a promoção externa à diplomacia económica, para que o país possa ganhar com a capacidade excedentária que tem em produtos como o azeite, vinhos, conservas, ou cervejas. “Temos de criar condições para que seja possível ampliar as exportações de Portugal“, argumenta.
Ainda sem dados finais de 2025, o presidente da FIPA estima um crescimento das exportações em volume, mas uma quebra em valor, devido à descida dos preços do azeite no ano passado. A indústria agroalimentar deverá, assim, ter fechado o último ano com uma quebra de 4,5% para cerca de 7,5 mil milhões. Apesar desta descida, o setor mantém a expectativa de alcançar exportações de 10 mil milhões já em 2030.
“É uma ambição que será atingida se houver uma conjugação de todos estes fenómenos: promoção externa e mobilizar a diplomacia económica”, aponta o representante do setor agroalimentar, acrescentando que identifica oportunidades também no acordo entre a UE e o Mercosul, caso o pacto seja aprovado. “Há inúmeras oportunidades“.
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