ECO da Campanha. E quase tudo o vento levou, menos os apoios ‘notáveis’ a Seguro
Seguro e Ventura digladiam-se sobre o eventual "aproveitamento político" da depressão Kristin que assola a zona Centro. Socialista colhe apoios de ex-Presidente da República e de antigo líder do PSD.
No segundo dia oficial de campanha para a segunda volta das presidenciais, as caravanas continuaram sem aquecer verdadeiramente os motores, novamente por culpa da depressão Kristin. Se António José Seguro, acabado de receber o apoio de Rui Rio, recusou fazer campanha com o tema, André Ventura não o largou com o argumento de que quer “estar ao lado das pessoas”, apelando até “a que todos os políticos com responsabilidade” o façam.
O candidato apoiado pelo Chega visitou o centro da cidade de Leiria para ver alguns dos estragos e pedir ao Governo para “agir rapidamente e com firmeza” de forma a “garantir que os apoios chegam” mesmo às pessoas e às empresas. “As responsabilidades certamente terão de ser apuradas, mas não é no dia de hoje. Hoje é a incredulidade de perceber porque é que as coisas falharam novamente num país que já passou tantas vezes por isto”, desabafou.

Naquilo que o ‘vento’ da tragédia, que assolou a região Centro, não arrastou, quase só restou o apelo matinal do candidato apoiado pelo PS num café de Almada para que, “faça sol ou faça chuva”, os eleitores votem a 8 de fevereiro ou em antecipação já no próximo domingo. E de visita à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, na Caparica, a frase de que “em princípio” é contra o descongelamento de propinas que o Governo queria fazer e que o Parlamento bloqueou na discussão do Orçamento do Estado.
Quem aproveitou a campanha para tentar comprometer o futuro chefe de Estado foi o presidente do Governo da Madeira (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, que desafiou os dois candidatos a assumirem posição relativamente às alterações ao regime de atribuição do subsídio social de mobilidade para os madeirenses e açorianos, que os insulares contestam pela obrigatoriedade de ausência de dívidas dos beneficiários ao Fisco e à Segurança Social.
Tema quente
“Aproveitamento político” da depressão

Os impactos da depressão Kristin no Centro do país contaminaram pelo segundo dia a campanha eleitoral, com os candidatos na corrida à segunda volta a digladiarem-se sobre o aproveitamento político da tragédia, seja pelas críticas à resposta do Governo, seja pela visita das caravanas às principais zonas afetadas pela tragédia.
De visita à Taipina Export, uma empresa de comercialização de frutas em Cantanhede, no distrito de Coimbra, André Ventura criticou o Governo por não ter decretado mais cedo a situação de calamidade e notou “um certo desaparecimento” de Marcelo Rebelo de Sousa, defendendo que “este é daqueles momentos em que os agentes políticos devem estar presentes”.
À tarde, André Ventura fez questão de agendar uma ação de campanha para a região de Leiria, argumentando que “é o papel e o trabalho dos candidatos presidenciais, do Governo, mostrar ao país liderança e proximidade em relação àquilo que aconteceu”. Assinalou mesmo que falhou “uma prevenção” para acautelar as falhas na rede elétrica e nas comunicações.
Já António José Seguro, que na véspera tinha visitado sozinho a região mais afetada, preferiu não criticar diretamente o Executivo ou o ainda Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recusando-se a fazer “qualquer aproveitamento político” da situação. O risco de cheias na bacia do Tejo obrigou o candidato apoiado pelo PS a cancelar o comício que tinha calendarizado para esta noite no Cine Teatro de Almeirim.
Figura
António Ramalho Eanes

O general António Ramalho Eanes, que na sequência das eleições em 1976 foi o primeiro Presidente da República democraticamente eleito após a Revolução de 25 de Abril de 1974, declarou esta quinta-feira apoio a António José Seguro, que recebeu no seu gabinete em Lisboa.
Numa nota à Lusa assinalou que “um candidato presidencial que, repetidamente, defende a importância da coesão da sociedade e a ‘dignidade’, num país ‘onde ninguém fique para trás’ – como António José Seguro tem referido – é, nitidamente, um português com o qual [tem] uma identificação no pensamento democrático”.
A “identificação no pensamento democrático”, justificou ainda o antigo chefe de Estado, é “mais aprofundada” pelo “entendimento partilhado sobre as competências e o exercício da função de Presidente da República”.
Frase
"Não quero um Presidente populista, um Presidente que não tem problemas nenhuns em mentir e em utilizar argumentos falaciosos para conseguir subir, utilizar demagogia, um Presidente do Tik-Tok.”
Número
37%
Quase quatro em cada dez potenciais votantes em António José Seguro na segunda volta vão fazê-lo para impedir André Ventura de chegar ao Palácio de Belém. Segundo os dados da tracking poll da Pitagórica para a TVI, CNN, JN e TSF, que mostra o candidato apoiado pelo PS à frente (59% vs. 28%), entre os que dizem que vão votar no também líder do Chega, 22% indica que é para não ter o antigo secretário-geral socialista como chefe de Estado.
Norte-Sul
Ao terceiro dia oficial de campanha eleitoral, as caravanas parece que vão finalmente começar a acelerar, depois do arranque brando na ressaca do frente-a-frente televisivo e do mau tempo no país.
António José Seguro vai começar o dia no Centro de Formação Profissional da Indústria do Calçado, em São João da Madeira. Depois do almoço, no concelho vizinho de Oliveira de Azeméis, visita a Simoldes Aço. E termina com um juntar na Quinta dos Compadres, em Viseu.
Já André Ventura vai estar ao final da manhã desta sexta-feira uma arruada em Espinho com início no Largo da Câmara Municipal. Da parte da tarde repete a iniciativa de contacto com a população na Póvoa de Varzim, já no distrito do Porto, a começar na Praça Marquês de Pombal.

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