Governo americano “encorajou” EDP a investir nas renováveis
O CEO da EDP revelou que esteve reunido com o secretário de Energia dos EUA, que encorajou a empresa a investir mais no país. Stilwell d'Andrade diz que procura e rentabilidade são elevadas.
No seu recente discurso em Davos, Donald Trump voltou a criticar a aposta na energia eólica, mas não foi isso que o CEO da EDP ouviu num recente encontro com o secretário da Energia dos EUA. Miguel Stilwell d’Andrade relatou numa conferência em Lisboa que Chris Wright incentivou a elétrica a reforçar o investimento nas renováveis.
“O secretário da Energia, Chris Wright, encorajou-nos a fazer investimentos no solar e baterias. Se não houver energia não será possível construir todos aqueles centros de dados. Ou então o preço tem de subir muito e o tema do afordabillity é sensível”, afirmou o CEO da EDP EDP 0,09% durante a Transatlantic Business Summit, organizada pela Amcham Portugal e que decorreu hoje em Lisboa.
O gestor afirma que há “um aumento de procura [por energia] muito grande” nos EUA, “muito levado pelo tema da inteligência artificial e do digital”, acrescentando que “não há muitas tecnologias disponíveis para fornecer essa energia”.
Miguel Stilwell d’Andrade referiu que, mesmo começando agora, não é possível ter uma central nuclear construída em menos de 10 anos – “pode resolver o problema mais a longo prazo”. Outra opção é o gás natural, mas a capacidade de produção de turbinas está esgotada, disse. “Vai fazer parte da matriz energética, mas vai ser necessário outras energias para compensar”, defendeu. É aí que entra a energia renovável.
Esta é uma das melhores alturas para investir nos EUA do ponto de vista da rentabilidade dos projetos e de procura das ‘big tech’.
Para o CEO da EDP, esta é mesmo “uma das melhores alturas para investir nos EUA do ponto de vista da rentabilidade dos projetos e de procura das big tech“.
Os Estados Unidos serão o destino da maior fatia dos 12 mil milhões de euros de investimento que a EDP tem planeados para o período entre 2026 e 2028. O país de Donald Trump receberá 4,2 mil milhões de euros, 35% do total.
Um valor ligeiramente superior à Península Ibérica, para onde a EDP canalizará 30% do montante, o correspondente a 3,6 mil milhões de euros – sendo que Portugal ‘fica’ com 2,5 mil milhões.
O CEO da EDP também se mostrou otimista em relação a Portugal. “No ano passado fomos dos países onde a procura por energia elétrica mais cresceu“, destacou, tendência que se irá manter com os grandes investimentos em centros de dados, nomeadamente com origem americana, como é o caso da StartCampus, “a virem para Portugal para aproveitar energia barata e limpa”.
Para já só estão asseguradas duas, mas se forem construídas as seis fases previstas para o projeto em Sines, será equivalente a 20% do consumo em Portugal. O que leva Stillwell d’Andrade a defender que “há uma oportunidade de investimento nas redes e na geração”.
O gestor apelou também a que se olhe para a política fiscal e industrial, que acaba por distorcer a competitividade europeia nas energias renováveis. “A Europa gosta muito de taxar tudo. Temos eletricidade barata e depois metemos impostos em cima disso“, disse Stilwell, assinalando que “na Península Ibérica temos um preço da energia mais baixo do que a média da União Europeia e bastante mais limpa”, com o peso das renováveis a superar os 60% em Portugal e os 50% em Espanha.
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