Greves diminuíram quase 24% em 2025, apesar de contestação em torno da lei do trabalho

Últimos meses de 2025 ficaram marcados por protestos contra revisão da lei do trabalho (incluindo uma greve geral da CGTP e UGT), mas, no conjunto do ano, número de pré-avisos baixou face a 2024.

Ainda que os últimos meses de 2025 tenham ficado marcados por vários protestos contra a revisão da lei do trabalho em curso — incluindo, a primeira greve geral conjunta da CGTP e da UGT em mais de uma década –, no conjunto do ano, o número de pré-avisos de greve diminuiu quase 24% face a 2024, de acordo com os dados publicados pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT). Este foi o segundo recuo anual consecutivo.

Segundo os dados agora conhecidos, em dezembro deram entrada 64 avisos prévios de greve, o que elevou o total anual para 839 pré-avisos de paralisação.

Em comparação, em 2024, tinham sido entregues 1.099 avisos prévios. Significa isto que 2025 foi sinónimo de um recuo de 23,7% das greves anunciadas, de acordo com as contas do ECO. Houve menos 260 paralisações a serem indicadas em 2025, do que em 2024.

É mesmo preciso recuar a 2020 para encontrar um total anual de pré-avisos de greve mais baixo do que o registado em 2025, sendo que nesse ano — o primeiro da pandemia de Covid-19 — o recurso às paralisações caiu significativamente por efeito das restrições impostas à atividade e à mobilidade para tentar conter a propagação do vírus.

Este foi o segundo recuo do total anual de pré-avisos de greve

Este recuo das greves registado no conjunto de 2025 contrasta, contudo, com a contestação social verificada no final do ano. Aliás, em dezembro, a CGTP e a UGT consensualizaram uma greve geral (a primeira desde 2013) contra a revisão da lei do trabalho, que as centrais sindicais garantem ter tido a adesão de cerca de três milhões de trabalhadores. O Governo tem, no entanto, desvalorizado essa contabilização, referindo que a adesão no setor privado foi “residual”.

Por outro lado, há que lembrar que, à semelhança do que aconteceu em 2024, o Governo aproveitou 2025 para fazer vários acordos na Função Pública, incluindo um entendimento assinado no fim do ano que garantiu aumentos salariais de 56,48 euros ou 2,15% e uma subida do subsídio de refeição. Estes acordos têm sido apontados pelos politólogos como uma das razões para a diminuição das greves face ao registado nos últimos anos do Governo de António Costa.

Setores com mais greves

Apesar de já ser conhecido o total de pré-avisos de greve entregues em 2025, a DGERT ainda não publicou a síntese anual que permite perceber, no conjunto do ano, que setores foram mais afetados pelas paralisações.

Ainda assim, é possível adiantar que, em dezembro, 22% das greves tiveram lugar nos transportes e armazenagem e 20% nas indústrias transformadoras, setores que já tinham sido os “campeões” das paralisações no mês anterior. Há ainda a destacar o setor das atividades administrativas e dos serviços de apoio (20%).

Por outro lado, vale a pena realçar que, do total de greves anunciadas em 2025 (as tais 839), 178 deram lugar a serviços mínimos. Em 2024, das 1.099 paralisações registadas, 192 tinham tido serviços mínimos.

Os serviços mínimos nas greves foram, de resto, outro dos temas “quentes” do mercado de trabalho em 2025, com o Governo a defender que é preciso equilibrar a relação do direito à greve com os demais direitos, isto é, reforçar os serviços mínimos para proteger, nomeadamente, o direito ao transporte e ao trabalho.

Os sindicatos contestam-no, mas os empresários defendem que é possível até ir mais longe do que o que o Governo pôs em cima da mesa.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Greves diminuíram quase 24% em 2025, apesar de contestação em torno da lei do trabalho

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião