Von der Leyen defende que “a urgência é clara para todos” sobre competitividade da UE

  • Lusa
  • 11:21

A presidente da Comissão Europeia realça a urgência de melhorar a competitividade económica da UE, num contexto de tensões geopolíticas e concorrência face aos concorrentes China e Estados Unidos.

A presidente da Comissão Europeia vincou esta quarta-feira que “a urgência é clara para todos” quanto à melhoria da competitividade económica da União Europeia (UE), num contexto de tensões geopolíticas e concorrência face aos concorrentes China e Estados Unidos.

“Num mundo de concorrência intensa e horizontes curtos, estamos a construir a competitividade da Europa. Tudo começa com força em casa com emprego e crescimento na Europa e com regras mais simples para as nossas empresas e cidadãos. Estende-se através da nossa rede cada vez maior de parceiros comerciais de confiança”, escreveu Ursula von der Leyen, numa publicação na rede social X.

No dia em que a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, participa na cidade belga de Lovaina num seminário do colégio de comissários da Comissão Europeia dedicado à agenda de competitividade da Europa, que será debatida pelos líderes da UE na próxima semana, a presidente da Comissão Europeia vincou: “A urgência é clara para todos nós”.

“Aguardo a discussão de hoje. Este trabalho continuará com os líderes da UE a 12 de fevereiro”, adiantou Ursula von der Leyen. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, convidou os líderes da UE para um segundo retiro informal, agora dedicado à competitividade, a realizar no próximo dia 12 de fevereiro num castelo histórico fora de Bruxelas. O encontro informal de alto nível da próxima semana será dedicado ao reforço do mercado único da UE num novo contexto geoeconómico.

A uma semana do evento, a presidente da Comissão Europeia convidou esta quarta-feira a diretora-geral do FMI para discutir o avanço da agenda europeia de competitividade, assente no reforço do crescimento económico para garantir a independência da Europa.

Perante o agravamento das tensões geopolíticas e a crescente rivalidade económica entre os Estados Unidos e a China, a UE enfrenta a necessidade urgente de reforçar a sua competitividade para preservar a sua autonomia estratégica.

Num contexto marcado por cadeias de valor mais fragmentadas, políticas industriais competitivas, corrida global à inovação, além de tensões comerciais, a UE tem de acelerar o crescimento, investir mais em tecnologia e indústria, apostar no mercado único e reduzir entraves regulatórios, garantindo padrões sociais e ambientais.

Para isso, Bruxelas está a avançar com medidas como pacotes de simplificação da legislação (omnibus), apoios comunitários à inovação, iniciativas para rentabilizar as poupanças, diminuir os entraves regulatórios e a reforçar laços comerciais com outros territórios.

A ideia é combater a falta de investimento e de inovação na UE, diversificar o fornecimento energético para obter preços mais baixos e reforçar a resiliência e segurança económicas.

Passou um ano e meio desde que, em setembro de 2024, o antigo presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi divulgou o seu relatório sobre o futuro da competitividade europeia, no qual revelou ser necessário um investimento adicional anual mínimo de 750 a 800 mil milhões de euros, o correspondente a 4,4-4,7% do PIB comunitário em 2023.

As três grandes transformações sugeridas por Mario Draghi incidiam em acelerar a inovação e encontrar novos motores de crescimento, apostar na descarbonização e em reduzir os elevados preços da energia e ainda em reduzir dependências dadas as tensões geopolíticas.

O também antigo primeiro-ministro italiano Enrico Letta propôs, num outro relatório divulgado em abril de 2024, dívida conjunta com planos de reembolsos claros, empréstimos em condições favoráveis e apoio do Banco Europeu de Investimento para financiar o investimento da UE em segurança e defesa.

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