Obras de expansão da Linha Vermelha do Metro ainda sem data para arrancar
Governo tinha apontado o início das obras para dezembro, mas obra ainda não foi consignada ao consórcio da Mota-Engil. Projeto ficou fora do PRR.
Os atrasos são uma sina das obras públicas em Portugal, e a expansão da Linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa, que ligará São Sebastião a Alcântara, não é exceção. Passados 25 meses do anúncio do consórcio vencedor do concurso ainda não há uma data certa para a construção arrancar.
A secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, afirmou em outubro, no Parlamento, que as obras teriam início em dezembro de 2025, o que não aconteceu.
Contactada pelo ECO, a empresa de transportes indica que “em articulação com a entidade adjudicatária, encontra-se atualmente a consolidar os elementos necessários à consignação da obra, na sequência das observações formuladas pelas entidades competentes, bem como das aprovações indispensáveis ao início dos trabalhos de campo”. E não adianta uma previsão para o início da construção.
A expansão da linha vermelha prevê a construção de mais 4,1 km de linha e quatro novas estações: Campolide/Amoreiras, Campo de Ourique, Infante Santo e Alcântara. O investimento total previsto era 405,4 milhões de euros, dos quais 285 milhões do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Com o atraso no início da obra, esta acabou por sair do PRR na reprogramação anunciada no início de novembro.
O Metropolitano de Lisboa anunciou a 5 de dezembro a adjudicação da construção ao consórcio da Mota-Engil e SPIE Batignolles Internacional, por um valor de 321,9 milhões de euros. Na corrida estavam outros quatro concorrentes, sendo que o consórcio liderado pela FCC Construcción contestou o resultado em tribunal, impedindo a assinatura do contrato. A ação foi indeferida pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa em maio de 2024.

Linha violeta também em suspenso.
A intenção do Governo era adjudicar também em dezembro o contrato para a construção, fornecimento de veículos e manutenção do metro ligeiro de superfície Odivelas-Loures, conhecido como Linha Violeta. Uma intenção que esbarrou na abertura pela Comissão Europeia de uma investigação aprofundada sobre “possíveis distorções do mercado causadas por subvenções estrangeiras” atribuídas à empresa estatal chinesa CRRC, subcontratante do consórcio liderado pela Mota-Engil.
O consórcio composto pela Mota-Engil, Zagope e Spie Batignolles apresentou em julho o preço mais baixo no concurso público para a construção e manutenção da linha Violeta do Metro de Lisboa, no valor de 598,9 milhões de euros.
O Metropolitano de Lisboa ainda não foi notificado de uma decisão, que poderá chegar só no final de março, mas “assegura toda a cooperação à investigação em curso e tem a expectativa de uma decisão célere por parte da Comissão Europeia”.
A empresa de transportes sublinha que a linha Violeta “constitui um investimento público estruturante, da maior importância para a satisfação das necessidades de mobilidade eficiente e sustentável no corredor Loures – Odivelas – Lisboa” e, em conjunto com outros investimentos, é “determinante para alcançar os objetivos fixados na estratégia nacional para a descarbonização”.
Considera ainda que a importância do projeto para o sistema de mobilidade da Área Metropolitana de Lisboa “foi, desde logo, reconhecida aquando da elegibilidade do empreendimento para financiamento por fundos da União Europeia”.
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