Da “cooperação institucional” ao “vamos governar”. As frases da noite eleitoral

Os protagonistas das eleições deste domingo tiveram discursos discrepantes: um longo e de cooperação outro curto e de continuidade da luta contra o regime. Mas não foram os únicos a fazer-se ouvir.

Os protagonistas da noite eleitoral deste domingo foram António José Seguro e André Ventura, mas outras vozes — inclusive internacionais — fizeram-se ouvir perante a escolha do próximo Presidente da República. Depois de uma primeira volta das presidenciais marcada por intervenções dos principais candidatos, nesta disputa a dois destacaram-se também as declarações do (ainda) Chefe de Estado, do primeiro-ministro e dos líderes europeus, como António Costa.

“Não será por mim que a legislatura será interrompida”

O vencedor destas eleições, e próximo Presidente da República, prometeu vida longa ao Governo. António José Seguro garantiu que, no que depender de si, a legislatura é para levar até ao fim. O sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, que superou o recorde de Mário Soares em votos nominais, admitiu que não esperava uma vitória desta dimensão e assegurou que será “o Presidente de todos os portugueses”.

“Abre-se um novo ciclo de três anos sem eleições”, afirmou António José Seguro no discurso de vitória no Centro Cultural das Caldas da Rainha. “Não será por mim que ela [a legislatura] será interrompida. Prometi a lealdade e cooperação institucional com o Governo. Cumprirei a minha palavra. Jamais serei um contrapoder, mas serei um Presidente exigente com as soluções e com os resultados”, afirmou.

“Vamos governar este país”

O candidato que perdeu as presidenciais deste domingo aproveitou a ocasião para enaltecer a subida dos resultados em relação às legislativas e posicionar-se para a liderança do Governo. “Acho que a mensagem dos portugueses foi clara. Lideramos a direita em Portugal e vamos em breve governar este país”, disse André Ventura, perante os apoiantes que o esperavam, há várias horas, no ‘quartel-general’, em Lisboa.

“Mesmo não vencendo, este partido, esta força, teve o seu melhor resultado de sempre. Olhando para o resultado desta noite, em que superámos a percentagem da AD nas últimas eleições legislativas, é justo dizer que, não tendo vencido estas eleições presidenciais, os portugueses nos colocaram no caminho para governar este país”, referiu o candidato apoiado pelo Chega e líder do partido.

“Cooperação será a nota dominante”

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi um dos primeiros a felicitar António José Seguro pela eleição como Presidente da República, garantindo o “espírito de convergência” que será a receita para garantir a “estabilidade política em Portugal” nos próximos anos. A partir da Casa das Artes, no Porto, Luís Montenegro salientou ainda como há um “período de três anos e meio sem eleições que se abre agora” e em que “todos os órgãos de soberania estão legitimados”.

“Garanti a António José Seguro, em nome do Governo, toda a disponibilidade para trabalharmos em prol do futuro de Portugal, com espírito de convergência para salvaguardarmos o interesse dos portugueses, com toda a cooperação e com o sentido de servimos o povo português de forma construtiva e positiva, cada um ao nível dos poderes que a Constituição lhes atribui. A cooperação será a nota dominante”, assegurou o chefe do Executivo.

“PS está disponível para consensos políticos”

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, chega ao Centro Cultural das Caldas da Rainha onde se realiza o acompanhamento da noite eleitoral de António José Seguro. ECO/Hugo AmaralHugo Amaral/ECO

O secretário-geral do Partido Socialista caracterizou a vitória de António José Seguro como um sinónimo de escolha da estabilidade política e garantiu que o partido, que apoiou o candidato vitorioso, está disponível para chegar a consensos. José Luís Carneiro disse que “os socialistas estão felizes” e que “esta é uma vitória de um amplo campo democrático, da esquerda até ao centro direita”, bem como dos valores da Constituição.

“O povo português escolheu a estabilidade política. O Governo tem sobre si uma grande responsabilidade. [Montenegro] só não responderá aos problemas dos portugueses se continuar a insistir na arrogância e no distanciamento. Ontem como hoje, o PS está disponível para construir os consensos políticos que o Presidente da República eleito tanto defendeu durante a campanha eleitoral”, afirmou o líder socialista, que se deslocou à sede de campanha de António José Seguro, nas Caldas da Rainha, para as felicitações presenciais.

“Portugueses demonstraram apreço pela democracia”

António CostaEuropean Union

A parabenização do socialista António Costa, antigo adversário de António José Seguro nas primárias do partido, era uma das mais esperadas da noite e tardou a chegar, mas fez-se ouvir. Enquanto presidente do Conselho Europeu, António Costa congratulou António José Seguro pela eleição como Presidente da República e referiu que o desfecho destas eleições reafirmaram “Portugal como um pilar do humanismo europeu”.

“Felicito António José Seguro pela sua eleição como Presidente da República Portuguesa e desejo-lhe os maiores sucessos no exercício do seu mandato. Os portugueses demonstraram hoje o seu apreço pela democracia, reafirmando Portugal como um pilar do humanismo europeu”, escreveu António Costa, numa mensagem publicada nas redes sociais.

“As maiores felicidades e êxito”

Marcelo Rebelo de SousaLusa

O atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, falou com os dois candidatos na corrida ao seu cargo em Belém, mas foi através do site da Presidência que formalizou as felicitações ao vencedor da noite, António José Seguro. Marcelo Rebelo de Sousa telefonou a António José Seguro para o felicitar pela sua vitória nas eleições presidenciais, “desejando-lhe as maiores felicidades e êxitos para o mandato que os portugueses lhe atribuíram e se iniciará dia 9 de março, manifestando-lhe toda a disponibilidade para assegurar a transição institucional“.

Ao início da tarde, aquando da votação em Celorico de Basto, Marcelo Rebelo de Sousa – que vai receber o Presidente eleito esta segunda-feira, em Belém, às 16h00 – referiu que o seu sucessor “tem uma tarefa difícil, mais difícil do que aquela que “ao longo destes mandatos.

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