Sete gráficos para ler o resultado das presidenciais
Do resultado histórico de Seguro ao crescimento do eleitorado de André Ventura, a análise aos resultados das eleições através de sete gráficos.
Cerca de 56 mil portugueses ainda poderão ir votar no próximo domingo, mas o sexto político português a chegar a Belém está escolhido. O ECO selecionou sete gráficos para analisar uma eleição que teve um resultado histórico.
A vitória expressiva de Seguro explica-se pelo facto de ter ido buscar muito mais votos aos eleitores eliminados na primeira volta do que André Ventura. O candidato apoiado pelo PS conseguiu mais 1,73 milhões de votos na segunda volta, mais do quádruplo do que os 402,7 mil que o concorrente conseguiu atrair.
Ou posto de outra forma, Seguro quase duplicou a votação em relação à primeira volta enquanto Ventura aumentou o número de votos em 30%.
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A vantagem do candidato apoiado pelo PS é também visível no número de concelhos conquistados. Com sete municípios ainda com resultados por fechar, por a ida às urnas ter sido adiada para o próximo domingo, Seguro ganhou em 229 concelhos e Ventura apenas em dois, Elvas e São Vicente, na Madeira. Na primeira volta tinha ganho em 80.
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É mais um sinal da rejeição do eleitorado em relação ao candidato do Chega, com a concentração de votos em Seguro a impedir a vitória em 97,5% dos municípios onde tinha ganho.
A transferência de votos para Seguro é evidente em alguns concelhos e freguesias onde os candidatos de direita tiveram um bom resultado na primeira volta.
João Cotrim de Figueiredo ganhou a primeira volta na freguesia de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, no Porto, com 36,6% dos votos, relegando Seguro para segundo lugar com 25,12%. Na segunda volta, o candidato do PS teve 76% dos votos, ainda que Ventura também tenha subido de 11,46% para 23,97%.
O mesmo aconteceu na freguesia lisboeta da Estrela, onde Cotrim de Figueiredo ganhou com 34,22%, batendo Seguro (29,53%). Na segunda volta o candidato do PS subiu para quase 76%, embora Ventura também tenha aumentado a votação para de 11,43% para 24%.
Boticas, Fafe e Sernancelhe, os três concelhos onde Luís Marques Mendes venceu na primeira volta, caíram para Seguro, embora com subidas expressivas também de Ventura.
Todos os fatores se conjugaram para dar a Seguro uma vitória com números inéditos. Os 3.482.481 votos que conseguiu, quando ainda faltam apurar 20 freguesias e sete consulados, já superam o resultado de Mário Soares em 1991. Em termos percentuais, a reeleição do fundador do PS continua a ser imbatível.
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Apesar da derrota, André Ventura sublinhou na noite eleitoral que o Chega “teve o melhor resultado da sua história” e encontrou uma forma de cantar vitória. “Superámos a percentagem da AD nas últimas legislativas. É justo dizer que não tendo vencido estas eleições presidenciais, os portugueses nos colocaram no caminho para governar Portugal”, acrescentou.
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Uma eleição presidencial a dois não é diretamente comparável a eleições legislativas, mas sendo o Chega um partido centrado na figura do seu líder, a subida de votos pode ter significado. O certo é que André Ventura tem vindo a melhorar os resultados. Nas legislativas de 2019 teve 1,29% dos votos e nas de 2025 chegou aos 22,76%. Nas presidenciais, saltou de 11,9% em 2021 para 33,18%. Nas autárquicas, o partido tem menor expressão, mais já mais do que duplicou a votação de 4,16% para 11,86%.
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Por causa do mau tempo e da forte probabilidade de uma vitória de António José Seguro, havia o receio de uma forte subida da abstenção, que não se verificou. A taxa cresceu ligeiramente face à primeira volta, de 47,74% para 49,89%, marca que se mantém como a mais baixa desde 2006.
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A taxa de abstenção foi particularmente elevada nas regiões mais castigadas pelas sucessivas tempestades que assolaram Portugal. Segundo dados reunidos pela agência Lusa, situou-se entre os 29,84% e os 51,94% nos 68 concelhos em situação de calamidade. Nazaré teve a taxa mais elevada e Vila do Rei a mais baixa.
A segunda volta das presidenciais ficou ainda marcada por uma subida expressiva dos votos em branco, que quase triplicaram face à primeira volta, atingindo a percentagem mais elevada desde a reeleição de Cavaco Silva em 2011. O número de votos nulos foi o mais elevado na história das eleições presidenciais. Somando ambos, são 5% dos votos, sinal de que muitos eleitores rejeitaram ambos os candidatos.
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