“Via verde” para contratar imigrantes “não é suficiente”, alerta setor do turismo
Bernardo Trindade, presidente Associação da Hotelaria de Portugal, desafiou o Governo a revisitar este sistema, alertando para os problemas que o setor enfrenta em termos de mão-de-obra.
O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, Bernardo Trindade, alertou esta quarta-feira que o protocolo de cooperação para a migração laboral regulada, conhecido como “via verde” para a contratação de imigrantes, não é suficiente para responder àquilo que são as necessidades do setor, apelando ao Governo que revisite este regime.
O responsável destacou o bom momento que o setor vive, com as receitas do turismo a baterem um novo recorde em 2025, perto dos 30 mil milhões de euros, notando que o setor é um “parceiro fiável” para contribuir para crescimento de Portugal.
A falar na abertura do 35º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, organizado pela Associação da Hotelaria de Portugal, Bernardo Trindade destacou que apesar de ter fechado 2025 com um novo recorde, com receitas próximas dos 30 mil milhões de euros, o responsável avisou que “o turismo é uma atividade de mão-de-obra e intensiva, precisamos de pessoas” e precisa de “trazer pessoas de fora”.

O presidente da AHP destacou que a associação está a formar pessoas, mas salvaguardou que há barreiras que não dependem das empresas do setor, nomeadamente a questão da habitação. “Estamos disponíveis para dar competências e já há anos que estamos a formar. Agora não podemos assumir responsabilidades em áreas que não são da nossa responsabilidade”, atirou.
Quanto às medidas do Governo na área da imigração, disse que “a via verde do Governo para simplificar as autorizações de trabalho não é suficiente”, acrescentando que não conhece nenhum empresário que tenha recorrido a esta ferramenta.
“Estamos disponíveis para inventariar as necessidades, mas o Governo tem de visitar esta mesa”, reforçou. “Reforcem-se os mecanismos de controlo, definam-se prazos claros, mas o tema tem de ser visitado”, afirmou o responsável, numa mensagem direta ao Executivo.

Francisco Calheiros, presidente da CTP (Confederação do Turismo de Portugal), destacou que a revisão da legislação laboral “reveste-se de uma importância decisiva para o futuro do emprego e da competitividade do mercado”.
“Ao setor do turismo em particular, que é fundamental para o trabalho laboral assumir simultaneamente a necessária proteção aos trabalhadores e as flexibilidades que precisarão das empresas, tendo em conta a natureza sazonal”, explicou.
Turismo está “saudável”
Sobre o momento que o setor atravessa, tanto Bernardo Trindade, como Francisco Calheiros, realçaram o bom momento que o setor do turismo e da hotelaria nacionais vivem, apesar de apontarem alguns desafios.
“Somos um parceiro fiável, aquele com quem, direta e indiretamente, o Governo pode sempre contar para pôr Portugal a crescer. Neste caso, a crescer acima da média da União Europeia”, referiu o presidente da AHP.
O responsável apontou, porém, para constrangimentos, nomeadamente ao nível dos aeroportos, com o aeroporto de Lisboa “saturado”. Referindo-se ao caso concreto da saída da Ryanair dos Açores, o responsável realça que isto é “um problema sério” para o turismo da região, com os Açores a correrem o risco de se tornar um destino turístico de verão. Para Calheiros, “o turismo de Portugal está saudável, nunca como no passado os turistas gastavam tanto dinheiro”.
“As receitas turísticas no país cresceram a cerca de 9% em 2025, atingindo em novo máximo de quase 30 mil milhões”, detalhou, acrescentou, notando que “este crescimento sustentável é não só importante para o turismo, mas também para o crescimento do país”.
O responsável afirma que há maior criação de valor, defendendo que é necessário continuar a atrair turistas com maior poder de compra. “Os Estados Unidos são um bom exemplo de mercado que gera valor e no qual temos de continuar a buscar. Mas não só. Também o mercado asiático continua a ser importante”, explica. Mas para atrair estes turistas, nota, é preciso que haja um reforço de ligações aérea e, para isso, “é preciso um novo aeroporto”.
“Sem o novo aeroporto temo que a nova estratégia para turismo tenha de ser revisada”, alerta. “Ninguém levaria a mal uma revisão na estratégia, que levasse a uma situação intermédia para o bem do país“, apontou, numa referência à construção do novo aeroporto de Lisboa. Para Calheiros, além do aeroporto é ainda importante investir “o dinheiro que existe para que se cumpram prazos e o TGV seja uma realidade”.
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