Chanceler alemão avisa que liberdade da Europa já não é adquirida
Friedrich Merz sustentou que a ordem unipolar que surgiu após a queda do Muro de Berlim terminou e que a aspiração dos EUA à liderança está a ser desafiada, se não foi já completamente perdida.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, avisou esta sexta-feira que, “na era das grandes potências”, a liberdade da Europa “já não é adquirida, está ameaçada”, defendendo a necessidade de “firmeza e vontade para afirmar essa liberdade”.
Intervindo na abertura da Conferência de Segurança de Munique, o chefe do Governo alemão acrescentou que será preciso fazer sacrifícios, “não um dia, mas agora”, à medida que os países europeus aumentem os seus gastos militares perante a ameaça russa e o afastamento dos Estados Unidos (EUA).
Merz sustentou que a ordem unipolar que surgiu após a queda do Muro de Berlim terminou e que a aspiração dos Estados Unidos à liderança está a ser desafiada, se não foi já completamente perdida. O chanceler alemão descreveu um cenário global dominado pela política das grandes potências, que se afasta da ordem baseada em regras e opta por esferas de influência, um contexto em que os países democráticos “colidem com os limites da sua capacidade de agir”.
Sobre a relação entre a Europa e os Estados Unidos, fragilizada pela imposição de tarifas e críticas sobre a NATO do Presidente norte-americano, Donald Trump, Merz reconheceu que se abriu “um fosso cultural”, mas lançou um apelo “aos amigos americanos” da Europa. “Vamos reparar e reviver juntos a confiança transatlântica”, pediu.
“Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão suficientemente poderosos para agir sozinhos”, acrescentou, um ano após um discurso no mesmo local do vice-presidente dos EUA, JD Vance, que criticou os europeus por não terem assumido controlo suficiente da sua própria defesa.
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