Sánchez diz que “corruptela é de uns poucos” e PSOE é “partido íntegro”

  • Lusa
  • 5 Junho 2026

Pedro Sánchez afirmou que o Governo e o PSOE são “limpos” e que “a corruptela é de uns poucos”, numa reação a novas suspeitas de corrupção e interferência em processos judiciais do partido.

O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, reiterou esta sexta-feira que o Governo e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que lidera, são limpos e que “a corruptela é de uns poucos”.

Antigos dirigentes do PSOE, incluindo um ex-ministro, estão envolvidos em casos judiciais por corrupção, a que se juntaram, nos últimos dias, suspeitas de ter havido também dentro do partido uma espécie de célula que tentaria interferir nessas investigações policiais e do Ministério Público.

Além de antigos dirigentes do PSOE, estariam também em causa as investigações que envolvem o irmão e a mulher de Sánchez, por alegado tráfico de influências.

No centro destas novas suspeitas está o “caso Leire Díez”, o nome de uma antiga militante do PSOE, conhecido há um ano mas que teve agora novos desenvolvimentos, por terem sido feitas recentemente buscas na sede nacional do partido e por ter sido divulgado nos últimos dias o sumário do juiz de instrução.

A justiça suspeita que Leire Díez, em coordenação com um ex-dirigente do PSOE Santos Cerdán, também suspeito de corrupção noutro processo, fez diligências para tentar interferir em vários processos judiciais, tendo-se, por exemplo, reunido com esse objetivo com a diretora da Guarda Civil, força que tem em Espanha competências de polícia judiciária.

Após dias de títulos na imprensa espanhola com informações do sumário do “caso Leire Díez”, Pedro Sánchez garantiu agora que nunca foi informado nem teve conhecimento “das andanças” da ex-militante do PSOE e “nunca as teria tolerado”.

Sánchez reconheceu que aquilo que leu nos últimos dias o enchem de “preocupação e indignação”. “O meu Governo é um Governo limpo, o meu partido é um partido íntegro, e a corruptela é de uns poucos”, assegurou, em declarações aos jornalistas em Montenegro, onde participa na cimeira da União Europeia com países dos Balcãs ocidentais.

Pedro Sánchez reiterou que neste caso o nome do PSOE foi usado por Leire Díez para fins próprios e que não se coadunam com os valores do partido e afirmou que a equipa jurídica dos socialistas está a preparar uma queixa na justiça.

Por outro lado, expressou confiança na diretora da Guarda Civil, Mercedes González, que reconheceu na quinta-feira ter-se reunido com Leire Diéz três vezes, duas sobre temas em nada relacionados com a força de segurança e uma em que não acedeu a um pedido da ex-militante do PSOE relacionado com um comandante ligado a uma investigação judicial.

A agenda mediática e política em Espanha está marcada por vários processos judiciais em que estão envolvidos familiares de Sánchez e ex-dirigentes do PSOE que foram muito próximos do líder socialista espanhol.

Os diversos processos e o condicionamento da agenda política pelas investigações judiciais têm servido de argumento para várias vozes pedirem a antecipação das legislativas previstas para 2027.

Sánchez tem repetido que a legislatura irá até ao final. Em Espanha, o chefe de Estado, o Rei, não tem poder para dissolver o parlamento e convocar eleições, algo que compete ao Conselho de Ministros. O Governo pode também cair se for aprovada uma moção de censura no parlamento.

O Partido Popular (PP, direita), a maior força da oposição, tem desafiado, sem êxito até agora, as bancadas da ‘geringonça’ que viabilizaram o atual executivo a somarem-se a uma moção de censura encabeçada pelos populares.

Dois dos maiores partidos dessa ‘geringonça’ defendem a antecipação de eleições, mas recusam apoiar uma moção de censura encabeçada PP.

O argumento do Partido Nacionalista Basco (PNV) e do independentista Juntos pela Catalunha (JxCat), duas forças conservadoras, é que uma moção de censura do PP contará com a extrema-direita do Vox, com quem os populares têm negociados executivos regionais.

Nem o PNV nem o JxCat querem alinhar-se ou aliar-se de alguma forma com o Vox.

EM Espanha, as moções de censura são “construtivas”: quando são aprovadas, quem as encabeça passa de imediato a ser primeiro-ministro, sem que haja eleições de forma automática.

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