Menos certificados, mais pressão nos CTT? Não

O BPI fez as contas ao impacto da menor subscrição de certificados. Reconhece a quebra, mas diz que o efeito é reduzido, continuando a recomendar "comprar" ações dos CTT.

O Orçamento do Estado prevê um saldo positivo de subscrições de certificados de aforro, mas muito abaixo do atual. São menos receitas para os CTT, mas o BPI diz que “não é assim tão mau como parece”. O impacto é, na perspetiva do banco de investimento, limitado para a empresa liderada por Francisco Lacerda.

O Governo “prevê mil milhões de euros de saldo líquido entre novas subscrições e resgates em 2017”. Este valor compara com as subscrições líquidas de 2,47 mil milhões de euros de certificados de aforro e do Tesouro até agosto, nota o BPI.

Apesar da quebra, “não é assim tão negativo como possa parecer à primeira vista”, nota o banco de investimento numa nota de análise para os CTT obtida pelo ECO. Isto mesmo sem se conhecerem os detalhes da remuneração da empresa de correios no que toca aos produtos do Estado.

"De 2018 em diante, se assumirmos os 3,4 mil milhões de euros de subscrições líquidas do Orçamento do Estado (contra a média de 5 mil milhões de 2014 e 2015), deverá representar uma quebra de cerca de 3,5 milhões nas comissões face ao nosso modelo, ou cerca de 1,3% do EBITDA estimado para 2017”

BPI

“Acreditamos que cerca de 20% das comissões estão relacionadas com o stock de dívida e que os restantes 80% resultam das subscrições/resgates”, diz o BPI. “Se assumirmos que as comissões são 1/10 das subscrições, a receita em 2017 com estes produtos aumentaria em 2% devido ao aumento do ritmo de resgates.”

“De 2018 em diante, se assumirmos os 3,4 mil milhões de euros de subscrições líquidas do Orçamento do Estado (contra a média de 5 mil milhões de 2014 e 2015), deverá representar uma quebra de cerca de 3,5 milhões nas comissões face ao nosso modelo, ou cerca de 1,3% do EBITDA estimado para 2017”, diz o BPI.

É um impacto reduzido que não leva o banco a efetuar qualquer alteração às perspetivas para os CTT. O BPI continua a recomendar “comprar” os títulos, atribuindo-lhes um preço-alvo de 8,70 euros, 46% acima da cotação atual de 5,95 euros. “Os CTT estão a negociar com um desconto de mais de 30% face aos pares”, refere o BPI que destaca a rendibilidade do dividendo atual: 8%.

Nota: A informação apresentada tem por base a nota emitida pelo banco de investimento, não constituindo uma qualquer recomendação por parte do ECO. Para efeitos de decisão de investimento, o leitor deve procurar junto do banco de investimento a nota na íntegra e consultar o seu intermediário financeiro.

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