Aptoide: A galope rumo ao milhão de aplicações disponíveis

A terceira maior loja de aplicações é "made in" Portugal e gerou quatro milhões de dólares lá fora. Esteve no MWC, em Barcelona, com uma nova imagem para "celebrar este sucesso".

A Aptoide gerou quatro milhões de dólares de receitas em 2016.Flávio Nunes/ECO

Nem só de empresas estrangeiras se fez o Mobile World Congress (MWC) deste ano. A empresa portuguesa Aptoide, que é a terceira maior loja de aplicações do mundo, também se fez representar em Barcelona com uma finalidade muito específica: apresentar uma nova imagem, modernizada e revigorada, mas sem abrir mão dos traços a que habituou os 145 milhões de utilizadores que cativa em todo o mundo.

A loja, exclusivamente para telemóveis e tablets Android, ruma a todo o gás em direção ao milhão de aplicações disponíveis para download. Até agora, são já 700.000, avançou ao ECO Álvaro Pinto, cofundador e chefe de operações da companhia, numa conversa no stand da empresa, integrado na maior feira tecnológica de dispositivos móveis do mundo. Paulo Trezentos, presidente executivo da Aptoide, revela que a loja bateu os três mil milhões de downloads de aplicações em 2016.

Com um crescimento essencialmente orgânico em mercados como América Latina, México, Brasil e Estados Unidos, fechou 2016 com um volume de negócios na ordem dos quatro milhões de dólares. Quase que triplicou o valor gerado em 2015. O modelo de negócio assenta em receitas provenientes da promoção de aplicações, assim como de comissões de vendas realizadas em aplicações integradas na loja.

“Até hoje não temos feito grande investimento em aquisição direta de utilizadores. O que fazemos é investir numa comunidade forte, e é ela que nos tem trazido mais utilizadores, porque é a própria comunidade que divulga a plataforma”, indicou o cofundador. “As pessoas chegam até nós de várias formas. Por exemplo, quando os amigos dizem que há esta loja, com este conteúdo, com esta funcionalidade interessante. As pessoas vão ao nosso site e descarregam a aplicação da loja”, referiu.

A Aptoide emprega, atualmente, cerca de 75 pessoas, a maioria em Lisboa, onde o software é desenvolvido. A outra parte da força de trabalho localiza-se num dos dois outros escritórios da empresa, na Singapura ou no sul da China. E, quanto a isso, há novidades, revelou Álvaro Pinto: “Anunciamos há uns meses que vamos contratar mais cerca de trinta pessoas, essencialmente em Portugal. Ainda estamos neste processo.”

Sobre o rebranding, o responsável operacional da Aptoide foi perentório: “Já estava na altura de o fazer. O logótipo e a imagem que tínhamos era a que vinha já desde o nascimento da startup. Estava um bocadinho desatualizado. Precisávamos de renovar, de ter uma coisa mais apelativa e foi esse o esforço: manter a identidade com o que tínhamos, as cores, aquilo que era a simbologia à volta da Aptoide, mas tudo atualizado”, disse.

Anunciamos há uns meses que vamos contratar mais cerca de trinta pessoas, essencialmente em Portugal. Ainda estamos neste processo.

Álvaro Pinto

Cofundador da Aptoide

Google não facilita o crescimento

O facto de ser uma loja concorrente à Play Store parece ser o motivo para a Google excluir a aplicação dos seus próprios serviços. É que, para poder utilizar a loja alternativa Aptoide, é necessário cumprir uma série de procedimentos no aparelho para autorizar a instalação de aplicações de “origens desconhecidas”. Álvaro Pinto reconheceu que essa é uma das principais barreiras ao crescimento da empresa portuguesa. “Nós não somos distribuídos via loja da Google. O nosso APK [pacote de instalação] não está lá porque não pode estar, porque é concorrente da Google. Portanto, não é aceite nesse mercado”, denunciou.

Talvez por isso não haja muitas lojas de origem ocidental — “na China há centenas de lojas”, comentou a dada altura o cofundador. “No resto do mundo, obviamente que há uma que domina praticamente o mercado e depois há mais duas ou três relevantes — somos uma delas”, garantiu.

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