Mais estímulos? BCE retira sinal. Investidores veem fim

Membros do banco central tentaram mudar discurso sobre programa de compra de dívida na última reunião. Mas mostraram receios quanto ao impacto que essa decisão poderia ter nos mercados.

Os membros do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) consideraram retirar o sinal de “aumentar ao programa de compra de dívida se necessário” na última reunião de política monetária realizada em junho. Foi só uma discussão sobre deixar de sinalizar um aumento, mas os investidores começam a ver o fim do programa.

As atas do último encontro dos responsáveis que decidem os estímulos na Zona Euro mostram que houve discussões acerca da retirada destes sinais da comunicação da decisão de política monetária que se seguiu à reunião dos dias 7 e 8 de junho. Embora tenham optado por mudar a sua referência em relação ao rumo das taxas de juro, “foi discutido que a melhoria do ambiente económico (…), em princípio, sugeriu também a revisão do bias de alívio monetário no que diz respeito ao programa de compra de ativos“.

Ainda assim, prevaleceu a decisão de manter a comunicação nesse ponto. Isto porque os responsáveis também manifestaram preocupação com o impacto que isso poderia ter nos mercados. “Foi alertado que mesmo mudanças pequenas e incrementais na comunicação poderiam ser percebidas como sinalizando uma mudança mais fundamental na direção política”, relatam as atas do banco central divulgadas esta quinta-feira.

Seja como for, há sinais de que o fim do programa de compras está ao virar da esquina. As atas apontam nesse sentido, mesmo que, publicamente, Mario Draghi, presidente do BCE, insista na ideia de que é preciso manter paciência e persistência para que as suas políticas tenham os efeitos desejados.

Depois da divulgação destes relatos, os juros associados às obrigações de vários países do bloco da moeda única estão a registar alguma pressão nos mercados secundários. A yield implícita nos títulos a 10 anos da Alemanha sobe oito pontos para 0,552%, o nível mais elevado desde o início de 2016. Em Portugal, a taxa associada às obrigações com a mesma maturidade soma 6,4 pontos para 3,04%.

Atualmente, o BCE está a comprar todos os meses 60 mil milhões de euros em títulos de dívida dos Governos da Zona Euro no âmbito do programa de compras no setor público que tem fim previsto para o final do ano. Em junho, o banco central comprou menos de 500 milhões em dívida portuguesa.

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