Governo abre a porta a emissão de dívida de muito longo prazo

Secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix adianta que Portugal poderá em breve procurar financiamento através da emissão de obrigações com prazo entre 20 e 30 anos.

Portugal está a preparar uma emissão de dívida de muito longo prazo, além do prazo habitual de dez anos, adiantou o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix. Em cima da mesa poderá estar a emissão de obrigações entre 20 a 30 anos.

“Transmitimos ao IGCP que estamos disponíveis para olhar para outras oportunidades em termos de emissão de obrigações de longo prazo, se é rentável, adequado e estável suficiente para fazer parte da nossa curva de rendimentos”, referiu Mourinho Félix em declarações divulgadas esta segunda-feira pela agência Reuters.

E especificou de seguida: “Podemos olhar para propostas concretas que os investidores possam ter, mas [20 a 30 anos] são o tipo de maturidades que outros países que estão muito longos [já emitiram e] isso é o tipo de coisas sobre as quais podemos olhar”.

Na última emissão (a primeira e única de longo prazo deste ano), o Tesouro português obteve quatro mil milhões de euros em obrigações a dez anos, com a taxa de juro a descer para 2,14% — bem abaixo dos 4,23% pagos numa operação semelhante realizada há apenas um ano. Mas agora pode aproveitar as condições favoráveis para ir mais longe.

De resto, o sucesso de Itália na emissão de nove mil milhões de euros em títulos a 20 anos pode mostrar o caminho a seguir por Portugal. As ordens pelas obrigações italianas atingiram os 31 mil milhões de euros, sinalizando o forte interesse dos investidores em comprar obrigações fora do core da Europa.

Um banqueiro disse à Reuters que “há uma hipótese muito grande de um bom desempenho no mercado obrigacionista se Portugal continuar a apresentar resultados na frente económica”.

Avançar para uma emissão de longo prazo seria o passo seguinte depois de Portugal ter liquidado junto do Fundo Monetário Internacional (FMI) a parte mais cara do empréstimo oficial. Devolveu na semana passada pouco mais de 800 milhões de euros e livrou-se da penalização no spread.

A este propósito, o governante português salientou que Portugal “procedeu a uma estratégia de gestão da dívida muito prudente, substituindo o empréstimo oficial por investimento do mercado sem reduzir a maturidade média da dívida”.

De acordo com o IGCP, as necessidades líquidas de financiamento do Estado para 2018 situam-se na ordem dos 10,9 mil milhões de euros.

(Notícia atualizada às 16h29)

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