Lucro da EDP cai 16% para 380 milhões de euros no primeiro semestre

A EDP viu o lucro do primeiro semestre cair 16% para 380 milhões de euros, anunciou num comunicado enviado à CMVM. Perde com a contribuição para o setor e com menos receitas com origem nos CMEC.

Os lucros da EDP na primeira metade do ano fixaram-se em 380 milhões de euros. É uma queda de 16% face ao período homólogo. A empresa explica a quebra no resultado líquido com as “alterações regulatórias adversas” em Portugal, nomeadamente com a contribuição extraordinária para o setor energético e “a diferença entre o ajuste final” do valor a receber com os Custos de Manutenção de Equilíbrio Contratual (CMEC), que foi reconhecido em 2017, e o aprovado em maio de 2018.

Estes “eventos não recorrentes” levaram a empresa a uma queda nos lucros que, de outra forma, teriam subido 5%. Concretamente, a EDP descreve um impacto negativo de 64 milhões de euros “correspondente à contribuição extraordinária para o setor de energia”, e uma perda de 13 milhões de euros com os CMEC. Além disso, a empresa liderada por António Mexia fala de um ganho de 25 milhões com a venda da posição da REN, mas também do pagamento de uma contribuição para o setor no valor de 67 milhões de euros.

“No primeiro semestre de 2018, a EDP prosseguiu a sua estratégia de crescimento focada em energias renováveis e no Brasil“, escreve a companhia numa nota enviada à CMVM. “Excluindo efeitos não recorrentes, o resultado líquido recorrente subiu 5% em termos homólogos, para 457 milhões de euros, uma vez que o crescimento na EDP Brasil e a melhoria de mercado na Península Ibérica mais que compensaram o efeito de alterações regulatórias em Portugal, anunciadas no quarto trimestre de 2017″, informa a EDP.

Ainda assim, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da empresa cifrou-se em 1.722 milhões de euros, uma queda de 10% face ao primeiro semestre de 2017, enquanto a margem bruta desceu 7% para 2.692 milhões de euros. Detalhando por mercados, 40% do EBITDA diz respeito a Portugal, 19% a Espanha, 18% ao Brasil, 18% à América do Norte e 2% a outros países. Em termos operacionais, a EDP teve mais despesa com pessoal e serviços externos. Os custos nesta vertente, excluindo o efeito cambial, aumentaram 1%, informa a empresa.

No mesmo período, a empresa aumentou a capacidade instalada em 2% em termos homólogos e fez subir “o peso de energias renováveis no mix de geração” para 74%. “O portefólio de contratos com clientes cresceu 44 mil nos últimos doze meses, para 11,43 milhões de contratos, distribuídos entre a Península Ibérica e Brasil e refletindo a forte aposta na satisfação de cliente, qualidade de serviços e maior envolvimento”, refere a empresa no comunicado.

Em relação ao investimento, a EDP reduziu em 19% o investimento operacional de manutenção, para 229 milhões de euros, enquanto o investimento operacional consolidado, no global, caiu 2% para 729 milhões de euros. Concretamente, em expansão, a EDP investiu 465 milhões de euros em nova capacidade eólica e solar e, em relação a novas linhas de transmissão no Brasil, a empresa admite ter sido um investimento “ainda reduzido”, de 16 milhões de euros. “Em conclusão, a atividade de expansão líquida resultou num investimento líquido total de 529 milhões de euros no primeiro semestre”, refere a empresa na nota.

A EDP fechou ainda o semestre com uma dívida líquida de 14.172 milhões de euros, mais 2% do que no mesmo período do ano passado. A explicar a subida de quase 270 milhões de euros está o pagamento “referente ao dividendo anual” em 2 de maio deste ano.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h40)

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