Cabify deixa Portugal a 30 de novembro: “Tomámos a decisão difícil de fechar a nossa operação”

Depois das dificuldades em reter motoristas e passageiros na plataforma, a Cabify não teve alternativa e decidiu sair de Portugal. Deixa de operar a 30 de novembro.

A Cabify anunciou que vai deixar o mercado português a 30 de novembro, depois das dificuldades em encontrar motoristas disponíveis para transportarem passageiros através da aplicação. Numa nota enviada aos gestores de frotas, a que o ECO teve acesso, a empresa reconhece que não alcançou “os objetivos” a que se tinha proposto e não resta alternativa: “Tomámos a difícil decisão de fechar a nossa operação”.

“Desde que começámos a viajar em Lisboa e no Porto, sempre tivemos como objetivo gerar o maior impacto nestas cidades”, escreve a empresa espanhola. De seguida, assumindo o incumprimento destas metas, anuncia: “O nosso serviço deixará de estar disponível em Lisboa e no Porto a partir de 30 de novembro. Até lá, todos os motoristas poderão continuar a realizar viagens e a obter rendimentos.”

Já depois da publicação desta notícia, a Cabify Portugal emitiu um comunicado onde confirma as informações. Na nota, semelhante à mensagem enviada aos parceiros, a empresa acrescenta que “não deixará de estar atenta às necessidades futuras destes mercados no que concerne à multimodalidade dos transportes urbanos”.

Esta notícia surge algumas semanas depois de o ECO ter revelado em primeira mão que a empresa estava a enfrentar dificuldades em Portugal. Na altura, em setembro, a empresa garantiu estar empenhada em recuperar quota de mercado no país, mas o aumento da concorrência com a entrada da Bolt e da Kapten, somando-se à concorrência da Uber, impossibilitou a manutenção da operação em Portugal.

Mais recentemente, no início deste mês, a Cabify anunciou o fim do serviço para empresas em Portugal, que estava previsto para a mesma data de 30 de novembro, por continuar sem conseguir atrair motoristas e passageiros para a plataforma. “Tendo em conta que não conseguimos encontrar a melhor forma para gerar o impacto que gostaríamos, a partir de 30 de novembro vamos deixar de operar em Lisboa e no Porto com o nosso serviço para empresas”, informava a Cabify na altura.

A Cabify estava presente em Portugal desde 2016, sendo o segundo player a entrar no mercado das aplicações de transporte, depois da entrada da Uber em 2014. Por isso, enfrentou alguns dos momentos mais marcantes do processo de regulamentação das plataformas eletrónicas, nomeadamente a grande manifestação de taxistas em outubro de 2016 e a segunda manifestação já em 2018.

Durante vários anos, a startup espanhola, que chegou a assumir, no ano passado, a intenção de entrar na bolsa de Madrid em 2019, teve uma equipa sediada em Portugal. Isso mudou em meados de 2018, altura em que a operação portuguesa passou a ser gerida a partir da sede, em Madrid, como já tinha sido revelado pelo ECO.

Na base dos problemas da empresa terá estado a estratégia de exigir exclusividade aos motoristas para poder melhor controlar a qualidade do serviço, que vigorou durante alguns anos, até que a empresa se viu obrigada a uma maior abertura face ao aumento da concorrência no mercado. Sem motoristas, os elevados tempos de espera acabaram por afugentar também os passageiros.

Mas, apesar da maior abertura, a Cabify não conseguiu recuperar os motoristas que foi perdendo. Nem mesmo com uma campanha em que oferecia 80 euros a mais por cada 20 viagens realizadas.

(Notícia atualizada às 16h36 com confirmação oficial da saída da Cabify)

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