Centeno reúne Eurogrupo na terça-feira para reforçar apoios à economia

Em teleconferência, os ministros das Finanças do euro vão, numa ação concertada, tentar "uma nova linha de defesa" para travar os efeitos do coronavírus na economia.

O presidente do Eurogrupo vai voltar a reunir, em teleconferência, os ministros das Finanças da área do euro na próxima terça-feira para analisar as opções à disposição dos Estados membros para encontrar uma nova linha de defesa contra os efeitos do coronavírus na economia. São várias as previsões de uma recessão profunda e por isso os países estão a coordenar as suas respostas.

Numa mensagem na rede social Twitter, Mário Centeno anunciou esta reunião que surge depois de a presidente da Comissão Europeia ter proposto ela primeira vez na história da União Europeia e da Zona Euro, a suspensão das regras orçamentais para que os países possam enfrentar a crise económica provocada pela epidemia.

Uma das medidas que poderá estar em cima da mesa está relacionada com a eventual emissão de dívida conjunta ao nível da União Europeia (UE) para assim estimular a recuperação económica, ação defendida pelo primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, e apresentada aos restantes líderes europeus no Conselho realizado na passada terça-feira. Em causa estão os chamados ‘Eurobonds’, uma mutualização da dívida dos países europeus, para a qual potências como a Alemanha já manifestaram alguma abertura.

Um dia antes desta reunião do Eurogrupo, haverá uma teleconferência dos ministros da Economia e Finanças da UE (o chamado Ecofin) e aí será analisada a medida proposta na sexta-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, uma suspensão “inédita” das regras de disciplina orçamental impostas aos países da UE para permitir que os Estados-membros “estimulem o quanto quiserem” as suas economias numa altura de crise.

“Estamos a flexibilizar as regras orçamentais para permitir que os países o possam fazer”, disse Ursula von der Leyen, dando assim luz verde aos governos nacionais podem introduzir estímulos orçamentais na economia “tanto quanto precisem”. António Costa apresentou na sexta-feira um conjunto de apoios económicos e sociais para travar os efeitos da pandemia na economia nacional, nos próximos três meses. Em cima da mesa estão linhas de crédito de três mil milhões de euros, às quais as empresas só podem aceder se não houver despedimentos, a prorrogação automática dos subsídios de desemprego e ainda o fim da caducidade dos contratos de arrendamento, medidas que se vêm juntar às moratórias no crédito, o diferimento de impostos.

Para a sugestão de suspensão entrar em vigor, os Estados-membros terão de dar o seu aval a esta decisão, mas tudo aponta para que a medida avance, o que deverá acontecer no Conselho Europeu de 26 de março que será dada luz verde definitiva.

Esta nova teleconferência acontecerá um dia depois de Mário Centeno se reunir com o Presidente da República, que o pretende convencer a permanecer na pasta das Finanças, como avança o Expresso (acesso pago) este sábado.

(Notícia atualizada)

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