Bitcoin chega ao “mainstream”. Estas 10 empresas já “mexem” em criptomoedas

As criptomoedas estão outra vez em voga e várias empresas já lidam com criptoativos como a bitcoin. Há o exemplo óbvio da Tesla, mas existem outros, como o PayPal e até grandes bancos dos EUA.

Especula-se que a Amazon pode vir a adotar criptomoedas como forma de pagamento, uma ideia que ganhou expressão através de uma oferta de emprego publicada na internet pela gigante do comércio eletrónico. A empresa não o confirmou, mas também não o desmentiu, mostrando-se “inspirada pela inovação que está a surgir no universo das criptomoedas”.

Ao longo das últimas semanas, a mera perceção de que a Amazon pode estar a aproximar-se das criptomoedas tem animado os preços da maioria das moedas virtuais, e não somente da bitcoin. A ser verdade, significará a chegada de mais uma grande empresa internacional ao mundo dos criptoativos, um argumento para dar mais força aos entusiastas da blockchain e deste novo mundo financeiro digital.

Outrora visto como um campo fértil para fraudes financeiras, branqueamento, financiamento do terrorismo e moeda de troca no mercado negro, quem negoceia bitcoins já não é logo apelidado de criminoso. E até os grandes bancos centrais, como o Banco Popular da China, a Reserva Federal dos EUA e o Banco Central Europeu, têm trabalhado para tornar as respetivas divisas fiduciárias mais semelhantes às criptomoedas, de que é exemplo o euro digital.

Mas para as criptomoedas estarem efetivamente ao alcance das massas, não basta que uma grande empresa as adote. Ao longo dos últimos anos, são cada vez mais os nomes de multinacionais que perdem o receio de se associarem ao mundo “cripto”. Recorde aqui algumas das empresas mundiais que já adotaram criptomoedas nos seus serviços.

Tesla, SpaceX (e Musk)

Elon Musk é daqueles investidores que impulsionam ou castigam o mercado em menos de 240 carateres. Através do Twitter, o presidente executivo da Tesla tem-se revelado um grande entusiasta de criptomoedas: primeiro da bitcoin e, depois, da Dogecoin, uma criptomoeda que nasceu de uma piada na internet.

Em fevereiro, a Tesla juntou-se à euforia e anunciou um investimento de 1,5 mil milhões de dólares em bitcoin. Segundo consta, a empresa ainda não terá liquidado esta aplicação financeira. Além disso, a empresa passou a aceitar pagamentos em bitcoin pelos seus automóveis elétricos. Foi sol de pouca dura. Em maio, Elon Musk viu-se forçado a suspender a medida, por causa da pesada pegada carbónica das transações na blockchain da bitcoin.

Já neste mês de julho, Musk confirmou publicamente que detém bitcoin a título pessoal, mas revelou também que a sua empresa de exploração e transporte espacial, a SpaceX, também tem bitcoin no portefólio. A somar a isto, a SpaceX aceitou este ano um pagamento em Dogecoin para pôr um satélite na lua.

PayPal e Venmo

Desde outubro do ano passado que o PayPal permite comprar, vender e deter criptomoedas, com algumas limitações. Limites esses que foram aliviados este mês, com a empresa a aumentar o investimento máximo semanal de 20 mil para 100 mil dólares e a acabar com o máximo anual de 50 mil dólares, de acordo com a CNBC.

Não é a única app de pagamentos a permitir aos clientes negociarem criptomoedas. O Venmo, uma aplicação muito popular nos EUA, que é detida pelo PayPal e se assemelha ao conceito do português MB Way, passou a permitir comprar, vender e deter criptomoedas em abril deste ano, incluindo bitcoin, Ethereum, Litecoin e Bitcoin Cash.

Porém, no caso do PayPal e do Venmo, os utilizadores não podem transferir os seus criptoativos para outros serviços, carteiras ou aplicações terceiras.

Visa e MasterCard

A Visa é outra empresa internacionalmente reconhecida a aproximar-se das criptomoedas, tendo juntado ao universo “cripto” os cartões bancários típicos do mundo financeiro convencional. Por exemplo, é a empresa que “alimenta” o cartão bancário da Coinbase, a corretora de criptomoedas mais popular do mundo. Tem ainda parcerias com diversas outras empresas ligadas às criptomoedas.

Este mês, a Visa revelou que o volume de transações com criptomoedas através dos seus cartões bancários especiais atingiu, pela primeira vez, os mil milhões de dólares. Citado pela CNBC, o administrador financeiro da Visa, Vasant Prabhu, afirmou que a empresa tem assistido a um grande volume de utilizadores que compram criptomoedas em corretoras reguladas.

A rede Visa passou também a permitir transações com USD Coin em março deste ano, uma criptomoeda estável (stablecoin) cujo valor está indexado ao dólar.

Mas a rival MasterCard também já se rendeu as criptomoedas. Em abril, foi noticiado que a empresa de pagamentos estabeleceu uma parceria com a corretora de criptomoedas Gemini. Esta última vai lançar em breve um cartão de crédito que permite aos utilizadores ganharem até 3% de cashback numa de 30 moedas virtuais suportadas pela corretora, com limites.

Revolut

Considerado um dos principais neobancos digitais com presença em Portugal, a Revolut permite comprar, manter e vender criptomoedas no país desde o final de 2017. Em junho de 2021, a empresa de origem britânica contabilizava já 100 mil portugueses a transacionarem estes criptoativos.

No “cardápio” de criptomoedas da Revolut está a bitcoin, mas não só. A plataforma permite negociar também Ethereum, Ripple, Cardano, DogeCoin, Ankr, Stellar, AMP, Litecoin e Polkadot.

Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan

A banca norte-americana tem aderido às criptomoedas desde o boom de 2017, mas de forma indireta, através de instrumentos derivados.

No caso do Goldman Sachs, o banco reabriu a trading desk de criptoativos este ano, para ajudar os clientes a negociarem futuros e outros derivados da bitcoin. Planeia dar um passo em frente e permitir a negociação de opções e futuros de Ethereum, de acordo com a revista Fortune.

Também este ano, os clientes da divisão de gestão de património do Morgan Stanley passaram a poder transacionar três fundos de investimento que dão exposição indireta às subidas (e descidas) da bitcoin. Mas com uma condição: por serem instrumentos arriscados, o banco só permite o acesso a quem tenha, pelo menos, dois milhões de dólares sob gestão na instituição.

Dois dos fundos disponibilizados foram lançados pela empresa de criptomoedas Galaxy Digital e o terceiro foi lançado pela gestora de ativos FS Investments, em parceria com a empresa de bitcoin NYDIG, noticiou a CNBC.

Além destes, o JPMorgan Chase passou a permitir este ano que os seus clientes negoceiem títulos de um conjunto de fundos de investimento em criptomoedas, incluindo o Grayscale Bitcoin Trust, popular no universo das moedas digitais. O banco também ajuda os clientes a investirem em fundos de Ethereum, Bitcoin Cash e Ethereum Classic, de acordo com o site especializado CoinDesk.

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