Corner instala lojas de conveniência em escritórios e condomínios

No próximo ano, a "expectativa é atingir uma dimensão de lojas que gere cerca de um milhão de euros por ano em volume de negócios". 10 lojas no primeiro ano está nos objetivos. Três estão já operam.

Miguel Murta Cardoso, um dos fundadores da Corner.

“E se, em vez de ires à loja… a loja vier até ti?”. A ideia levou Miguel Murta Cardoso e José Pedro Granate a arrancar com a instalação das lojas de conveniência Corner em edifícios de escritórios e condomínios. Três Corners já foram instaladas e os planos passam por ter 10 no primeiro ano de operação e a abertura anual de 20 lojas nos próximos anos. No próximo ano, esperam atingir um milhão de euros de volume de negócios.

“O conceito por trás do Corner é levar a loja até ao cliente, apostando na tendência da proximidade e facilitando o dia-a-dia das pessoas. São lojas acolhedoras e compactas, estrategicamente instaladas dentro de espaços privados, como escritórios e condomínios residenciais, com a particularidade de funcionarem sem funcionários, 24 horas por dia, todos os dias da semana”, começa por explicar ao ECO o cofundador, Miguel Murta Cardoso.

“A gama de produtos das lojas é adaptada ao perfil de cada localização, mas inclui produtos tão diversos como pão, iogurtes, gelados, bebidas, refeições prontas, pasta de dentes e sacos do lixo. Temos mais de 500 produtos registados nas nossas lojas. O objetivo é que as pessoas encontrem sempre ‘o que falta’, seja uma refeição de qualidade no escritório, um gelado à noite em casa, ou qualquer outro produto de última hora sem necessidade de ir ao supermercado”, continua.

Cada loja tem cerca de 12 a 16 metros quadrados e funciona através de um sistema de self-checkout, “integrando sistemas de pagamento automatizados, monitorização remota, e gestão de inventário”. “A segurança é garantida pelo contexto das lojas, inseridas em pequenas comunidades nas quais as pessoas não se sentem bem a roubar, mas também por câmaras de vigilância”, explica.

Corner na Infinity Tower.

“A tecnologia que utilizamos combina tecnologia existente de terceiros com componentes desenvolvidos internamente já que praticamente não existem soluções tecnológicas (e viáveis) para este negócio na Europa“, diz Miguel Murta Cardoso.

Empreendedor com experiência na área do retalho, antes de fundar a Corner Miguel Murta Cardoso foi head of retail da Sensei — que desenvolve as lojas autónomas sem caixa —, foi CEO e administrador da Compra Cá (empresa detida pela Explorer Investments e que detém a rede Meu Super em parceria com a Sonae), foi loyalty partnership manager da MC (dona do Continente), segundo o seu LinkedIn. Já o outro sócio fundador, José Pedro Granate, tem experiência em consultoria estratégica e operações em empresas como a Amazon.

José Pedro Granate, um dos sócios da Corner.

10 lojas no primeiro ano de operação

Neste momento, já têm “três lojas em funcionamento, nos escritórios na OutSystems e Millennium BCP e no condomínio residencial Torre Infinity”, adianta. O valor do investimento, Miguel Murta Cardoso não revela “por questões concorrenciais”, mas adianta que até agora o investimento necessário para a abertura das lojas foi suportado pelos sócios fundadores.

“O Corner é atualmente um projeto 100% bootstrapped, financiado com capital dos fundadores. Na primeira fase provámos que o modelo funciona e os três pilotos em operação foram um enorme sucesso. Neste momento, estamos a avaliar os diferentes cenários para dar início à expansão do nosso parque de lojas“, revela quando questionado sobre eventuais levantamentos de capital para alavancar crescimento da operação.

Mas há planos de crescimento. “O plano de expansão da marca prevê a abertura de até 10 lojas no primeiro ano de operação, com o objetivo de acelerar o crescimento e atingir cerca de 20 novas lojas por ano nos anos seguintes, focando-se em empresas de média e grande dimensão que valorizam a experiência dos seus colaboradores, bem como em grandes condomínios residenciais que pretendem melhorar a qualidade de vida dos seus residentes”, adianta.

Por agora, o foco é o mercado nacional, mas Miguel Murta Cardoso não coloca de parte uma eventual internacionalização do conceito. “Embora o foco para os próximos meses seja Portugal, acreditamos que o conceito é altamente replicável em mercados urbanos e densamente povoados como Espanha, França e mercados da Europa Central. De qualquer forma, apesar de termos uma ambição muito grande, neste momento estamos focados em fazer este negócio funcionar em Portugal”, diz.

Corner no edifício do Millennium bcp

O crescimento da operação deverá ser acompanhado pelo crescimento da equipa. Neste momento composta pelos fundadores, que asseguram a reposição das lojas, o objetivo é reforçar na parte operacional. “Vamos agora contratar repositores para nos focarmos na expansão da empresa. Mas sempre interno, não vamos recorrer a empresas logísticas terceiras. Cada loja normalmente exige duas reposições semanais”, explica. Mas não só. “À medida que a operação cresce, estamos a preparar o recrutamento de perfis para as áreas de tecnologia, logística, operações, e comercial”.

Quanto a resultados, no próximo ano, a “expectativa é atingir uma dimensão de lojas que gere cerca de um milhão de euros por ano em volume de negócios. A cinco anos estimamos uma faturação anual superior a cinco milhões de euros, com margens operacionais superiores ao do negócio tradicional do retalho alimentar”, vaticina.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Corner instala lojas de conveniência em escritórios e condomínios

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião