Exclusivo Regalado antecipa reforço dos programas de capitalização do Banco de Fomento
Com acelerar da execução do Fundo de Recapitalização Estratégica, nos 74%, o CEO do BPF admite não cortar 450 milhões para financiar as linhas InvestEU e usar verbas adicionais do PRR.
O presidente do Banco de Fomento acredita que os programas de capitalização do banco não vão sofrer qualquer corte e que, antes pelo contrário, serão alvo de um reforço. No âmbito da reprogramação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ficou determinado que seria da dotação reservada para estes programas que sairiam os 450 milhões de euros necessários para financiar as linhas no InvestEU.
“Tenho a firme convicção que, um, não haverá cortes e, dois, haverá reforços”, disse ao ECO Gonçalo Regalado.
O Banco de Fomento tem quatro instrumentos de capitalização para o continente: em dois o banco investe diretamente nas empresas e noutros dois o investimento é feito indiretamente através de capitais de risco. Em causa estão 1.300 milhões de euros do Fundo de Capitalização e Resiliência financiado com verbas do PRR.
O Programa de Recapitalização Estratégica tem uma taxa de execução de 53,7%, que corresponde à contração de 107,37 milhões. Mas no Deal-by-Deal a taxa cai para 39,3%. Ambos têm uma dotação de 200 milhões. Este desempenho contrata com os programas de capitalização indireta (via capitais de risco). O Consolidar apresenta uma execução de 91,6% dos 533 milhões alocados e o Programa de Venture Capital tem uma execução de 81,9% dos 367 milhões que tem de dotação, de acordo com os dados relativos a 8 de agosto.

Em fevereiro, na apresentação do Plano de Ação do banco, Gonçalo Regalado explicou que o corte de 450 milhões que os programas de capitalização iam ter, para pagar a contribuição do programa InvestEU, seria decidido com base na execução dos programas. “O que vamos fazer é, paulatinamente, ir medindo quase mês a mês o que estamos a executar e ir garantindo essa alocação. Vamos ter uma competitividade boa entre os quatro programas” que funcionará como “um acelerador positivo” do investimento das empresas”, explicou na altura.
Seis meses depois, a convicção é outra. Não só a execução dos programas melhorou, como o Banco de Fomento vai poder contar com reforços adicionais resultantes da não utilização de verbas do PRR por parte de outros beneficiários.
“À medida que vai passando o tempo, teremos acesso a dotações adicionais do próprio PRR, que permitirão compensar estes 450 milhões e provavelmente até reforçá-los”, explicou ao ECO Regalado. “Cada euro que pudermos passar do PRR do Estado para o PRR das empresas é um euro bem-vindo”, acrescentou.
Regalado reconhece que a execução do PRR noutras áreas do Estado é “bastante mais desafiante”, seja porque está dependente de “avaliações de impacte ambiental, devido à regulamentação ou aos modelos concursais diferentes”.
E tendo em conta as exigências temporais do PRR — a data limite para a execução física dos projetos é 30 de junho de 2026 — a aposta nas empresas pode garantir uma execução mais rápida. “Quando for preciso acelerar a execução, sabemos que as empresas são mais rápidas, mais ágeis e normalmente muitíssimo mais exigentes no processo de ativação”. O facto de, nas agendas mobilizadoras (que aguardam desde maio os resultados da reprogramação) os pagamentos às empresas serem superiores à média do PRR são uma prova da rapidez de execução.
Gonçalo Regalado admite ainda não ter de recorrer ao corte dos programas de capitalização para financiar o member state compartment do InvestEU se conseguir “receber verbas adicionais de soluções” que estão “a fazer com parcerias com outros países”. “O banco não tem de receber só fundos de natureza pública ou europeus”, frisou.
Quando há um bom pipeline de execução e um bom pipeline de aprovação, podemos escolher ainda melhor [os investimentos].
O CEO do Banco de Fomento está confiante na capacidade de execução das capitais de risco. “No primeiro semestre, fizeram o dobro do que tinham feito nos últimos dois anos. Foi possível multiplicar a velocidade por quatro”, sublinhou.
“A nossa expectativa é que estas 23 sociedades de capital de investimento executem bem, com impacto e com capacidade de entregar resultados, em particular até dezembro de 2025”, concluiu, isto porque os fundos de capitalização do Banco de Fomento não tiveram um prolongamento do prazo para a execução das verbas do PRR, à semelhança do que aconteceu com as agendas mobilizadoras. Só o reforço de dotação, conseguido do banco no âmbito da reprogramação, poderá ser executado até final de junho de 2026.
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