É oficial. Fitch sobe rating de Portugal para ‘A’

  • ECO
  • 12 Setembro 2025

A agência reviu em alta a notação de Portugal de 'A-' para 'A', com outlook estável, como tinha sinalizado o primeiro-ministro, Luís Montenegro, horas antes. Fitch prevê que défices regressem em 2026.

A Fitch decidiu, esta sexta-feira, subir o rating de Portugal de ‘A-‘ para ‘A’, com perspetiva estável. No espaço de 15 dias é a segunda agência de rating, depois da Standard & Poor’s (S&P), a subir a notação da dívida soberana. Horas antes do anúncio oficial, Luís Montenegro já tinha antecipado que esperava nas próximas “horas” uma revisão em alta da avaliação do país. “Portugal é hoje um exemplo na Europa do ponto de vista financeiro”, disse o primeiro-ministro, durante a visita oficial ao Japão.

Em março, a agência tinha mantido inalterado o rating de Portugal em ‘A-‘, com perspetiva positiva, o que dava margem para melhorar a notação do país. A Fitch justifica a decisão – na noite em que desceu a notação de França de ‘AA-‘ para ‘A+’ – com a redução contínua da dívida portuguesa. Até 2027, a agência projeta uma queda do rácio da dívida para 88,4% do PIB, sustentada em “expressivos excedentes primários” e numa “política orçamental prudente” que já tem um “historial sólido”.

Para este ano, a Fitch estima um excedente orçamental de 0,1% do PIB, com os cortes de impostos e os custos dos empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) a serem compensados pela resistência do consumo e as receitas fiscais. Mas a partir de 2026 regressam os “pequenos défices orçamentais”, ou seja, 0,7% do PIB no próximo ano e 0,4% em 2027.

Num ambiente global de incerteza geopolítica e tensões comerciais, a agência avança que há “riscos” mas antecipa um crescimento da economia portuguesa acima da média da zona euro (1,1%) nos próximos dois anos. Assim, para este ano estima um crescimento do PIB de 1,8%, que deve acelerar para 2,2% em 2026 e baixar para 1,7% em 2027, à medida que o investimento público, via PRR, normalize.

Com um mercado laboral “robusto”, a taxa de desemprego deve rondar os 6,2% até 2027, até porque será difícil cair mais dada a “insuficiência de qualificações”. Já a inflação deve estabilizar em torno dos 2% nesse período.

A posição externa de Portugal também tem melhorado, à boleia do “forte aumento das exportações de serviços, em particular o turismo, e uma redução do défice energético”, através do maior peso da energia renovável.

Em comunicado, enviado entretanto às redações, o Ministério das Finanças indica que a “decisão é mais uma conquista para Portugal e o reconhecimento do trabalho que está a ser feito pelo Governo, pelas famílias e empresas, no sentido de promover o crescimento da economia, garantir o equilíbrio das contas públicas e a redução sustentada da dívida pública”.

A DBRS foi, em janeiro, a primeira agência do ano a avaliar Portugal, com uma subida do rating do país. Em julho, na segunda ronda de avaliações, a agência canadiana optou por não mexer na notação da dívida soberana.

Já a Standard & Poor’s (S&P) decidiu, a 29 de agosto, aumentar, pela segunda vez no ano, o rating de Portugal para A+, com perspetiva estável. A 28 de fevereiro, já tinha revisto a notação da dívida soberana, de ‘A-‘ para ‘A’, com perspetiva positiva.

E, em maio, a Moody’s decidiu não mexer na notação do rating ‘A3’ de Portugal, com perspetiva estável. A próxima e última avaliação do rating português está marcado para 14 de novembro, exatamente pela Moody’s.

(notícia atualizada às 22h40)

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