Novo imposto à banca? “A haver, que seja transversal”, diz CEO do BCP

Miguel Maya não vê razões para que seja aplicado um novo imposto em específico para o setor financeiro. Ministro disse que ia rever tributação após fim do adicional de solidariedade.

O CEO do BCP espera que o Governo não avance com mais impostos. Ainda assim, se o ministro Joaquim Miranda Sarmento quer uma solução alternativa para compensar o fim do adicional de solidariedade, que seja uma tributação “transversal” e não específica para o setor da banca, afirmou Miguel Maya.

Gostaria é que não houvesse nenhum. Ainda temos o imposto especial sobre a banca. Mas a haver, o que parece é que será transversal”, declarou o líder do BCP na conferência de apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano.

Por ocasião da apresentação do Orçamento do Estado para 2026, o ministro das Finanças anunciou que ia “revisitar” a tributação sobre o setor da banca para compensar a revogação do adicional de solidariedade que o tribunal declarou inconstitucional.

Não vejo nenhuma razão para penalizar o setor financeiro em particular. O que espero é que não se criem entraves adicionais”, disse Miguel Maya, apelando antes para a revisão do sistema de contribuições para o Fundo de Resolução nacional – um tema em relação ao qual o líder do BCP tem contestado há muito.

“Temos um sistema de contribuições completamente despropositado . (…) Não consigo compreender como tardam em corrigir uma situação que é injusta e insustentável“, atirou o gestor. Recusa que seja um recado mas antes um “apelo e uma reclamação”.

“Espero que possam rever as contribuições para o Fundo de Resolução, para tornar [o sistema de contribuições] mais equitativo e até para terem mais receita ao alargarem a todos os operadores”, apontou.

Buscas no Novobanco? “É muito bem gerido”

Sobre as buscas no Novobanco por suspeitas em relação a negócios com a venda de ativos com perdas para o banco, Miguel Maya recusou fazer comentários. Mas considerou que a instituição é “bem gerida” e tem “equipas muito competentes”.

“É um concorrente acérrimo”, afirmou.

“Gosto muito do que faço”

Miguel Maya sinalizou ainda a vontade de continuar a liderar os destinos do banco. O mandato dos atuais órgãos sociais termina no final do ano. “Gosto muito do que faço. Os acionistas saberão se sou a pessoa indicada para continuar a criar valor. Gosto mesmo do que faço”, começou por dizer o gestor.

Questionado sobre se haverá mudanças na comissão executiva, Maya deu poucas explicações. Afirmou que é “um tema que está a ser visto com os acionistas, tem o seu tempo”.

“O grupo tem excelentes quadros. Não será nunca um problema qualquer substituição. (…) Quando o tema estiver fechado com os acionistas – e o processo não tardará muito, queremos fazer com tempo – comunicaremos ao mercado”, assegurou.

O BCP anunciou lucros de 775,9 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, uma subida de 8,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

(notícia atualizada às 18h55)

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