“Gastámos oito mil milhões no Novobanco e recuperámos dois. Eu não fico contente”, diz líder do BPI
Líder do BPI voltou a insurgir-se contra o fardo fiscal que pesa sobre os ombros dos bancos. E diz-se surpreendido com quem ficou contente porque o Estado recuperou dois mil milhões no Novobanco.
“Eu fico às vezes um pouco surpreendido porque gastámos oito mil milhões no Novobanco e recuperámos dois e ficamos muito contentes. Eu não fico contente”, atirou João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI, depois de questionado sobre a possibilidade de o Governo avançar uma nova taxa sobre a banca para compensar o fim do adicional de solidariedade.
“Enfim, digo que posso ser realista, que se calhar não era possível fazer melhor. Agora, ficar contente e fazer disso uma festa, parece-me um aspeto que eu teria tenho alguma dificuldade a aceitar”, acrescentou.
Oliveira e Costa, que falava na apresentação dos resultados do BPI relativos aos primeiros nove meses do ano, recusou a ideia de estar a manifestar algum “desagrado” em relação ao ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento – que foi quem anunciou no início da semana que o Estado ia recuperar dois mil milhões de fundos injetados no Novobanco — ou que se sinta “prejudicado” com o processo que culminou com a venda do ex-BES ao BPCE. “O atual governo e ministro das Finanças executaram bem um plano que tinham em mão. (…) Mas não posso ficar satisfeito com a perda que foi lá atrás, não com o governo atual”, clarificou o líder do BPI.
Por conta das perdas relacionadas com a resolução do BES e recuperação do Novobanco, o BPI já contribuiu com 300 milhões para o Fundo de Resolução e ainda terá mais 600 milhões para entregar ao fundo até 2046, de acordo com as contas de Oliveira e Costa.
“Pagámos e pagámos coisas que nem sequer nós fizemos”, referiu o gestor.
“A mesma coisa com o tema do imposto da solidariedade. Era uma coisa momentânea e de repente tenho uma coisa que está fixa e agora parece que temos de substituir”, declarou para voltar à pergunta que havia sido colocada inicialmente – o ministro das Finanças já disse que ia “revisitar a tributação” do setor da banca depois de ter revogado o adicional de solidariedade que foi declarado inconstitucional.
“Por que é que só pagam alguns? Nós temos várias entidades financeiras a operar em Portugal que não pagam impostos, nem pagam para o Fundo de Resolução”, reclamou.
Oliveira e Costa também se queixou de os bancos serem “sistematicamente” chamados a pagar mais impostos quando há problemas. “É um problema ideológico”, lamentou.
Sobre o tema dos impostos, o CEO do BPI notou ainda que a despesa do Estado “aumentou 40 mil milhões de euros e os impostos também” nos últimos anos e que se deve refletir sobre o que está a fazer. “Em vez de irmos cobrar mais impostos, sejam eles a quem for, estamos a fazer o devido esforço ao nível da despesa? É que a despesa não é investimento”, frisou.
“Por isso, a nota que eu quero dar, não é uma nota de dizer eu não pago, pelo amor de Deus, nós sempre pagámos e contribuímos muito para a sociedade”, completou.
(Notícia atualizada às 13h32)
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