Venda do banco da Fundação Oriente derrapa para 2026
Dois anos e meio depois, a Fundação Oriente e VCredit ainda aguardam por uma autorização do regulador para fecharem o negócio relacionado com o Banco Português de Gestão por 20 milhões mais variáveis.
Dois anos e meio depois, os chineses do VCredit mantêm vivo o interesse na aquisição do Banco Português de Gestão (BPG), detido pela Fundação Oriente, isto apesar de o negócio avaliado em 20 milhões de euros (mais componentes variáveis) continuar a aguardar por uma resposta do Banco de Portugal.
A operação foi assinada em maio de 2023, mas ainda não conheceu um desfecho passados 30 meses. Isto porque continua por cumprir a chamada “condição regulatória” – isto é, a transação está condicionada à emissão de não oposição incondicional da parte do Banco Central Europeu (BCE), o que ainda não aconteceu. E, sabe-se agora, o processo deverá arrastar-se, pelo menos, por mais alguns meses.
Havia um prazo inicial para o cumprimento dessa condição: 4 de maio de 2025. Como o ECO revelou em abril, esse prazo foi prolongado por seis meses, ou seja, termina a 4 de novembro (esta terça-feira). Agora, com o prazo em vias de expirar, e sem um ‘ok’ do Banco de Portugal, a fundação liderada por Carlos Monjardino – que controla quase 100% do capital do BPG – e o grupo financeiro chinês decidiram na semana passada prolongar o acordo por mais quatro meses com a “Long Stop Date” a ir agora até 4 de março do próximo ano, de acordo com uma informação enviada pela VCredit ao regulador da bolsa de Hong Kong.
Nesse documento, o VCredit esclarece que, à exceção da Long Stop Date, “todos os demais termos e condições do contrato de compra e venda permanecem inalterados”.
O negócio será feito com base na situação líquida do BPG quando se realizar a transação, sendo que os capitais próprios do banco ascendiam a 17,5 milhões de euros em junho. Os chineses vão ainda comprar a dívida subordinada (no valor de três milhões). O valor final poderá atingir os 35 milhões, atendendo ao cumprimento de determinadas variáveis, como a venda de imóveis e a recuperação de ativos por impostos diferidos.
Em abril, o presidente do conselho de administração do BPG, João Costa Pinto, revelou ao ECO que “os requisitos formais necessários” para a concretização da operação tinham sido cumpridos pelos interessados e assumia com otimismo que o processo estaria “numa fase final”.
Porta de entrada para a Europa
O grupo chinês já pagou um sinal de um milhão de euros, que serão devolvidos caso a transação não se concretize ou abatidos ao valor a pagar à Fundação Oriente caso chegue a bom porto.
Mas qual o interesse da VCredit no BPG e o que leva a ser tão paciente? A aquisição do pequeno banco português servirá de porta de entrada para expandir operações na Europa. “Após concluirmos com sucesso esta transação, planeamos expandir os nossos negócios na Europa, começando por Portugal, mas provavelmente, mais tarde, expandiremos para Espanha e alguns outros países”, segundo indicou o CEO do grupo, Stephen Liu, numa conference call com os analistas, realizada em 2023.
O VCredit está particularmente focado “no negócio da banca digital, principalmente no crédito ao consumo e na gestão de património de particulares”, adiantou Liu.
BPG com prejuízo de 4,7 milhões até junho
O BPG vai acumulando prejuízos ano após ano, em resultado do esforço de redução do crédito malparado e de limpeza do balanço – e que levaram o acionista a ter de injetar muitos milhões para equilibrar os rácios de capital regulamentares.
Em 2025 mantém-se a trajetória negativa, com os prejuízos a ascenderam a 4,7 milhões na primeira metade do ano.
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