CTT mantêm política de dividendos e apontam à “liderança ibérica” até 2028

Grupo liderado por João Bento promete conquistar "a liderança ibérica em logística de comércio eletrónico" nos próximos três anos, num período em que irá "intensificar" o investimento.

João Bento, CEO dos CTTHugo Amaral/ECO
ECO Fast
  • Os CTT mantêm a política de distribuir 35% a 50% dos lucros e traçam como meta alcançar a liderança ibérica em logística de comércio eletrónico até 2028, assente numa parceria prevista com a DHL e na centralidade do e-commerce no grupo.
  • Plano aponta para rendimentos operacionais de 1,6–1,7 mil milhões de euros e EBIT de 170–195 milhões em 2028, abaixo do ritmo traçado em 2022, com menor crescimento previsto face às metas então assumidas para 2025.
  • Execução passa por intensificar o investimento anual (50–55 milhões), simplificar o reporte em três áreas e estabilizar o correio, enquanto a parceria com a DHL aguarda luz verde regulatória e o Banco CTT acelera crescimento e rentabilidade com lucros reforçados.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Os CTT CTT 0,56% apresentaram esta terça-feira uma estratégia para se tornarem “líderes de mercado na Península Ibérica” no setor logístico e de comércio eletrónico até 2028, com a ajuda fundamental da “parceria prevista” com a DHL nos segmentos de consumo e empresarial, que ainda carece de aprovação regulatória.

A empresa indicou também que irá ‘simplificar’ e ‘racionalizar’ o reporte de resultados já a partir deste ano, com o comércio eletrónico a tornar-se no principal negócio, e o correio, historicamente o core deste grupo centenário, definitivamente empurrado para segundo plano.

No dia em que promove um Capital Markets Day — que o CEO, João Bento, chegou a antever como “glorioso” –, os CTT reiteram o guidance para este ano e esperam atingir rendimentos operacionais entre 1,6-1,7 mil milhões de euros no final de 2028 e um EBIT entre 170 a 195 milhões. Trata-se de um incremento face às receitas entre 1,1 e 1,25 mil milhões que o grupo antecipa obter no exercício de 2025 e ao EBIT recorrente de 115 milhões de euros, onde já se inclui um impacto positivo da compra da empresa espanhola Cacesa num período de oito meses.

Porém, o crescimento antecipado para este triénio é inferior ao que os CTT previam para o período de 2023 a 2025. A taxa de crescimento anual composto (CAGR) de 7-9% prevista para 2028 ao nível das receitas e de 13-17% ao nível do EBIT são inferiores aos 7-10% e 14-19% previstos para 2025 quando os CTT realizaram o Capital Markets Day de 2022.

Na remuneração acionista, ao longo do próximo triénio, está previsto a manutenção do “objetivo de pagar entre 35% e 50% do resultado líquido em dividendos de caráter recorrente”, em linha com o que tem acontecido desde o último Capital Markets Day no verão de 2022.

“Para concretizar o crescimento previsto para o período de 2026-28, os CTT irão intensificar o seu investimento core durante este período”, assume a empresa. No triénio, o capex irá atingir 50-55 milhões de euros por ano, “o que equivale a uma intensidade, em percentagem das receitas, na ordem dos 3,5-4%. Este investimento destinar-se-á ao aumento da capacidade em toda a Península Ibérica, expandir a rede de cacifos e melhorar a experiência do cliente nos canais digitais.

Os CTT irão alavancar os preços do correio enquanto se preparam para o próximo contrato de serviço universal e irão reduzir custos através de eficiências operacionais.

Comunicado dos CTT

Capital Markets Day 2025

Banco CTT a caminho do milhão de contas

Em relação ao Banco CTT, o grupo pretende atingir um milhão de contas nos próximos três anos, aumentar os volumes de negócio até ao intervalo de 12-14 milhões de euros, reforçar “significativamente o lucro antes de impostos” até quase o dobro dos 26 milhões alcançados em 2024 e “manter um plano de investimento autofinanciado com 100% dos ganhos reinvestidos”.

“No que diz respeito ao Banco CTT, a aposta está em catalisar o próximo ciclo de crescimento focando-se em três eixos de crescimento: aumentar a base de clientes e o nível de envolvimento, destacar-se em poupanças e lutar por uma quota justa no crédito”, acrescenta ainda o comunicado submetido à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) minutos antes da abertura das bolsas na Europa.

Ainda em relação ao banco, a empresa não avançou qualquer novidade sobre o futuro da estrutura acionista do Banco CTT, que se mantém parcialmente detido pelos CTT em conjunto com a Generali Tranquilidade, detentora de 8,71% do capital.

Em fevereiro, numa entrevista ao ECO, o CEO dos CTT antecipou, referindo-se a este Capital Markets Day, que o grupo iria “provavelmente” aproveitar a ocasião para “continuar a afirmar esta ideia de que, tendencialmente, a importância do banco” no portefólio dos CTT “há de vir a diminuir”.

Todavia, numa intervenção perante os analistas financeiros esta terça-feira de manhã, João Bento considerou que o portefólio dos CTT “está agora bem equilibrado”.

Grupo adota “nova estrutura de reporte”

Além destas linhas orientadoras para o triénio, os CTT anunciaram uma “nova estrutura de reporte” já a partir dos resultados anuais de 2025, que será “simplificada e racionalizada”, na ótica da companhia. Assim, a partir de agora, a empresa divulgará ao mercado “apenas três áreas de negócio”:

  • “Soluções de comércio eletrónico”, onde se incluem as atividades da CTT Expresso em Portugal e Espanha (“a que correspondem ao perímetro da transação com a DHL”) e a Cacesa. Este segmento em 2024 representou receitas de 584 milhões e EBIT de 54 milhões (ajustando pela consolidação integral da Cacesa).
  • “Correio e Serviços”, que abrange “os antigos segmentos de ‘Correio e Outros’ e ‘Serviços Financeiros'” e outros negócios de Expresso e Encomendas que não estão abrangidos pela parceria com a DHL, como a Decopharma, o Fundo 1520 e o negócio em Moçambique. Este segmento em 2024 representou receitas de 509 milhões e EBIT de 22 milhões.
  • Banco CTT, que “corresponde ao perímetro de consolidação” do banco detido maioritariamente pelo grupo e que “não sofre alterações”. Em 2024, as receitas foram de 130 milhões e o EBIT recorrente de 27 milhões.

O ‘casamento’ com a DHL

A notícia apanhou os mercados de surpresa no final do ano passado, quando os CTT anunciaram uma importante joint venture com os alemães da DHL. A estrutura do acordo é complexa, mas resume-se da seguinte forma:

Primeiro, os CTT compram a totalidade da DHL Parcel Portugal. Depois, adquirem 25% da DHL Parcel Iberia, ficando em Espanha com o B2C (consumo) e deixando o B2B (empresarial) para os alemães.

Por último, a DHL compra 25% da CTT Expresso. Tanto os CTT como a DHL poderão ainda reforçar as suas posições e ficar com até 49% uma da outra, após o fecho das contas de 2027.

Este negócio foi anunciado quase em simultâneo com a compra da Cacesa. Na altura, o ECO noticiou que a Cacesa e a DHL só foram informadas do que se passava, nos negócios paralelos dos CTT, já numa fase final.

A “jornada” rumo à “liderança”

Naquele que é provavelmente o dia mais importante para o grupo CTT do ponto de vista dos mercados financeiros — os dois Capital Markets Day mais recentes foram em 2022 e 2015 –, a empresa assume perante os investidores a ambição de se tornar líder de mercado na Península Ibérica. E o caminho para lá chegar está definido.

Já considerando a nova organização interna, e começando pelos Serviços de Comércio Eletrónico, onde esperam ser líderes, os CTT prometem “evoluir” o modelo operacional, “combinando uma oferta completa de última milha com uma presença mais ampla na cadeia de valor, para fomentar a fidelização dos clientes”, lê-se na apresentação submetida esta terça-feira à CMVM.

No Correio e Serviços, os CTT pretendem “estabilizar o correio”, “estimular as soluções empresariais” e “reforçar o retalho”. “Para atingir estes objetivos, os CTT irão alavancar os preços do correio enquanto se preparam para o próximo contrato de serviço universal e irão reduzir custos através de eficiências operacionais, capitalizando as atuais capacidades comerciais e da rede”, nos segmentos empresarial e de consumo.

Para o Banco CTT, a meta é “acelerar o crescimento e a rentabilidade”. “Para alcançar estas aspirações, o Banco CTT irá reforçar um modelo de negócio distinto, completar a oferta e impulsionar o digital para combinar uma presença física não replicável”.

A empresa espera facilitar esta estratégia com três aspetos: desenvolver mais tecnologia e engenharia internamente, apostar em “atrair, desenvolver e recompensar talento” e, por fim, “integrar a sustentabilidade nas decisões e ações diárias e de rotina”.

As ações dos CTT abriram a cair 0,7%, para 7,08 euros, minutos após a divulgação destas informações, e numa sessão negativa para a generalidade das bolsas europeias. Na sessão anterior, os títulos caíram mais de 5,5%. Ao longo da manhã estão previstas intervenções do CEO, João Bento, e dos demais responsáveis de topo da cotada nacional.

(Notícia atualizada às 11h28 com mais informações)

Cotação das ações dos CTT:

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