Estado, empresas, vetos e dissoluções. As ideias ‘produzidas’ pelos candidatos presidenciais na Fábrica 2030

Das mudanças na função pública e leis laborais, da defesa e saúde aos poderes presidenciais, leia as principais frases proferidas pelos candidatos a Belém na conferência organizada pelo ECO no Porto.

João Cotrim de Figueiredo e Luís Marques Mendes cumprimentam-se na conferência Fábrica 2030, organizada pelo ECO no auditório da Fundação de Serralves

 

Sob o tema “Portugal que produz”, a conferência Fábrica 2030, que decorreu esta sexta-feira na Fundação de Serralves, no Porto, juntou os cinco principais candidatos à Presidência da RepúblicaLuís Marques Mendes, António José Seguro, André Ventura, João Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo — num debate sobre os desafios e oportunidades da economia portuguesa. Veja as principais ideias que deixaram nesta iniciativa, que assinalou também o 9.º aniversário do ECO.

 

Henrique Gouveia e Melo

  • “Temos um problema de organização em Portugal e temos de ter uma cultura de mérito. Um funcionário público ganha o mesmo, quer se esforce ou não – e isso não incentiva. Não defendo a saída dos funcionários públicos, mas, em último caso, não podem abusar do Estado. Temos de defender os direitos legítimos dos trabalhadores e não os ilegítimos”.
  • “Lei laboral? Nunca me refugiei em trincheiras. Falo de forma muito objetiva sobre o que acho. O que acho é que a economia está a mudar e precisa de flexibilidade, mas temos de ver qual é essa flexibilidade”.
  • “Não faz sentido estar a pagar três vezes mais a um tarefeiro que não tem responsabilidade nenhuma, que passado o seu período vai-se embora, não tem nenhuma empatia com os doentes, nem com o hospital, que vai fazer só o seu trabalho técnico. E, simultaneamente, pago menos a gente que está lá e tem as responsabilidades”.
  • “O professor Cavaco fez-me um grande elogio que foi assumir que eu sou o maior perigo nesta corrida presidencial para o seu protegido Marques Mendes”.

 

João Cotrim de Figueiredo

  • “Um Presidente deve chamar a atenção do Governo se vir uma coisa mal feita, muito antes de usar um veto que poderia ser visto como um corretivo. Só é possível fazê-lo se tiver um mínimo de experiência empresarial para perceber os impactos na realidade”.
  • “Há um tipo de leis que vetaria certamente e em todas as circunstâncias: as leis que estejam mal feitas, involuntária ou propositadamente”.
  • “A estabilidade política não deve ser um fim em si mesmo. Estabilidade para fazer uma coisa boa, sim. Agora, se estiver alguma coisa a arder e não tentar apagar o fogo…”
  • “A forma como o SNS está organizado nunca terá solução e será um permanente triturador de ministros. (…) Serei o último a dizer que não há espaço para cortar num orçamento de 17,3 mil milhões de euros”.
  • “Longe de ser aquilo que se pode designar um milagre económico, a relativa boa performance da economia portuguesa esconde uma situação de dependência e esconde que há um substrato de problemas estruturais“.

 

António José Seguro

  • “Devemos olhar para a Defesa como um investimento e não como uma despesa. Portugal deve manter-se na NATO, mas a Europa deve aumentar a sua autonomia estratégica na segurança e na defesa. (…) O problema é a má despesa, a má dívida. Se é estratégico, então temos de investir nessa área”.
  • “É preciso libertar a economia do peso do Estado. Em vez de ser um amigo de quem investe, o Estado limita, condiciona, é lento e muitas vezes não dá resposta no tempo certo”.
  • “Não quero ser um primeiro-ministro sombra em Belém. Serei um defensor da estabilidade. Um chumbo do Orçamento não equivale a uma dissolução automática do Parlamento”.
  • “Precisamos de uma nova cultura política e de compromisso, de acabar com as trincheiras e de pôr os atores políticos e económicos a remar na mesma direção. Estive 11 anos afastado da vida política ativa. Tinha uma vida tranquila. Podia ter ficado entre a Foz do Arelho e Penamacor, mas decidi sair do sofá para lutar por um bem maior, por Portugal”.
  • “Estarei menos nos telejornais e mais a trabalhar com os partidos. Quem está todos os dias nos telejornais a falar, banaliza a sua palavra”.

 

Luís Marques Mendes

  • “Enviarei uma mensagem formal ao Parlamento nos primeiros seis meses do meu mandato – uma figura constitucional, mas que raramente é usada –, subordinada à ideia dos desafios económicos e sociais para os próximos meses. Em causa estarão assuntos de relevante interesse natural”.
  • “O veto não deve ser usado por causa das ideias pessoais do Presidente. Deve ser usado em circunstâncias coletivas e institucionais quando está em causa a defesa de grandes temas nacionais”.
  • “As pessoas precisam de tranquilidade e previsibilidade. O país não pode passar o tempo em eleições. Não é modo de vida. É preciso haver tempo para planear e alcançar resultados”.
  • “As tentações de crise política surgirão mais tarde ou mais cedo. Esta vai ser uma das minhas principais preocupações. O chumbo do Orçamento do Estado não tem de levar à queda do Governo. Mas, caso aconteça, passará a ser um Governo fragilizado”.
  • “Devia ser refletido – e Presidente ajudará nesta reflexão – encontrar um modelo de gestão do SNS que implicasse concursos públicos. Tenho quase a certeza de que a ideia não agradará aos aparelhos partidários, que gostam de nomear os seus boys, mas acho que faria muito sentido para gerir a saúde”.

 

André Ventura

  • “Tendemos a viver na bolha. Quando falamos da burocracia, dos impostos ou da carga da Segurança Social sobre as empresas, não nos basta dizer que é um desafio estrutural. Nunca convencemos a opinião pública de que ter um país fiscalmente mais competitivo nos beneficiaria”.
  • “Sinto que não temos dado voz ao país que produz. Temos dado voz a muito país, mas não ao que produz (…). Quando um país está em desigualdade estrutural com outros com os quais está a competir, fica para trás”.
  • “A greve não deve ser um dogma religioso que não se pudesse tocar. Afeta milhares de pessoas. É um direito fundamental? É. Mas os direitos fundamentais têm o seu contraponto”.
  • “Fim do visto prévio do Tribunal de Contas em contexto de contratação pública vai aumentar o nível de corrupção e a perceção da corrupção. Não devemos flexibilizar mecanismos de controlo. É pôr bar aberto”.
  • “Temos uma saúde muito mal gerida. Mais de 17 mil milhões de euros no orçamento da saúde é desperdício e fraude. E temos de ter mais faculdades de Medicina, sem abandalhar a formação médica. O Presidente da República tem de ser a voz contra o lóbi”.

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