Inês Lima: “Haver mais mulheres a liderar era útil ao mundo que temos hoje”

  • ECO
  • 24 Novembro 2025

O seu grande objetivo profissional era tornar-se diretora-geral de uma empresa e conseguiu. Hoje, Inês Lima é diretora-geral da McDonald´s e partilha as particularidades da sua liderança.

Inês Lima, Diretora-Geral da McDonald´s Portugal, é a 53ª convidada do podcast “E Se Corre Bem?”. Até chegar a este cargo, passou por outras multinacionais que lhe deram experiência e mundo, e conta, neste episódio, como esse percurso contribuiu para conseguir liderar uma das maiores cadeias de restaurantes de fast food em Portugal.

Eu sempre quis ser diretora-geral de uma empresa. Era o meu objetivo profissional. Para isso, comecei a trabalhar na área do marketing porque achava que perceber de consumidores, de mercado e de concorrência me ia dar as ferramentas para isso. Acabei por ganhar sensibilidade ao consumidor e esta é uma das coisas que gosto mais e é que mais caracteriza a minha carreira – conhecer muitos tipos de consumidores diferentes e contextos empresariais diferentes. Isso continua a fascinar-me”, começou por dizer.

A carreira de Inês Lima começou em multinacionais, que a obrigavam a viajar muito. Já visitou mais de 10 países em âmbito profissional e confessa que, para poder fazê-lo, foi fundamental sentir o apoio da família: “É preciso ter ao nosso lado alguém que acredita em nós. Às vezes, que até acredite mais em nós do que nós próprios. E o meu marido, sem dúvida, sempre me apoiou imenso e é sempre o primeiro a dizer ´vai´”.

“Ter mundo é muito importante e é das coisas que faz de mim uma melhor pessoa, pessoal e profissionalmente. Isto porque, com essa experiência, acabamos por ter mais sensibilidade ao outro, ter mais perceção das diferenças, mas também das semelhanças. Em Portugal, temos muito a ideia de que somos muito diferentes e, na verdade, eu vejo que somos muito semelhantes. E é este jogo de ver onde somos diferentes e onde somos semelhantes, o que nos acrescenta e diferencia”, continuou.

Na verdade, fruto da sua experiência além-fronteiras, Inês Lima não teve dúvidas ao afirmar que “os estrangeiros valorizam imenso as características dos portugueses”. A flexibilidade, a agilidade e a capacidade de desenrasque estão entre as características mais elogiadas e, apesar de as corroborar, a diretora-geral da McDonald´s alerta, no entanto, para a falta de ambição que também se evidencia em Portugal: “Às vezes pode faltar estrutura no planeamento ou na organização porque falta a ambição de pensar suficientemente grande, mas no momento da verdade damos tudo e entregamos sempre muito bem”.

Esta ideia resulta daquilo que observa nos seus colaboradores que, na sua maioria, estão no seu primeiro emprego e querem desafio e novidade nas suas funções. “Nós temos 12 mil colaboradores e mais de metade tem entre os 18 e os 25 anos. Sabemos que estas gerações são muito menos resilientes e que se desmotivam muito mais facilmente. Há, por isso, menos comprometimento porque têm menos perspetiva e talvez ousem sonhar menos. Mas são curiosos e precisam de uma empresa que os desafie e lhes dê novidade, se não partem para outro projeto. Portanto, cabe-nos a nós, empresas, abrir caminhos“, disse.

Mas a abertura de caminhos implica saber liderar e essa liderança, muitas vezes, obriga a saber lidar com desafios. E, quanto a isso, Inês Lima afirma que é justamente para ajudar a resolver problemas que ela se disponibiliza para que a encontrem e falem com ela: “Eu lido mal se não falarem comigo. Aliás, eu acho que tenho de ser a primeira a saber das más notícias porque a minha obrigação é ajudar quando estamos perante problemas complexos e situações difíceis. Essa é função de um líder – conseguir ver na horizontal e ajudar as pessoas que estão fechadas na sua caixa a verem fora da caixa”.

“Eu aceito feedbacks como forma de melhoria. Gosto imenso de debate e lido bem com a crítica se ela for construtiva e tiver factos. Aliás, a McDonald´s é um negócio de franchising, portanto, na realidade, a minha gestão é feita em articulação com 45 franquiados. E isto é um desafio interessante porque tenho 45 parceiros, também eles líderes, e que podem dizer que acham que a minha estratégia está errada. E eu até espero que os franquiados discordem porque quando temos diferentes posições acabamos por enriquecer as solução, já que temos mais pontos de vista“, acrescentou.

Quando questionada sobre a tolerância ao erro, Inês Lima afirmou que ele tem mesmo de acontecer se o objetivo for fazer diferente: “Se não errarmos, é muito mau. Sou muito crítica de mim mesma e sinto que se não errarmos, significa que não tentamos, não arriscamos, nem fizemos diferente. E quando não fazemos diferente, estamos suavemente a andar para trás. Já quando temos a visão de longo prazo e sabemos para onde queremos ir, podemos errar no dia-a-dia, mas depois voltamos a acertar. Desde que tenhamos uma direção que nos indique para onde temos de ir, não faz mal nenhum errar”.

Esta tolerância advém, sobretudo, de uma empatia que, de acordo com a diretora-geral, é fundamental nas empresas e que, confessa, é mais comum nas lideranças femininas. “Eu acho que faltam mais mulheres a liderar porque temos algumas características mais adequadas aos dias de hoje. Somos muito mais colaborativas, mais empáticas. No geral, a liderança feminina é muito menos hierárquica e muito mais colaborativa. E isso adequa-se melhor ao mundo atual – de maior incerteza e maior ambiguidade. Acho que as mulheres são muito mais próximas das suas equipas e, por isso, haver mais mulheres a liderar era útil ao mundo que temos hoje“, concluiu.

Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e dos Vinhos de Setúbal.

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